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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Garantia pode baratear crédit

 

Com endividamento das famílias elevado, economista alerta que escolha do tipo de empréstimo pode ser tão importante quanto conseguir a aprovação

 

Conseguir crédito não significa necessariamente fazer um bom negócio. Em um cenário de endividamento elevado das famílias e juros ainda altos, comparar modalidades, prazos, custo efetivo total e a possibilidade de oferecer um patrimônio como garantia pode representar uma diferença importante no custo final de um empréstimo.

Dados do Banco Central ajudam a dimensionar o problema. Em janeiro de 2026, a taxa média das novas operações de crédito livre para pessoas físicas chegou a 61% ao ano, alta de 6,7 pontos percentuais em 12 meses. O próprio BC também apontou, em seu Relatório de Política Monetária de junho, que o endividamento e o comprometimento da renda das famílias permaneciam elevados e que as variações de juros haviam sido maiores nas modalidades sem garantia.

Para o economista Noé Santiago, da ANIDEA, esse cenário exige uma mudança na pergunta feita pelo consumidor antes de contratar. “Não é apenas: ‘eu consigo esse crédito?’. A pergunta também deveria ser: ‘qual é a melhor forma de conseguir esse crédito?’. Dependendo da situação, utilizar um patrimônio como garantia pode abrir outras possibilidades que precisam ser comparadas antes da decisão”, explica.

A diferença está na estrutura da operação. Em modalidades com garantia, um imóvel ou outro bem é vinculado ao contrato, o que pode alterar as condições oferecidas pela instituição financeira. Isso não significa, entretanto, que uma modalidade seja automaticamente a melhor escolha para todos. Taxas, prazo, valor liberado, custo efetivo total e, principalmente, a capacidade de pagamento precisam ser avaliados individualmente. O próprio Banco Central mantém séries estatísticas distintas para operações de crédito pessoal não consignado com e sem garantias reais.

Uma das alternativas mais conhecidas é o Home Equity, modalidade na qual um imóvel é utilizado como garantia da operação. Agora, a Anidea amplia seu portfólio e passa a trabalhar também com empréstimos com garantia de automóvel, oferecendo uma segunda possibilidade para clientes que possuem patrimônio e procuram avaliar diferentes formas de acesso ao crédito.

Segundo Santiago, a ampliação não significa que todo consumidor que possui imóvel ou veículo deva necessariamente oferecê-lo como garantia. “Crédito precisa fazer sentido para a realidade de quem está contratando. O primeiro passo é entender para que o dinheiro será utilizado, quanto a pessoa precisa, qual parcela cabe no orçamento e depois comparar as alternativas disponíveis. A garantia é uma possibilidade dentro dessa análise”, afirma.

A atenção ao custo ganhou ainda mais importância nos últimos anos. Em dezembro de 2025, por exemplo, o crédito livre destinado às famílias registrava taxa média de 60,1% ao ano, sete pontos percentuais acima da registrada um ano antes. Entre as modalidades que contribuíram para esse movimento estavam o crédito pessoal não consignado e diferentes operações com cartão de crédito.

Para Santiago, o consumidor deve evitar escolher um empréstimo apenas pela facilidade ou velocidade da liberação. “Antes de contratar qualquer crédito, é importante comparar. Às vezes, a solução mais fácil de acessar não é necessariamente a mais adequada para aquela pessoa. Quando existem patrimônio e outras possibilidades de estruturação da operação, vale conhecer os cenários antes de tomar a decisão”, conclui.

 


ANIDEA

Noé Santiago - Economista
@anidea.br
noe.santiago@anidea.com.br
anidea.com.br
Mal. Deodoro, 51, Sala 205B, Centro, Curitiba/PR.


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