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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

5 dicas para evitar o reganho de peso após as canetas emagrecedoras


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Especialista explica que o fenômeno não é falha do medicamento, mas característica da obesidade e lista estratégias para reduzir o risco após a suspensão

O uso das chamadas “canetas emagrecedoras”, como ozempic e mounjaro, transformou o tratamento da obesidade nos últimos anos, ao permitir perdas de peso mais expressivas do que as obtidas apenas com mudanças no estilo de vida. Com a popularização desses medicamentos, porém, um tema ganhou destaque (muitas vezes de forma sensacionalista): o reganho de peso após a interrupção do tratamento.

Segundo o endocrinologista Dr. Ramon Marcelino, médico do Hospital Das Clínicas (HCFMUSP) e referência em medicina do estilo de vida e tratamento da obesidade, o fenômeno não deveria ser tratado como um “efeito colateral” exclusivo dessas medicações.

“O reganho de peso é inerente a qualquer processo de emagrecimento, com ou sem remédio, com ou sem cirurgia. Ele faz parte da própria biologia e do comportamento de uma doença crônica chamada obesidade”, afirma.

Um estudo recente publicado no BMJ reacendeu o debate ao mostrar a tendência ao reganho após a suspensão dos fármacos. Para o especialista, porém, o problema está menos no medicamento e mais na forma como a obesidade ainda é tratada.

“Não faz sentido encarar isso como uma falha da medicação. Trata-se de uma doença crônica sendo tratada de forma intermitente, cara e pouco acessível. Se o cuidado fosse contínuo e integrado ao longo prazo, esse impacto seria muito menor”, explica.


Doença crônica, tratamento contínuo

Assim como ocorre em condições como hipertensão ou diabetes, a obesidade exige manejo prolongado. A interrupção abrupta do tratamento pode levar a um retorno dos sintomas, no caso, o aumento do apetite e do peso corporal.

“Ninguém demoniza um anti-hipertensivo porque a pressão sobe quando ele é suspenso. Com a obesidade, ainda falta compreender que estamos lidando com uma condição crônica, multifatorial e progressiva”, ressalta Ramon.

Dados mostram que apenas cerca de 30% das pessoas com obesidade conseguem perder mais de 5% do peso corporal apenas com mudanças comportamentais intensivas, sem medicamentos. Isso reforça, segundo o médico, que “não tratar” a obesidade costuma ser mais caro e mais prejudicial à saúde do que tratá-la adequadamente.

Além disso, o especialista chama atenção para um paradoxo pouco discutido: as mesmas canetas acusadas de “causar reganho” são amplamente usadas para tratar o reganho de peso após a cirurgia bariátrica.

“Alguém realmente acredita que um paciente que reganhou peso depois da cirurgia teria ganhado menos se nunca tivesse sido operado?”, questiona.


Por que o reganho acontece?

Ao suspender a medicação, o organismo tende a reagir com aumento do apetite e redução do gasto energético, mecanismos biológicos de defesa do peso corporal. Esse efeito pode ser potencializado quando a perda de peso ocorreu basicamente pela diminuição da quantidade de comida, sem mudanças sustentáveis na qualidade da dieta e no nível de atividade física.

“A potência das medicações atuais é inédita, e isso trouxe novos desafios. O reganho não deve nos paralisar, mas nos obrigar a aprimorar estratégias e ampliar o cuidado”, afirma o endocrinologista.


5 dicas para evitar o reganho de peso

1. Converse com seu médico: Evite suspender a medicação em períodos como férias ou feriados prolongados, quando há maior exposição alimentar e menor rotina.

2. Aumente a atividade física antes do desmame: Elevar gradualmente a intensidade e a duração dos exercícios ajuda a compensar o aumento do apetite após a suspensão.

3. Priorize a qualidade da alimentação: A perda de peso não deve ocorrer apenas pela diminuição do volume de comida, mas pela melhora da qualidade da dieta, com menor densidade calórica e maior valor nutricional.

4. Faça o desmame de forma gradual: A interrupção abrupta pode provocar “fome rebote”. A redução progressiva da dose favorece melhor adaptação fisiológica e comportamental.

5. Defina um “peso de alerta”: Estabeleça um limite de peso para reavaliar a estratégia. Caso o reganho comece, isso facilita a decisão de retomar a medicação ou intensificar mudanças no estilo de vida.

Para o especialista as canetas emagrecedoras representam um avanço real no enfrentamento de uma doença historicamente negligenciada, ainda que tragam novos desafios.

“O reganho de peso não deve nos paralisar. Deve nos impulsionar a aprimorar estratégias e ampliar o cuidado”, conclui.

 

Dr. Ramon Marcelino - referência em endocrinologia e medicina do estilo de vida. Atua no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP) e integra o corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês. Em seu perfil no Instagram @dr.ramonmarcelino, compartilha conteúdos confiáveis sobre saúde, metabolismo e os avanços no tratamento da obesidade.

 

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