A pré-adolescência chega como um marco silencioso,
e transformador, dentro de casa. Para quem é mãe de gêmeas, esse período pode
trazer camadas extras de desafios, dúvidas e, principalmente, culpa. Culpa por
não conseguir atender às duas da mesma forma. Culpa por perceber diferenças
emocionais. Culpa por se perguntar, em silêncio, se está fazendo o suficiente.
“Sou mãe de gêmeas e falo desse lugar real, vivido.
A ideia de que gêmeas deveriam crescer de forma igual, sentir as mesmas coisas
e reagir do mesmo jeito ainda é muito presente. Mas a pré-adolescência
escancara uma verdade essencial: elas compartilham o nascimento, não o processo
emocional. Cada filha vive esse momento a partir de sua própria identidade,
ritmo e sensibilidade.” explica Núria Santos, mãe gemelar e especialista em
inteligência emocional.
É comum que uma demonstre mais autonomia enquanto a
outra ainda precise de colo. Que uma queira se diferenciar e a outra busque
pertencimento. Essas diferenças, longe de serem um problema, são sinais
saudáveis de construção de identidade. “O desafio para nós, mães, é não
transformar essas diferenças em comparação, e muito menos em culpa.”, ressalta
Núria.
Criar filhos não é aplicar uma fórmula perfeita. É
educar com base naquilo que somos, na história que carregamos, nos valores que
recebemos, nas tradições do nosso país e nos aprendizados que a vida adulta nos
trouxe. Não existe maternidade neutra ou isenta de emoção. Existe maternidade
consciente.
Na pré-adolescência, o foco não deve ser evitar
conflitos entre irmãs, eles fazem parte do crescimento. O verdadeiro trabalho
está em ensinar ferramentas emocionais: ajudar a nomear sentimentos, respeitar
limites, lidar com frustrações e entender que amar não significa ser igual.
Tratar gêmeas como um bloco único pode parecer mais simples, mas tende a gerar
insegurança e silenciamento emocional.
“Aprendi, ao longo desse caminho, que criar
momentos individuais com cada filha faz toda a diferença. Não é sobre dividir o
amor, mas aprofundar a presença. Também aprendi a observar minhas palavras. Comparações,
mesmo sutis, têm peso. Aquilo que para um adulto parece incentivo, para uma
pré-adolescente pode se transformar em uma ferida difícil de nomear.”, relata
Núria Santos.
Às mães de gêmeas, fica um recado direto: não se
trata de falha, mas de esforço real dentro das condições possíveis. A
maternidade acontece a partir do repertório emocional, dos recursos disponíveis
e do estágio de maturidade de cada mulher naquele momento. Crianças não
precisam de mães idealizadas, e sim de presença, humanidade e abertura para o
aprendizado contínuo.
Na intersecção entre maternidade e vida
profissional, especialmente no empreendedorismo e na liderança, a percepção é
semelhante. Nem todos os processos são controláveis, nos negócios ou na criação
dos filhos. Há dias em que o avanço acontece mais pela confiança do que pela
execução plena. A crença de que limites também fazem parte do cuidado amplia a
forma de liderar, comunicar e maternar, tornando essas experiências mais conscientes
e sustentáveis.
“Criar gêmeas na pré-adolescência é um exercício diário
de escuta, consciência e fé. É entender que formar caráter não passa pela
perfeição, mas pela presença. E que amar profundamente não é tratar igual, é
respeitar quem cada filha é, e quem ainda está se tornando.”, exalta Núria
Santos, mãe gemelar e especialista em comportamento familiar.
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