80% dos casos no Brasil são diagnosticados em
estágio avançado; faixa etária concentra a maior parte dos diagnósticos e
mortes pela doença
O câncer de cabeça e pescoço, responsável por cerca de 39 mil novos casos por ano no Brasil, apresenta um perfil etário bem definido: a doença se concentra principalmente entre pessoas com mais de 50 anos, enquanto a mortalidade atinge o pico entre 60 e 69 anos. Os dados reforçam a importância de ampliar a atenção a essa faixa etária, especialmente diante da elevada proporção de diagnósticos tardios no país. Segundo levantamento do Instituto Nacional de Câncer (INCA), 80% dos casos são identificados em estágio avançado. O atraso reduz as chances de cura e amplia a necessidade de tratamentos mais agressivos, com maior impacto na qualidade de vida do paciente.
“É importante lembrar que muitos dos sintomas iniciais podem ser confundidos com alterações comuns da idade e, por isso, acabam sendo negligenciados. Rouquidão persistente, feridas na boca que não cicatrizam e nódulos no pescoço, por exemplo, não devem ser normalizados. Ao perceber qualquer um desses sinais, especialmente se persistirem, é fundamental procurar avaliação médica para investigar a causa e evitar que um possível diagnóstico seja feito apenas em estágios mais avançados”, explica a Dra. Aline Viana, cirurgiã e diretora de comunicação da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço.
Além disso, estudos nacionais indicam que entre 65% e 80% dos casos ocorrem em homens, com predominância de pacientes com baixa escolaridade e baixa renda. Essa vulnerabilidade socioeconômica está associada ao acesso mais tardio aos serviços de saúde, o que também contribui para diagnósticos em fases mais avançadas, um fator que se soma ao da idade e agrava ainda mais o cenário entre pacientes acima de 50 anos.
Os dois principais fatores de risco da doença são conhecidos e modificáveis: tabagismo e etilismo. Pesquisas apontam que 72% dos pacientes diagnosticados são fumantes e 58% consomem álcool com frequência. Quando os dois hábitos são combinados, o risco não se soma, se multiplica: pessoas que fumam e bebem podem ter de 10 a 35 vezes mais chances de desenvolver a doença, já que o álcool facilita a penetração de substâncias cancerígenas do tabaco na mucosa.
Além do tabagismo e do consumo de bebidas alcoólicas, também são fatores de risco a infecção pelo HPV, especialmente pelo HPV-16, a exposição prolongada ao sol, higiene bucal inadequada e a exposição ocupacional a determinadas substâncias químicas e poeiras, como as de madeira. Diante do fato de que a maioria dos casos ainda é identificada em estágio avançado, Aline Viana reforça a necessidade de ampliar a atenção à população acima dos 50 anos.
Lembrando que pessoas abaixo dos 50 anos também podem desenvolver esse tipo de câncer, muitas vezes associado à infecção pelo vírus HPV, então o alerta serve para todos: ao perceber qualquer feridinha na boca ou na pele que não cicatriza, manchas escuras ou esbranquiçadas na cavidade oral, rouquidão persistente, dor ao engolir, nódulos no pescoço, procure um especialista, agende uma consulta com um cirurgião de cabeça e pescoço para uma avaliação. O alerta não deve se restringir às pessoas que apresentam fatores de risco. A partir dos 50 anos, é importante estar atento a qualquer sintoma persistente na região da cabeça e do pescoço. Quanto mais cedo a doença for investigada e diagnosticada, maiores podem ser as possibilidades de tratamento e menores os impactos associados a um diagnóstico em estágio avançado”, alerta a médica.
Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço – SBCCP
sbccp.org.br
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