Material gratuíto reúne sinais de alerta, orientações práticas e caminhos para apoiar educadores na prevenção do agravamento do sofrimento psíquico
Em um contexto em que muitos jovens não chegam espontaneamente aos
serviços de saúde, mas estão diariamente nas salas de aula, o instituto de
pesquisa em saúde mental, Vita Alere lança a cartilha digital “Saúde
Mental de Adolescentes para Educadores”, voltada a
professores, coordenadores pedagógicos, orientadores educacionais, gestores
escolares e demais profissionais da educação de escolas públicas e privadas de
todo o país.
O material, que poderá ser baixado gratuitamente no site do mapa saúde mental, foi desenvolvido
por uma equipe multidisciplinar. “Essa cartilha faz parte da estratégia do
Vita Alere de democratizar e ampliar o acesso a conteúdos sobre saúde mental,
confiáveis e baseados em evidências para todos, e neste caso, profissionais de
educação, sem exercer uma função terapêutica”, explica Karen
Scavacini, doutora em psicologia pela USP, fundadora do Instituto Vita Alere e
coordenadora do conteúdo.
Essa é a terceira cartilha lançada pelo Instituto, que no ano
passado distribuiu materiais sobre “Saúde Mental para Crianças” e “Saúde Mental
nas Empresas”. Foram quase dois mil, sendo mais de 1.300 só do guia voltado ao
ambiente corporativo.
O
que observar: sinais de sofrimento emocional no cotidiano escolar
A cartilha orienta educadores a reconhecerem mudanças
que, quando persistentes ou combinadas, podem indicar sofrimento emocional,
como:
- alterações bruscas de humor, irritabilidade ou apatia;
- isolamento social e afastamento de colegas;
- queda repentina no rendimento escolar ou abandono de
atividades;
- mudanças no sono, na alimentação ou no autocuidado;
- falas recorrentes sobre desesperança, morte ou desejo de desaparecer;
- comportamentos de risco, incluindo autolesão.
Como
agir, e até onde vai o papel da escola?“É importante entender quais são os
limites éticos e técnicos da atuação dos educadores, destacando que professores
não devem realizar diagnósticos nem guardar segredos em situações de risco”, explica Karen. Entretando, a
especialista afirma que esses profissionais têm um papel central na promoção de
ambientes emocionalmente seguros, na mediação de conflitos, no enfrentamento do
bullying, da discriminação e da violência, e no encaminhamento adequado aos
serviços de saúde e assistência.
Entre os caminhos de apoio indicados estão as Unidades
Básicas de Saúde (UBS), os Centros de Atenção
Psicossocial (CAPSi), que podem ser acessados através do
mapa saude mental, além dos números dos serviços de emergência e organizações
que possuem canais digitais especializados em saúde mental e
prevenção do suicídio.
Para Karen, a escola ocupa uma posição
estratégica na prevenção do suicídio entre crianças e adolescentes. “Muitos
adolescentes não chegam aos serviços de saúde, mas chegam aos professores. A
cartilha foi criada para oferecer linguagem, sinais, limites de atuação e rotas
de cuidado, sem sobrecarregar os educadores. Uma escuta atenta, a validação do
sofrimento e um encaminhamento responsável podem mudar trajetórias e reduzir
riscos”, afirma.
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