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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

1 em cada 9 internações por doenças crônicas teve complicação adquirida no hospital

 Levantamento da Plataforma DRG Brasil, do Grupo IAG Saúde, mostra riscos associados às internações potencialmente evitáveis; entre pacientes com condição adquirida grave, mortalidade hospitalar chegou a 33,4%

 

Um levantamento da Plataforma DRG Brasil, do Grupo IAG Saúde, mostra que a segurança no cuidado às pessoas com doenças não transmissíveis (DNT) deve ser observada ao longo de todo o percurso assistencial. Entre janeiro de 2021 e junho de 2026, foram identificadas 814.155 internações por DNT classificadas como condições sensíveis à atenção primária — hospitalizações potencialmente evitáveis por meio de uma atenção primária oportuna e efetiva. 

Uma vez hospitalizados, esses pacientes passam também a estar expostos aos riscos inerentes à assistência. No período analisado, 10,9% apresentaram alguma condição adquirida durante a hospitalização, o equivalente a aproximadamente uma em cada nove internações. Em 4,1% dos casos, houve registro de condição adquirida grave. A mortalidade intrahospitalar foi de 6,7%. 

O mês de setembro é marcado pelo Dia Mundial da Segurança do Paciente (17/9). Em 2026, a campanha da Organização Mundial da Saúde (OMS) tem como tema a segurança no cuidado às pessoas com doenças não transmissíveis, sob o lema “Cuidados seguros durante toda a vida!”, reforçando a importância da segurança desde a atenção primária até o cuidado hospitalar e o acompanhamento após a alta. 

Na Plataforma DRG Brasil, são consideradas condições adquiridas aquelas que não estavam presentes na admissão e não eram esperadas como decorrência do quadro clínico do paciente. São classificadas como graves quando associadas ao aumento do risco de óbito, prolongamento da permanência hospitalar ou possibilidade de sequelas permanentes.

 

Condição adquirida grave e mortalidade 

Indicador

Sem condição adquirida grave

Com condição adquirida grave

Mortalidade intra hospitalar

5,6%

33,4%

Diferença observada

Referência

aprox. 6 vezes maior

 

“A diferença de mortalidade observada entre pacientes com e sem condição adquirida grave evidencia um grupo de elevada vulnerabilidade durante a hospitalização. O resultado reforça a importância das estratégias de segurança capazes de prevenir essas ocorrências, sem estabelecer, a partir desses dados, uma relação direta de causalidade com o óbito”, ressalta Breno Duarte, presidente do Grupo IAG Saúde.

 

Doenças cardiovasculares concentram grande parte das internações 

As doenças cerebrovasculares foram o grupo mais frequente, representando 25,3% das internações, seguidas pela insuficiência cardíaca (19,3%) e pela angina (15,7%). Diabetes mellitus respondeu por 10,4% dos casos, doenças pulmonares por 10,1%, epilepsias por 8,3%, asma por 7,7% e hipertensão por 3,1%. 

A população hospitalizada tinha idade média próxima de 60 anos, com predomínio de pessoas com 60 anos ou mais. A assistência foi predominantemente clínica. 

“Quando uma condição sensível à atenção primária resulta em hospitalização, o olhar para a segurança não pode começar apenas na porta do hospital. O cuidado oportuno e contínuo das doenças não transmissíveis pode contribuir para evitar parte dessas internações e, consequentemente, reduzir a exposição dos pacientes aos riscos inerentes à hospitalização”, fala Duarte.

 

Impacto assistencial e continuidade do cuidado 

As internações analisadas tiveram permanência média de 7,4 dias, e 32,7% dos pacientes passaram pelo CTI (Centro de Terapia Intensiva). No período, foram contabilizadas mais de 6 milhões de diárias hospitalares, com custo assistencial estimado acumulado de aproximadamente R$ 12,8 bilhões. 

Além dos riscos durante a hospitalização, o levantamento considerou a continuidade do cuidado após a alta. No conjunto do período, 2,2% das internações foram posteriormente identificadas como responsáveis por uma readmissão por recaída ou complicação em 30 dias. 

“A segurança no cuidado às pessoas com DNT não termina com a alta hospitalar. A transição entre os diferentes pontos da rede e o acompanhamento contínuo são fundamentais para reduzir novas descompensações e readmissões, especialmente em condições que exigem cuidado de longo prazo”, diz o presidente do IAG.

 

Segurança que começa antes do hospital e continua após a alta 

Os resultados mostram que a segurança das pessoas com doenças não transmissíveis deve ser observada ao longo de todo o percurso assistencial. Uma hospitalização potencialmente evitável não representa apenas uma oportunidade de atuação anterior à internação: quando ela ocorre, o paciente passa também a estar exposto aos riscos inerentes à assistência hospitalar e, após a alta, permanece a necessidade de continuidade segura do cuidado. 

“A segurança do paciente com uma doença não transmissível começa antes da internação. Fortalecer o acompanhamento dessas condições, prevenir hospitalizações quando possível, oferecer uma assistência hospitalar segura quando necessária e garantir a continuidade do cuidado após a alta são partes de uma mesma trajetória. O Dia Mundial da Segurança do Paciente reforça justamente a necessidade de cuidados seguros durante toda a vida”, conclui Duarte.

 

Sobre o levantamento 

O estudo é observacional, retrospectivo e descritivo e utilizou exclusivamente dados da Plataforma DRG Brasil, referentes ao período de janeiro de 2021 a junho de 2026. Foram analisadas internações cujo diagnóstico principal correspondia a uma doença não transmissível contemplada na Lista Brasileira de Internações por Condições Sensíveis à Atenção Primária (ICSAP): diabetes mellitus, hipertensão, angina, insuficiência cardíaca, doenças cerebrovasculares, asma, doenças pulmonares e epilepsias. 

Foram avaliadas características demográficas e assistenciais, utilização de CTI, permanência hospitalar, custo assistencial estimado, mortalidade intrahospitalar, ocorrência de condições adquiridas e condições adquiridas graves e readmissões por recaída ou complicação em 30 dias.

 

Grupo IAG Saúde

 

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