Com endividamento das famílias elevado, economista alerta que escolha do tipo de empréstimo pode ser tão importante quanto conseguir a aprovação
Conseguir crédito não significa necessariamente
fazer um bom negócio. Em um cenário de endividamento elevado das famílias e
juros ainda altos, comparar modalidades, prazos, custo efetivo total e a
possibilidade de oferecer um patrimônio como garantia pode representar uma
diferença importante no custo final de um empréstimo.
Dados do Banco Central ajudam a dimensionar o
problema. Em janeiro de 2026, a taxa média das novas operações de crédito livre
para pessoas físicas chegou a 61% ao ano, alta de 6,7 pontos percentuais em 12
meses. O próprio BC também apontou, em seu Relatório de Política Monetária de
junho, que o endividamento e o comprometimento da renda das famílias
permaneciam elevados e que as variações de juros haviam sido maiores nas
modalidades sem garantia.
Para o economista Noé Santiago, da ANIDEA, esse cenário exige uma mudança na pergunta feita
pelo consumidor antes de contratar. “Não é apenas: ‘eu consigo esse crédito?’.
A pergunta também deveria ser: ‘qual é a melhor forma de conseguir esse
crédito?’. Dependendo da situação, utilizar um patrimônio como garantia pode
abrir outras possibilidades que precisam ser comparadas antes da decisão”,
explica.
A diferença está na estrutura da operação. Em
modalidades com garantia, um imóvel ou outro bem é vinculado ao contrato, o que
pode alterar as condições oferecidas pela instituição financeira. Isso não
significa, entretanto, que uma modalidade seja automaticamente a melhor escolha
para todos. Taxas, prazo, valor liberado, custo efetivo total e,
principalmente, a capacidade de pagamento precisam ser avaliados
individualmente. O próprio Banco Central mantém séries estatísticas distintas
para operações de crédito pessoal não consignado com e sem garantias reais.
Uma das alternativas mais conhecidas é o Home
Equity, modalidade na qual um imóvel é utilizado como garantia da operação.
Agora, a Anidea amplia seu portfólio e passa a trabalhar também com empréstimos
com garantia de automóvel, oferecendo uma segunda possibilidade para clientes
que possuem patrimônio e procuram avaliar diferentes formas de acesso ao
crédito.
Segundo Santiago, a ampliação não significa que
todo consumidor que possui imóvel ou veículo deva necessariamente oferecê-lo
como garantia. “Crédito precisa fazer sentido para a realidade de quem está
contratando. O primeiro passo é entender para que o dinheiro será utilizado,
quanto a pessoa precisa, qual parcela cabe no orçamento e depois comparar as
alternativas disponíveis. A garantia é uma possibilidade dentro dessa análise”,
afirma.
A atenção ao custo ganhou ainda mais importância
nos últimos anos. Em dezembro de 2025, por exemplo, o crédito livre destinado
às famílias registrava taxa média de 60,1% ao ano, sete pontos percentuais
acima da registrada um ano antes. Entre as modalidades que contribuíram para
esse movimento estavam o crédito pessoal não consignado e diferentes operações
com cartão de crédito.
Para Santiago, o consumidor deve evitar escolher um
empréstimo apenas pela facilidade ou velocidade da liberação. “Antes de
contratar qualquer crédito, é importante comparar. Às vezes, a solução mais
fácil de acessar não é necessariamente a mais adequada para aquela pessoa.
Quando existem patrimônio e outras possibilidades de estruturação da operação,
vale conhecer os cenários antes de tomar a decisão”, conclui.
ANIDEA
Noé Santiago - Economista
@anidea.br
noe.santiago@anidea.com.br
anidea.com.br
Mal. Deodoro, 51, Sala 205B, Centro, Curitiba/PR.

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