Pediatra Mariana Bolonhezi explica quando o medicamento pode ser
indicado, quais são os principais receios dos pais e por que a automedicação
deve ser evitada
Poucos medicamentos dividem tanto a opinião dos pais quanto o
corticoide. Presente no tratamento de diferentes condições que podem afetar as
crianças — especialmente quadros inflamatórios, alérgicos e algumas doenças
respiratórias —, ele é amplamente utilizado na pediatria, mas ainda desperta
dúvidas e receios sobre sua indicação, seus efeitos e a segurança do
tratamento.
Para a pediatra Mariana Bolonhezi, parte dessa insegurança está
relacionada à forma como o medicamento é percebido. “O corticoide não deve ser
visto nem como um vilão, nem como uma solução para qualquer sintoma. Quando
existe uma indicação médica adequada, ele pode ser uma ferramenta importante no
tratamento. O que precisa ser evitado é o uso sem orientação ou a repetição de
uma prescrição antiga”, explica.
Segundo a especialista, um dos principais pontos de atenção é a
tendência de alguns pais associarem sintomas semelhantes a tratamentos iguais.
Uma criança que apresentou anteriormente uma crise respiratória e recebeu
corticoide, por exemplo, pode ter outro episódio com uma causa ou intensidade
diferente — e repetir o medicamento por conta própria pode não ser a melhor
conduta.
Nem todo
corticoide é igual
Outro fator que contribui para as dúvidas é a existência de
diferentes formas de apresentação do medicamento. Corticoides podem ser
administrados por via oral, inalatória, nasal ou tópica, e a indicação varia de
acordo com a condição que está sendo tratada.
“O tipo de corticoide, a dose, a forma de administração e o
tempo de tratamento são definidos de acordo com cada situação. Não é possível
considerar todos os corticoides da mesma maneira”, afirma Mariana.
A pediatra ressalta que o receio dos pais também pode ser
alimentado por informações encontradas nas redes sociais, muitas vezes
apresentadas sem contexto. Da mesma forma, experiências de outras crianças não
devem ser utilizadas como parâmetro para definir o tratamento de um filho.
O problema da
automedicação
Entre os comportamentos que merecem atenção está o uso de
medicamentos que sobraram de tratamentos anteriores ou que foram recomendados
por familiares e conhecidos. Mesmo quando a criança apresenta sintomas
aparentemente semelhantes aos de uma doença anterior, é importante que o quadro
seja avaliado: em algumas situações o corticoide pode ser indicado; em outras,
não terá benefício e poderá atrasar a identificação da causa real dos sintomas.
“Na pediatria, a avaliação individual é fundamental. A mesma
manifestação pode ter diferentes causas, e a conduta depende da idade da
criança, do histórico, dos sintomas e do exame clínico. Por isso, não é seguro
transformar uma receita anterior em uma prescrição para uma nova situação”,
alerta a pediatra.
Afinal, quando
os pais devem se preocupar?
Para Mariana, mais importante do que decorar quais sintomas
levam ao uso de corticoide é entender que a indicação deve partir de uma
avaliação médica. Em casos de sintomas respiratórios importantes, dificuldade
para respirar, piora do estado geral ou outros sinais de alerta, os pais devem
procurar atendimento.
A especialista também reforça que dúvidas sobre um medicamento
já prescrito devem ser esclarecidas diretamente com o pediatra. “A melhor
relação com o medicamento é aquela baseada em informação e acompanhamento. Os
pais não precisam ter medo do corticoide, mas também não devem utilizá-lo por
conta própria. O equilíbrio está em entender por que ele foi indicado e seguir
corretamente a orientação médica”, conclui Mariana.
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