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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Energético com álcool: combinação popular, mas com riscos silenciosos à saúde

Nutrólogo alerta que a mistura pode mascarar a embriaguez, aumentar comportamentos de risco e sobrecarregar coração, fígado e sistema nervoso, mesmo em jovens saudáveis


O consumo de bebidas alcoólicas associado a energéticos, prática comum em festas, baladas e eventos sociais, representa um risco real à saúde do ponto de vista nutricional, metabólico e cardiovascular. O alerta é do nutrólogo e docente do curso de pós-graduação em Nutrologia da Afya Educação Médica São Paulo, Rômulo Bagano, que explica que a combinação interfere diretamente na forma como o organismo percebe e reage ao álcool.
 

Enquanto o álcool atua como depressor do sistema nervoso central, os energéticos têm efeito estimulante, elevando hormônios como adrenalina e cortisol. Essa ação oposta cria uma falsa sensação de disposição e controle, mascarando os sinais clássicos da embriaguez. “A pessoa se sente mais alerta, mas continua com prejuízo motor, cognitivo e de julgamento”, explica o especialista.

Segundo Bagano, essa interação desregula o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, aumenta o estresse oxidativo e impõe sobrecarga às mitocôndrias, além de favorecer desequilíbrios eletrolíticos. O resultado é um maior risco de consumo excessivo de álcool sem que o indivíduo perceba os próprios limites.


Riscos para o coração, fígado e sistema nervoso

Os impactos da mistura não se restringem à sensação momentânea. No coração, a associação pode provocar taquicardia, arritmias e elevação aguda da pressão arterial. No fígado, há uma sobrecarga metabólica pela tentativa de processar simultaneamente álcool, cafeína e outros aditivos presentes nos energéticos. Já no sistema nervoso, o risco inclui aumento da excitabilidade, confusão mental, convulsões e comprometimento da neurotransmissão responsável pelo controle da ansiedade e da coordenação.

Embora muitas pessoas acreditem que os riscos se limitem a quem já possui doenças, o nutrólogo destaca que jovens saudáveis também estão vulneráveis, especialmente quando o consumo é frequente ou em grandes volumes. Casos de intoxicação aguda, pancreatite, hepatite alcoólica silenciosa e até morte súbita por arritmia já foram associados a esse tipo de consumo.


Sinais de alerta e orientação clínica

Palpitações, náuseas, tontura, agitação, confusão mental, dores no peito, tremores e suor excessivo são sinais de que o organismo está reagindo mal à combinação. Em situações mais graves, podem ocorrer desmaios, convulsões e alteração do nível de consciência, exigindo atendimento médico imediato.

Do ponto de vista científico, não existe uma quantidade considerada segura para associar energético e álcool. “Não há evidência que valide essa combinação como segura. Mesmo uma única lata de energético já pode alterar o limiar de intoxicação alcoólica”, reforça Bagano.


Alternativas mais seguras para manter a disposição

Para quem busca manter energia durante festas e períodos prolongados de atividade, o nutrólogo recomenda alternativas mais seguras, como alimentação equilibrada, hidratação adequada e, quando indicado, suplementação orientada por profissional de saúde. Adaptógenos, vitaminas e estratégias nutricionais ajudam a sustentar a disposição sem expor o organismo aos riscos da mistura.

A hidratação constante e uma alimentação balanceada também têm papel fundamental na redução dos efeitos do álcool, contribuindo para a proteção do fígado, evitando hipoglicemias e reduzindo a sobrecarga renal.

 

Afya
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