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terça-feira, 1 de setembro de 2026

Saúde Masculina e HPV: maioria dos casos de câncer de orofaringe afeta homens e reforça alerta para a prevenção

Classificada pelo INCA entre as mais frequentes no público masculino no Brasil, neoplasia de orofaringe exige atenção para a imunização contra o HPV e o autocuidado

 

A menor frequência em consultas preventivas é um dos principais desafios na promoção da saúde masculina, cenário que reforça um alerta sobre o impacto do Papilomavírus Humano (HPV) entre os homens. 

Longe de ser um problema restrito a mulheres, o vírus também pode estar associado ao desenvolvimento do câncer de orofaringe, que atinge regiões como as amígdalas, a base da língua e a garganta. No Brasil, dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que os tumores de cavidade oral e orofaringe figuram entre os mais incidentes na população masculina, com mais de 70% dos diagnósticos concentrados nesse público.

Especialistas destacam que a alta prevalência entre os homens no país decorre de uma combinação de fatores de risco, como o consumo de tabaco e bebidas alcoólicas, somados à infecção persistente por sorotipos oncogênicos do HPV. Essa predominância reflete uma tendência observada também em levantamentos internacionais, a exemplo de análises baseadas no registro norte-americano Surveillance, Epidemiology, and End Results (SEER) e publicadas no periódico JAMA Network Open, que acompanham o crescimento da doença em homens ao longo das últimas décadas. 

Nos Estados Unidos, o câncer de orofaringe já se tornou a neoplasia associada ao HPV mais comum, superando o câncer do colo do útero. Embora a realidade epidemiológica norte-americana não possa ser transposta diretamente para o contexto brasileiro, o cenário reforça a urgência de ampliar as discussões sobre saúde do homem no Brasil, com atenção à vacinação e à identificação de sintomas persistentes.

Diferentemente do que ocorre com o câncer do colo do útero, que conta com estratégias de rastreamento específicas, não há, atualmente, testes ou programas de rastreamento populacional recomendados para detectar o HPV na cavidade oral ou na garganta. Por isso, a vacinação e a atenção a sintomas persistentes são medidas essenciais de prevenção e cuidado. 

“O HPV não deve ser tratado como um tema exclusivamente feminino. Embora muitas infecções desapareçam espontaneamente, a persistência de tipos de alto risco pode contribuir para o desenvolvimento de diversos tipos de neoplasias, como em pênis, ânus, e, mais comumente, na região da orofaringe.” destaca Dra. Laísa Silva, oncologista do CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”.

A especialista orienta que sejam observados sinais como dor de garganta persistente por mais de 15 dias, dificuldade ou dor para engolir, rouquidão contínua, dor de ouvido sem causa aparente e, principalmente, a presença de nódulos ou caroços palpáveis no pescoço, conhecidos como linfonodomegalia. 

“Esses sintomas não significam necessariamente a presença de um câncer, mas, quando persistem, não devem ser ignorados. A avaliação médica é importante para identificar a causa e iniciar o cuidado adequado o quanto antes”, enfatiza a especialista.
 

A importância da vacinação

A vacinação contra o HPV é uma das principais estratégias de prevenção e deve ocorrer preferencialmente na infância e na adolescência, antes do início da vida sexual. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente a vacina quadrivalente em dose única para meninas e meninos de 9 a 14 anos.

Também existem esquemas diferenciados para grupos prioritários, como pessoas imunossuprimidas, pessoas vivendo com HIV, transplantados, pacientes oncológicos, vítimas de violência sexual, usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) e pessoas com papilomatose respiratória recorrente. A indicação e o número de doses variam conforme a idade e a condição clínica.

“A vacinação na adolescência oferece uma oportunidade importante de proteção antes da exposição ao vírus. Por isso, é fundamental que pais e responsáveis mantenham a caderneta vacinal atualizada e que o tema seja tratado como parte da rotina de cuidados de meninos e meninas”, conclui a oncologista.


CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial


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