Pesquisar no Blog

sábado, 31 de janeiro de 2026

Janeiro Branco reacende alerta para burnout no retorno ao trabalho

 

O início do ano, marcado pela retomada da rotina profissional e pela pressão para definir e atingir novas metas, pode trazer à tona sentimentos de ansiedade, cansaço e exaustão emocional, especialmente entre trabalhadores que não conseguiram vivenciar um período real de descanso nos meses anteriores. Em meio a esse cenário, o Janeiro Branco surge como um marco simbólico para ampliar o debate sobre saúde mental no trabalho, chamando atenção para o burnout, uma síndrome cada vez mais presente no cotidiano dos profissionais brasileiros, impulsionada por metas agressivas e jornadas intensas. 

Dados da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT) indicam que cerca de 30% dos trabalhadores sofrem com quadros de esgotamento profissional. A condição está associada ao estresse crônico ocupacional e se manifesta por meio de exaustão física e mental persistente, distanciamento emocional das atividades profissionais, irritabilidade, dificuldade de concentração e sensação de ineficácia. 

Para Karen Scavacini, doutora em psicologia pela USP, especialista em saúde mental e fundadora do Instituto Vita Alere, o aumento desses quadros está diretamente ligado à forma como o trabalho é organizado e vivido no dia a dia. “O burnout não surge apenas do excesso de tarefas, mas de contextos em que há pressão constante, falta de previsibilidade, pouco espaço para diálogo e uma cultura que normaliza a exaustão como sinal de comprometimento”, afirma. 

A ampliação do debate sobre burnout no Janeiro Branco chama a atenção para os impactos do estresse crônico no ambiente profissional e abre espaço para discussões sobre prevenção, condições de trabalho e estratégias de cuidado com a saúde mental ao longo do ano.
 

Karen Scavacini - psicóloga e pesquisadora, mestre em Saúde Pública pelo Karolinska Institutet (Suécia) e doutora em Psicologia pela USP. Fundou em 2013 o Instituto Vita Alere, pioneiro em pós‑venção e saúde mental digital no Brasil. Representa o país na International Association for Suicide Prevention (IASP) e é fundadora da ABEPS. Sua atuação combina ambientes digitais, educação emocional e pesquisa aplicada em saúde mental.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados