Um
levantamento da Plataforma DRG Brasil, do Grupo IAG Saúde, mostra que a
segurança no cuidado às pessoas com doenças não transmissíveis (DNT) deve ser
observada ao longo de todo o percurso assistencial. Entre janeiro de 2021 e
junho de 2026, foram identificadas 814.155 internações por DNT classificadas
como condições sensíveis à atenção primária — hospitalizações potencialmente
evitáveis por meio de uma atenção primária oportuna e efetiva.
Uma
vez hospitalizados, esses pacientes passam também a estar expostos aos riscos
inerentes à assistência. No período analisado, 10,9% apresentaram alguma
condição adquirida durante a hospitalização, o equivalente a aproximadamente
uma em cada nove internações. Em 4,1% dos casos, houve registro de condição
adquirida grave. A mortalidade intrahospitalar foi de 6,7%.
O mês
de setembro é marcado pelo Dia Mundial da Segurança do Paciente (17/9). Em
2026, a campanha da Organização Mundial da Saúde (OMS) tem como tema a
segurança no cuidado às pessoas com doenças não transmissíveis, sob o lema
“Cuidados seguros durante toda a vida!”, reforçando a importância da segurança
desde a atenção primária até o cuidado hospitalar e o acompanhamento após a
alta.
Na
Plataforma DRG Brasil, são consideradas condições adquiridas aquelas que não
estavam presentes na admissão e não eram esperadas como decorrência do quadro
clínico do paciente. São classificadas como graves quando associadas ao aumento
do risco de óbito, prolongamento da permanência hospitalar ou possibilidade de
sequelas permanentes.
Condição adquirida grave e mortalidade
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“A diferença de mortalidade observada entre pacientes com e sem condição adquirida grave evidencia um grupo de elevada vulnerabilidade durante a hospitalização. O resultado reforça a importância das estratégias de segurança capazes de prevenir essas ocorrências, sem estabelecer, a partir desses dados, uma relação direta de causalidade com o óbito”, ressalta Breno Duarte, presidente do Grupo IAG Saúde.
Doenças cardiovasculares concentram grande parte das internações
As doenças cerebrovasculares foram o grupo mais frequente, representando 25,3% das internações, seguidas pela insuficiência cardíaca (19,3%) e pela angina (15,7%). Diabetes mellitus respondeu por 10,4% dos casos, doenças pulmonares por 10,1%, epilepsias por 8,3%, asma por 7,7% e hipertensão por 3,1%.
A população hospitalizada tinha idade média próxima de 60 anos, com predomínio de pessoas com 60 anos ou mais. A assistência foi predominantemente clínica.
“Quando
uma condição sensível à atenção primária resulta em hospitalização, o olhar
para a segurança não pode começar apenas na porta do hospital. O cuidado
oportuno e contínuo das doenças não transmissíveis pode contribuir para evitar
parte dessas internações e, consequentemente, reduzir a exposição dos pacientes
aos riscos inerentes à hospitalização”, fala Duarte.
Impacto assistencial e continuidade do cuidado
As internações analisadas tiveram permanência média de 7,4 dias, e 32,7% dos pacientes passaram pelo CTI (Centro de Terapia Intensiva). No período, foram contabilizadas mais de 6 milhões de diárias hospitalares, com custo assistencial estimado acumulado de aproximadamente R$ 12,8 bilhões.
Além dos riscos durante a hospitalização, o levantamento considerou a continuidade do cuidado após a alta. No conjunto do período, 2,2% das internações foram posteriormente identificadas como responsáveis por uma readmissão por recaída ou complicação em 30 dias.
“A
segurança no cuidado às pessoas com DNT não termina com a alta hospitalar. A
transição entre os diferentes pontos da rede e o acompanhamento contínuo são
fundamentais para reduzir novas descompensações e readmissões, especialmente em
condições que exigem cuidado de longo prazo”, diz o presidente do IAG.
Segurança que começa antes do hospital e continua após a alta
Os resultados mostram que a segurança das pessoas com doenças não transmissíveis deve ser observada ao longo de todo o percurso assistencial. Uma hospitalização potencialmente evitável não representa apenas uma oportunidade de atuação anterior à internação: quando ela ocorre, o paciente passa também a estar exposto aos riscos inerentes à assistência hospitalar e, após a alta, permanece a necessidade de continuidade segura do cuidado.
“A
segurança do paciente com uma doença não transmissível começa antes da
internação. Fortalecer o acompanhamento dessas condições, prevenir
hospitalizações quando possível, oferecer uma assistência hospitalar segura
quando necessária e garantir a continuidade do cuidado após a alta são partes
de uma mesma trajetória. O Dia Mundial da Segurança do Paciente reforça
justamente a necessidade de cuidados seguros durante toda a vida”, conclui
Duarte.
Sobre o levantamento
O estudo é observacional, retrospectivo e descritivo e utilizou exclusivamente dados da Plataforma DRG Brasil, referentes ao período de janeiro de 2021 a junho de 2026. Foram analisadas internações cujo diagnóstico principal correspondia a uma doença não transmissível contemplada na Lista Brasileira de Internações por Condições Sensíveis à Atenção Primária (ICSAP): diabetes mellitus, hipertensão, angina, insuficiência cardíaca, doenças cerebrovasculares, asma, doenças pulmonares e epilepsias.
Foram
avaliadas características demográficas e assistenciais, utilização de CTI,
permanência hospitalar, custo assistencial estimado, mortalidade
intrahospitalar, ocorrência de condições adquiridas e condições adquiridas
graves e readmissões por recaída ou complicação em 30 dias.
Grupo
IAG Saúde

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