Longos períodos em pé, alta exposição
ao sol e calor intenso podem provocar sérios impactos à saúde. A Sociedade
Brasileira de Medicina de Família e Comunidade orienta cuidados simples para
curtir a folia com mais segurança
A maioria das cidades brasileiras, especialmente as
capitais, conta com extensas agendas de blocos de carnaval que começam a ocupar
as ruas semanas antes da maior festa popular do país. Milhões de pessoas
participam da folia em busca de alegria e diversão. Para que nada atrapalhe
esse momento, alguns cuidados básicos são fundamentais. A Sociedade Brasileira de
Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) destaca orientações práticas para
evitar problemas de saúde a curto, médio e longo prazos, permitindo que os
foliões aproveitem os dias de festa com mais tranquilidade.
“Um fator que deve ser levado em conta são as muitas horas de exposição ao sol. Fevereiro costuma ser um mês muito quente e ainda temos enfrentado ondas repentinas de calor. Proteger a pele e manter a hidratação, consumindo ou não bebidas alcoólicas, é essencial para acordar no dia seguinte pronto para mais um dia de folia”, explica Luisa Chaves, médica de família e comunidade, membra do Conselho Diretor da SBMFC.
5 dicas para proteger a saúde durante os blocos de carnaval
1.
Fantasie-se, mas invista em proteção solar
O carnaval é sinônimo de criatividade. Fantasias tradicionais ou
inusitadas fazem parte da festa, mas, independentemente da escolha, a proteção
solar não pode ser esquecida. Quanto mais exposta a pele, maior deve ser o
cuidado com o uso e a reaplicação do filtro solar.
Luisa reforça que queimaduras solares não causam apenas dor local.
Dependendo da gravidade, podem provocar febre, dor de cabeça, tontura e
mal-estar geral. “A insolação não pode ser ignorada. Mesmo em locais com sombra
ou com o uso de roupas com proteção, as altas temperaturas afetam diretamente o
organismo. Por isso, evite roupas muito pesadas”, alerta.
2.
Beba muita água e fique atento à procedência
Além de manter o corpo hidratado, a água ajuda o organismo a
enfrentar longas horas em pé. Uma boa hidratação previne sintomas como dor de
cabeça e cãibras que podem acabar com a folia, provocando até desmaios.
Mesmo levando sua própria garrafa, pode ser necessário comprar água
durante o percurso. Nesse caso, é importante verificar a procedência e ter
cuidado com o uso de gelo em bebidas. A ingestão de água contaminada pode
causar intoxicação, com sintomas gastrointestinais que podem interromper o
carnaval.
3.
Cuide bem dos pés
Os pés são os grandes protagonistas da folia. Eles sustentam o
corpo por horas seguidas, muitas vezes em percursos longos e irregulares. Como
os blocos não fazem parte da rotina diária da maioria das pessoas, o esforço
excessivo pode causar dores, bolhas e lesões.
A recomendação é optar por calçados confortáveis, evitar saltos e
escolher modelos que ofereçam mais estabilidade, de preferência os fechados.
Levar curativos adesivos pode ajudar a evitar que pequenos machucados se tornem
um problema maior.
“Assim que chegar em casa ou no local onde estiver hospedado,
retire os calçados e deixe-os arejar, especialmente se estiverem molhados. O
repouso e uma boa noite de sono também ajudam na recuperação para o dia
seguinte”, orienta Luisa, que também é Mestre em Educação pela Universidade
Federal de São João Del Rei (UFSJ), Professora da Graduação e Coordenadora do
Programa de Residência de Medicina de Família e Comunidade da mesma
universidade.
4.
Atenção ao álcool e outras substâncias
No Carnaval, é comum que as pessoas misturem bebidas e outras substâncias psicoativas, inclusive em uso dos seus medicamentos de uso habitual. Isso pode ser um risco, pois algumas combinações podem potencializar efeitos indesejados, aumentar a chance de desidratação, confusão, queda, arritmias e até intoxicações mais graves.
Além disso, existem remédios sensíveis a mudanças de hidratação e
ao uso de álcool (como o lítio), cujo nível no sangue pode variar quando a
pessoa bebe menos água ou ingere álcool, aumentando o risco de efeitos
colaterais. “Para reduzir riscos, se for beber ou usar alguma substância,
atenção às quantidades, evite associações, respeite seus limites e, se usar
medicação, redobre a atenção. Não deixe de conversar sobre o assunto com o seu
médico de confiança para receber orientações para o seu caso", orienta a
médica de família e comunidade.
5.
Alimente-se antes, durante e depois da festa
Nada de dietas restritivas para caber na fantasia. Durante o
carnaval, o corpo precisa de energia para acompanhar o ritmo intenso da folia,
que muitas vezes envolve longas caminhadas. A orientação é realizar refeições
equilibradas, com boas fontes de carboidratos e proteínas, antes de sair para
os blocos. Durante a festa, evite longos períodos em jejum. Caso precise se
alimentar na rua, observe as condições de higiene e evite alimentos que
dependam de refrigeração, como molhos e ingredientes sensíveis ao calor.
Para aproveitar o carnaval com segurança e disposição até o último
bloco, a atenção ao próprio corpo é fundamental. Pequenas atitudes, como manter
a hidratação, alimentar-se adequadamente, proteger-se do sol e respeitar os
limites do organismo, fazem toda a diferença para evitar problemas de saúde e
garantir uma experiência mais tranquila. Com informação e cuidado, é possível
curtir a folia, preservar o bem-estar e ainda chegar ao pós-carnaval com
energia para retomar a rotina.
Sobre a Medicina de Família e Comunidade
A Medicina de Família e Comunidade é uma especialidade médica,
assim como a cardiologia, neurologia e ginecologia, entre outras. O médico/a de
família e comunidade (MFC) é o especialista em cuidar das pessoas, da família e
da comunidade no contexto da atenção primária à saúde. Ele acompanha as pessoas
ao longo da vida, independentemente do gênero, idade ou possível doença,
integrando ações de promoção, prevenção e recuperação da saúde. Esse
profissional atua próximo aos pacientes antes mesmo do surgimento de uma
doença, realizando diagnósticos precoces e os poupando de intervenções
excessivas ou desnecessárias.
O MFC é um clínico e comunicador habilidoso, pois utiliza
abordagem centrada na pessoa e é capaz de resolver pelo menos 90% dos problemas
de saúde, manejar sintomas inespecíficos e realizar ações preventivas. É um
coordenador do cuidado, trabalha em equipe e em rede, advoga em prol da saúde
dos seus pacientes e da comunidade.
SBMFC - Sociedade Brasileira de Medicina de Família e
Comunidade
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