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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Trocar de emprego rápido queima o currículo?

Especialista explica o que recrutadores avaliam em candidatos com passagens curtas por empresas e como responder sobre mudanças em entrevistas


Um terço dos vínculos formais de trabalho no Brasil registrou movimentação ao longo de 2025. A taxa de rotatividade do emprego formal foi de 33,64%, segundo o Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego. Entre os mais jovens, a movimentação é ainda maior: dados da pasta mostram que uma parcela significativa não completa um ano na mesma vaga. Em um mercado com essa dinâmica, mudar de empresa em intervalos curtos está longe de ser uma exceção, mas ainda pode gerar questionamentos em processos seletivos. 

Para Virgilio Marques dos Santos, sócio-fundador da FM2S (startup de Educação e Consultoria sediada no Parque Científico e Tecnológico da Unicamp) e PhD pela Unicamp, o risco está em transformar a duração de um vínculo em um critério automático de seleção. Segundo ele, eliminar um candidato apenas por ter trabalhado em diferentes empresas em períodos relativamente curtos pode fazer o recrutador ignorar informações mais relevantes, como resultados, responsabilidades assumidas e contexto das mudanças. 

"O tempo de permanência mostra quanto tempo a pessoa ficou, mas não o que ela fez enquanto esteve lá. Se alguém passou por três empresas em cinco anos, por exemplo, a pergunta mais importante é o que essa pessoa entregou em cada uma dessas experiências e por que decidiu sair", afirma.

 

Como abordar uma mudança na entrevista

Uma das situações em que o histórico profissional pode ser questionado é a entrevista. Para Santos, o candidato deve estar preparado para falar sobre suas decisões de forma objetiva, sem transformar a conversa em uma crítica ao antigo empregador ou aos gestores. 

"Eu recomendo uma estrutura simples: primeiro, explique o fato; depois, mostre o que aprendeu com aquela experiência; por fim, explique por que a próxima oportunidade faz sentido para você. Em cerca de 30 segundos, você consegue responder sem se justificar demais", explica. 

Uma reestruturação, por exemplo, pode ser apresentada de forma direta: "A área foi reestruturada e o projeto que eu tocava encerrou". Em seguida, o profissional pode mencionar o aprendizado obtido e relacioná-lo à posição que está buscando. 

"O recrutador precisa entender o que aconteceu, mas também quer saber se você consegue tirar algum aprendizado da experiência e o que procura na próxima etapa. A entrevista não é o lugar para contar a história do conflito", diz. 

Santos também recomenda que o candidato não tente esconder períodos breves em uma empresa. O que pode pesar negativamente é não conseguir contextualizar as decisões ou não ter resultados concretos para apresentar. 

"Se você consegue explicar cada saída com critério e mostrar o que construiu em cada passagem, três empregos em cinco anos contam uma história muito diferente de três empregos em cinco anos sem nenhuma entrega para apresentar. A questão não é apenas quanto tempo você ficou, mas o que fez com esse tempo", afirma Santos.

Para o especialista, a discussão sobre mudanças frequentes de emprego passa, portanto, por uma avaliação mais ampla do profissional. "Em vez de olhar apenas para a duração dos vínculos, recrutadores podem considerar o contexto de cada decisão, as responsabilidades assumidas e os resultados alcançados. Para quem está buscando uma nova oportunidade, ter clareza sobre esses elementos também ajuda a transformar uma possível objeção em uma conversa sobre escolhas e desenvolvimento profissional", finaliza. 

 

Virgilio Marques dos Santos - PhD em Engenharia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Master Black Belt em Lean Seis Sigma e sócio-fundador da FM2S Educação e Consultoria, startup sediada no Parque Científico e Tecnológico da Unicamp. Trabalha há 15 anos com desenvolvimento de carreiras, futuro do trabalho e transformação organizacional. É autor do livro "Partiu Carreira", TEDx Speaker e palestrante em temas de gestão, inovação e liderança.


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