Falta de avaliação
médica e pressa por resultados podem comprometer articulações e sobrecarregar
coração
Antes do início das atividades físicas, a avaliação médica
é fundamental para identificar fatores de risco ocultos
Envato
Sair do sedentarismo é uma decisão vital, e o
início do novo ano costuma trazer um impulso extra para quem quer começar a se
movimentar mais. Estudos mostram que pessoas fisicamente ativas vivem mais, e
qualquer nível de movimento já contribui para reduzir os riscos
cardiovasculares.
No entanto, o início da prática esportiva traz um
alerta que vai além da simples vontade de suar a camisa — a transição abrupta
do repouso para o esforço físico, sem o preparo adequado, pode elevar
significativamente a incidência de problemas cardiovasculares e ortopédicos.
Embora o exercício seja um dos principais aliados da longevidade, quando
realizado sem critério, pode transformar uma iniciativa de saúde em um novo
problema médico.
Avaliação do risco e saúde do
coração
A relação entre sedentarismo e riscos no início da
atividade física exige cautela. De acordo com o cardiologista dos hospitais São
Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, Gustavo Lenci Marques, a avaliação
médica é fundamental para identificar fatores de risco ocultos. Caminhadas leves
costumam ser incentivadas sem grandes restrições, mas exercícios mais intensos
ou de caráter competitivo exigem um check-up prévio. “Se for praticar uma
atividade física regular e mais pesada, é importante fazer essa avaliação para detectar
se não há nenhuma condição silenciosa, especialmente quando a pessoa não está
muito ativa”, alerta.
O cuidado deve ser redobrado em pessoas com
histórico familiar de doenças cardíacas, principalmente com casos de morte
súbita, já que condições genéticas podem se manifestar durante o esforço.
Impacto nas articulações e nos
músculos
Um dos maiores desafios para quem retoma as
atividades é a fragilidade da estrutura muscular. Distensões, estiramentos e
lombalgias aparecem com frequência quando não há orientação adequada. Segundo o
ortopedista do Hospital Universitário Cajuru, Eduardo Novak, isso ocorre porque
o corpo é submetido, de forma repentina, a um esforço para o qual não estava
preparado. “O sistema muscular funciona como a suspensão de um carro: assim
como os amortecedores protegem o veículo, os músculos protegem as articulações.
Em pessoas sedentárias, essa musculatura está enfraquecida e, ao segurar uma
carga, o centro de gravidade muda, o que pode sobrecarregar o sistema
osteoarticular”, detalha.
Sinais de alerta e como se
prevenir
Durante a prática, o corpo emite sinais claros que
não devem ser ignorados. Do ponto de vista cardiovascular, dor no peito e falta
de ar indicam que a atividade deve ser interrompida imediatamente. “O principal
ponto é conhecer o próprio limite. Por isso, é fundamental estar com os exames
em dia e seguir um plano de treino personalizado, adequado ao biotipo”, orienta
o cardiologista.
Já na parte ortopédica, a prevenção começa com o
aquecimento adequado. Para reduzir o risco de lesões, a recomendação é iniciar
com cargas leves e avançar gradualmente, respeitando o tempo de adaptação do
corpo. O aquecimento prepara as articulações e “calibra” os músculos, enquanto
a orientação profissional adapta o exercício às necessidades do indivíduo. “Resultados
positivos rápidos não existem. A pressa pode transformar um sedentário em um
sedentário lesionado”, finaliza Novak.
Hospital São Marcelino
Champagnat
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