Com o avanço do acesso ao uso terapêutico da cannabis medicinal, especialista reforça os cuidados necessários para iniciar a terapia com segurança e dentro da legislação brasileira
A cannabis medicinal tem conquistado cada vez mais espaço no
Brasil, tanto entre pacientes quanto entre profissionais da saúde. Segundo o
Anuário da Cannabis Medicinal 2025, divulgado pela Kaya Mind em 2026, o país já
conta com 873.111 pacientes em tratamento, um crescimento de 30% em relação ao
ano anterior. O levantamento também aponta que a terapia já alcança 85% dos
municípios brasileiros, evidenciando que o acesso vem se ampliando em todo o
país.
Apesar da expansão, o aumento da procura também tem sido
acompanhado por dúvidas frequentes sobre quem pode prescrever o tratamento,
para quais condições ele é indicado, como obter os produtos de forma legal e
quais cuidados devem ser tomados antes de iniciar o uso. A falta de informação
confiável pode levar pacientes a recorrerem à automedicação ou a produtos sem
procedência, comprometendo a segurança e os resultados do tratamento.
Para orientar quem está considerando essa alternativa, o
endocrinologista e especialista em Medicina do Esporte, Dr. João Branco,
esclarece os principais pontos que devem ser observados antes de iniciar o
tratamento com a cannabis medicinal. O médico integra a Komunidade, plataforma
que conecta pacientes a profissionais especializados e oferece acompanhamento
durante a jornada terapêutica.
1.
Entenda se a cannabis medicinal é indicada para o seu caso
O primeiro passo para iniciar um tratamento com cannabis medicinal
é procurar um médico habilitado para avaliar o histórico clínico do paciente e
entender se os canabinóides podem ser uma alternativa terapêutica adequada.
A cannabis medicinal pode ser indicada para
diferentes condições, como epilepsias de difícil controle, dores crônicas,
transtornos relacionados ao sono, ansiedade, doenças neurológicas, entre outras
situações avaliadas individualmente pelo profissional.
“Cada paciente tem uma necessidade diferente e a cannabis
medicinal não deve ser vista como uma solução única. O tratamento precisa ser
personalizado, considerando sintomas, histórico de saúde, outros medicamentos
utilizados e objetivos terapêuticos. Após a avaliação, o médico poderá indicar
a formulação mais adequada, considerando fatores como concentração dos
canabinóides, dosagem e forma de administração”, explica Dr. João Branco.
2. Entenda o tratamento e mantenha o acompanhamento contínuo
Diferentemente de um tratamento pontual, a cannabis medicinal
exige acompanhamento médico para avaliar respostas, ajustar doses e observar a
evolução do paciente.
Segundo o especialista, um dos principais desafios ainda é
combater a falta de informação e o preconceito em torno do tema. Muitos
pacientes chegam ao tratamento após uma longa busca por alternativas e precisam
de orientação para compreender como os canabinóides atuam no organismo.
“A cannabis medicinal exige responsabilidade e acompanhamento.
Quando o paciente tem acesso a informação de qualidade e profissionais
preparados, conseguimos tornar esse processo mais seguro e aumentar as
possibilidades de benefício terapêutico”, afirma Dr. João Branco.
Além do acompanhamento presencial, pacientes também podem recorrer
a plataformas digitais especializadas, como a Komunidade, que reúnem médicos
prescritores, orientação sobre a legislação, conteúdos educativos e
acompanhamento durante o tratamento.
Para o especialista, esses serviços ajudam a ampliar
o acesso à informação qualificada. “A plataforma favorece a continuidade do
cuidado, especialmente para quem vive em cidades com poucos profissionais
familiarizados com a prescrição de cannabis medicinal", completa.
3.
Busque informações em fontes confiáveis e evite a automedicação
Com o aumento do interesse pela cannabis medicinal, também cresce
a circulação de informações incorretas nas redes sociais e na internet. Por
isso, antes de iniciar qualquer tratamento, é fundamental buscar orientação
médica, entender as possibilidades terapêuticas e conhecer os caminhos legais
para acesso aos produtos, que devem ser prescritos e utilizados conforme a
regulamentação vigente.
Para o Dr. João Branco, a informação qualificada é parte
fundamental do tratamento. “É natural que surjam dúvidas, principalmente porque
ainda existe muito preconceito e desinformação sobre a cannabis medicinal. O
mais importante é buscar fontes confiáveis e profissionais qualificados,
evitando a automedicação e o uso de produtos sem procedência. Um tratamento
seguro começa com orientação adequada e acompanhamento médico”, explica.
A importância de ampliar esse acesso à informação também faz parte
da história de Henrique Fogaça, chef de cozinha e sócio-fundador da Komunidade.
Sua relação com a cannabis medicinal começou a partir de uma experiência
pessoal: sua filha, Olivia, diagnosticada com uma síndrome neurológica rara,
utiliza o tratamento há mais de dez anos e apresentou avanços importantes em
sua qualidade de vida.
“Como pai, vivi de perto a
busca por alternativas que pudessem oferecer mais qualidade de vida para a
Olívia. A cannabis medicinal representou uma mudança importante na nossa
trajetória e mostrou como informação, acesso e acompanhamento fazem toda a
diferença. Hoje, nosso propósito na Komunidade é ajudar outras famílias a
encontrarem esse caminho com segurança, orientação e respaldo científico”,
conta Fogaça.
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