Garantias, lastro e alinhamento estratégico ajudam gestores a tomar decisões mais seguras sobre Certificados de Recebíveis Imobiliários
À medida que o mercado imobiliário
amplia o uso do mercado de capitais como fonte de financiamento, cresce também
o interesse por Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI). Com a
diversificação das estratégias de investimento e o aumento do interesse por
ativos ligados ao mercado imobiliário, esses títulos passaram a ocupar espaço
nas carteiras de investidores institucionais e empresas que buscam alternativas
de renda fixa. Antes de direcionar recursos para esse tipo de ativo, porém,
especialistas recomendam uma avaliação criteriosa dos riscos, da estrutura da
operação e da qualidade dos créditos envolvidos.
Embora os CRIs sejam reconhecidos pelo
potencial de retorno, sua estrutura exige conhecimento técnico e análise
aprofundada, especialmente quando a decisão envolve recursos
corporativos.
Qualidade do lastro, capacidade
financeira dos devedores, garantias oferecidas e estrutura de pagamento dos
títulos estão entre os principais pontos de atenção. "Antes de analisar a
taxa, é preciso entender a qualidade da operação que sustenta aquele ativo;
o CRI é um instrumento sofisticado, que pode agregar valor à estratégia
financeira de uma empresa, mas exige uma análise criteriosa dos riscos
envolvidos. A rentabilidade, sozinha, não deve ser o fator determinante na
decisão", afirma Leonardo Gasparin, CEO e Cofundador da CUB, plataforma de
governança para o fluxo de recebíveis no mercado imobiliário.
Para orientar essa análise, elencamos
cinco perguntas que todo gestor deve responder antes de investir em um
CRI:
1. Quem está por trás da operação?
O primeiro passo é identificar quais empresas participam da
estrutura do CRI. Além da securitizadora responsável pela emissão, é importante
avaliar o histórico da incorporadora, construtora ou empresa originadora dos
recebíveis. A credibilidade dos envolvidos e o desempenho em operações
anteriores ajudam a reduzir riscos.
2. Qual é a qualidade dos recebíveis que lastreiam o título?
Nem todos os CRIs apresentam o mesmo nível de segurança. É
fundamental compreender de onde vêm os créditos que dão sustentação ao
investimento, qual o perfil dos devedores, o índice de inadimplência e a
capacidade de geração de caixa da operação. Segundo auditorias realizadas pela
CUB, estima-se que ao menos 20% dos contratos do setor apresentem divergências
entre o que foi pactuado, o que consta no ERP da incorporadora e o que
efetivamente foi pago — inconsistências que só aparecem quando alguém audita a
operação ponta a ponta, e que podem comprometer diretamente a qualidade do
lastro que sustenta o CRI.
Caso o ativo ainda não esteja
performado (obras concluídas), é fundamental uma diligência dos custos de obra
a realizar esteja e uma visão conservadora que garanta tais recursos em uma
conta escrow.
3. Quais garantias protegem o investidor?
Garantias como alienação fiduciária de imóveis, fundos de
reserva, fianças ou mecanismos adicionais de proteção (como alienação das
quotas da SPE, se possível) fazem diferença em situações de inadimplência.
Quanto mais robusta for a estrutura de garantias, maior tende a ser a segurança
do investimento.
4. O retorno oferecido é compatível com o risco assumido?
Rentabilidades acima da média normalmente refletem maior
exposição ao risco. Antes de investir, o gestor deve analisar se o prêmio
oferecido compensa fatores como liquidez reduzida, prazo de vencimento e
possibilidade de eventos de crédito.
5. O investimento faz sentido para a estratégia da empresa?
Mais do que avaliar um ativo isoladamente, é importante
verificar se o CRI está alinhado aos objetivos financeiros da organização, ao
horizonte de investimento e às necessidades de fluxo de caixa. Diversificação e
compatibilidade com a política de investimentos continuam sendo fatores
essenciais para decisões sustentáveis.
Com a crescente sofisticação do mercado
de capitais e a ampliação do acesso a instrumentos financeiros ligados ao setor
imobiliário, especialistas defendem que decisões de investimento devem ser
sustentadas por análises técnicas e gestão de riscos.
Para Gasparin, compreender a estrutura
dos ativos imobiliários é um passo indispensável para transformar oportunidades
em investimentos mais seguros e consistentes. “Quanto maior a transparência
sobre a origem dos recebíveis e a estrutura da operação, maior tende a ser a
capacidade de avaliar corretamente o risco do investimento ",
finaliza.
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