Orientações tratam do uso de IA para dar notas, estabelecem cuidados especiais para crianças e determinam que as escolas preparem os estudantes para utilizar a tecnologia de forma crítica e responsável
O Conselho Nacional de
Educação (CNE) aprovou nesta terça-feira (1º) novas diretrizes para orientar o
uso da inteligência artificial em escolas e universidades brasileiras. O texto
começa a estabelecer limites mais claros para uma tecnologia que já faz parte
da rotina de professores e estudantes e ainda segue para homologação do
Ministério da Educação (MEC).
Entre as decisões que mais
devem repercutir no cotidiano escolar está a determinação de que a inteligência
artificial não substitua o professor na avaliação de redações e questões
dissertativas. A tecnologia poderá ajudar em algumas tarefas, mas decisões
importantes sobre o desempenho dos estudantes precisarão continuar contando com
análise humana.
Outro ponto chama atenção dos
pais: até o 5º ano, crianças não deverão utilizar ferramentas de IA generativa
de forma autônoma. Isso não significa que a tecnologia esteja proibida nessa
faixa etária. Ela poderá ser utilizada em atividades planejadas pela escola e
acompanhadas por educadores.
Para Ronaldo Casagrande,
vice-presidente do Instituto Casagrande e especialista em inteligência
artificial, a decisão chega em um momento importante.
“A inteligência artificial
chegou às escolas muito mais rápido do que nossa capacidade de criar
orientações para seu uso. Professores, gestores, estudantes e famílias precisam
saber onde essa tecnologia pode ajudar e onde precisamos estabelecer limites.
Começar a construir essas referências é fundamental”, afirma Casagrande.
As novas diretrizes também
colocam limites em tecnologias capazes de monitorar estudantes de maneira
excessiva, tentar identificar automaticamente suas emoções ou criar perfis para
classificá-los. Também reforçam cuidados com informações pessoais e dados
produzidos pelos alunos no ambiente escolar.
Outra situação bastante atual
envolve ferramentas que prometem descobrir se um trabalho foi produzido por
inteligência artificial. Pelas novas orientações, o resultado desses sistemas,
sozinho, não poderá servir de base para punir um estudante.
Mas a decisão do CNE não
trata apenas de restrições. Um dos pontos mais importantes é justamente
preparar os estudantes para conviver com a inteligência artificial. A proposta
é que esse aprendizado seja incorporado gradualmente à educação, ajudando
crianças e jovens a entender como a IA funciona, identificar erros e
informações falsas, conferir fontes e utilizar essas ferramentas de maneira
ética e responsável.
“Não basta ensinar nossos
estudantes a usar inteligência artificial. Precisamos ensiná-los a questionar o
que ela responde, verificar informações e reconhecer que a tecnologia também
pode errar. Saber usar IA será importante, mas saber pensar diante da IA será
muito mais”, destaca Casagrande.
Para o especialista, a
decisão também ajuda a superar a discussão sobre simplesmente proibir ou
liberar a inteligência artificial nas escolas.
“A pergunta não pode ser
apenas se o aluno pode ou não usar IA. Precisamos discutir quando usar, para
que usar e quais decisões precisam continuar nas mãos das pessoas. A
inteligência artificial terá cada vez mais espaço na educação, mas o professor
e o estudante precisam continuar no centro desse processo”, conclui.
As diretrizes foram aprovadas
pelo CNE em 1º de setembro de 2026 e ainda dependem de homologação do
Ministério da Educação.

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