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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Muito além da neve: lagos revelam outro lado do inverno em Bariloche


Destino argentino revela como o ciclo da natureza une montanhas brancas e navegações panorâmicas em uma única e surpreendente experiência de viagem

 

Durante o inverno, é fácil associar Bariloche apenas à neve, imaginar montanhas totalmente cobertas de gelo, estações de esqui e paisagens brancas. Mas existem outros protagonistas que transformam a experiência na Patagônia argentina e que ainda passam despercebidos por muitos visitantes: os lagos e rios. 

Espalhados entre montanhas nevadas e florestas andinas, eles revelam um lado menos comentado do destino. Enquanto a neve atrai os turistas, são as águas cristalinas do Nahuel Huapi e de outros lagos da região que proporcionam algumas das experiências mais marcantes da viagem, como navegações panorâmicas, gastronomia à beira d'água, caminhadas contemplativas e cenários onde a água pode ser observada em diferentes estados da natureza. 

O contraste ajuda a explicar o fascínio. A mesma água que cai em forma de neve sobre a Cordilheira dos Andes alimenta os lagos que moldam a paisagem patagônica. É justamente essa convivência entre neve, gelo e água que cria um cenário raro, capaz de oferecer ao visitante duas das principais atrações do inverno em uma única experiência. 

Segundo o Emprotur (Ente Misto de Promoção Turística de Bariloche), cresce a procura por atividades que vão além dos esportes de inverno. Passeios lacustres, experiências gastronômicas exclusivas e roteiros de contemplação ganham espaço entre os visitantes brasileiros, especialmente aqueles que viajam em família, casais ou grupos em busca de uma viagem mais completa. 

"Os lagos são parte essencial da identidade de Bariloche. Durante o inverno, eles oferecem uma perspectiva diferente da Patagônia, com paisagens e experiências que unem natureza, tranquilidade e exclusividade", afirma Eric Guzmán, presidente do Emprotur Bariloche.

 

Experiências sobre as águas

Entre as atividades mais procuradas está a navegação pelo Lago Nahuel Huapi, que permite conhecer diferentes pontos da região, incluindo ilhas, bosques e mirantes naturais. O passeio oferece uma visão privilegiada da Cordilheira dos Andes e das montanhas cobertas de neve. 

Entre os roteiros mais tradicionais está a excursão para a Isla Victoria e o Bosque de Arrayanes, onde os visitantes percorrem trilhas em meio a uma floresta única, conhecida pelos característicos troncos de coloração canela. Durante o inverno, o contraste entre a vegetação e as montanhas nevadas cria cenários propícios para fotos diferenciadas. 

Outra opção é o passeio para Puerto Blest e a Cascada de los Cántaros, combinado com a navegação pelo Lago Frías. O roteiro permite conhecer uma das áreas mais preservadas do Parque Nacional Nahuel Huapi, cercada por florestas andinas e águas de tonalidade esverdeada, resultado da presença de minerais provenientes dos glaciares da região. 

Para quem busca experiências menos convencionais, a exploração do Brazo Tristeza oferece uma imersão em áreas de natureza praticamente intocada. 

Já os visitantes que desejam exclusividade encontram a possibilidade de realizar passeios em veleiros privados, a experiência combina contemplação, conforto e vistas privilegiadas da paisagem patagônica.

 

Inverno além das pistas

A diversidade de experiências contribui para ampliar o tempo de permanência dos turistas na cidade. Muitos visitantes combinam dias de esqui e snowboard com passeios lacustres, circuitos gastronômicos, visitas a cervejarias artesanais e atividades de bem-estar. 

“A tendência acompanha uma mudança no perfil do viajante, que busca destinos capazes de oferecer diferentes formas de aproveitar a temporada de inverno. Em Bariloche, os lagos cumprem esse papel ao proporcionar momentos de desaceleração e contato profundo com a natureza”, confirma Guzmán. 

Com conectividade aérea recorde para a temporada de inverno, Bariloche terá voos diretos a partir de São Paulo (Guarulhos e Campinas), Belo Horizonte e Porto Alegre. A oferta inclui mais de 30 frequências semanais e aumento de operações em companhias como LATAM, Azul, GOL e Aerolíneas Argentinas, ampliando o acesso dos brasileiros ao destino. Com isso, a expectativa é que milhares de visitantes descubram que o inverno em Bariloche vai muito além da neve. Entre montanhas, lagos glaciais e bosques centenários, a cidade reafirma sua posição como um dos destinos mais completos da América do Sul.

  

Emprotur Bariloche  

 

Geolocalização no celular vira estratégia para levar consumidores de volta às lojas físicas

 Geolocalização no celular vira estratégia para levar consumidores de volta às lojas físicas 

 

Solução desenvolvida pela Ótima Digital para a rede de moda Eskala combinou imagens de coleções e segmentação por localização para ampliar o fluxo nas unidades físicas 

 

Uma mensagem na palma da mão com a coleção mais próxima, enviada no momento em que o público estava a poucos quilômetros da loja. Essa foi a iniciativa que levou a taxa de conversão da rede Eskala a 51% com ROI 18% superior aos envios de SMS utilizados anteriormente pela varejista. O resultado, obtido por meio de solução de RCS com geolocalização da Ótima Digital, aponta um caminho que o varejo físico começa a trilhar para reconquistar clientes no ambiente virtual.

O comportamento do comprador ajuda a explicar por que a aposta faz sentido. Dados da pesquisa Consumo de Moda no Brasil, da Opinion Box, mostram que 47% dos consumidores gostam de experimentar ou tocar nas roupas antes de decidir, enquanto 30% afirmam ter mais insegurança ao comprar pela internet. O desafio, portanto, é lembrar de que o espaço existe e está perto.

Foi para resolver esse problema que a Eskala, que possui 42 unidades em São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Rio de Janeiro, recorreu à Ótima Digital, referência em mensageria e automação. Antes da implementação, a comunicação era concentrada exclusivamente em SMS para anunciar novidades e promoções. Com o RCS, a estratégia ganhou imagens das peças e recursos interativos, com conteúdos direcionados a pessoas próximas aos estabelecimentos. Para mensurar os resultados com precisão, o projeto adotou um modelo de atribuição capaz de relacionar o impacto das campanhas às conversões registradas, por meio do número de telefone ou CPF previamente autorizados no cadastro.

"Hoje a tendência é mais do que alcance. As marcas querem entender quantos usuários foram impactados ou visitaram o estabelecimento, além do reflexo das ativações nas transações. O uso de segmentação por localização e ações orientadas por dados amplia essa capacidade de mensuração", afirma Marcos Guerra, especialista em experiência e conversão do Grupo Ótima Digital.

"O RCS ajudou a criar o interesse já no primeiro contato pelo celular, aproximando o público das nossas coleções. Depois, a pessoa vai até a unidade para visualizar os itens pessoalmente e decidir com segurança", destaca Ricardo Rigonatti, diretor de comercial e marketing da Eskala.

O case da varejista ilustra um movimento mais amplo no setor. Diferentemente do SMS convencional, o RCS permite o envio de conteúdos visuais, botões de interação e elementos de identidade dentro da própria mensagem - funcionalidades que, combinados à inteligência de proximidade, transformam o smartphone em uma ferramenta de atração para o varejo físico, e não apenas para o on-line.

 

Grupo Ótima Digital


A forma como você responde pode influenciar na contratação? Entenda como a IA avalia entrevistas

Tecnologia tem analisado tom de voz, pausas e estrutura das respostas para entender preparo e autenticidade dos candidatos

 

Antes, a avaliação dos candidatos para uma vaga de emprego dependia quase inteiramente da percepção humana. Agora, plataformas de IA ajudam a identificar nuances sutis, como ritmo da fala, pausas que revelam insegurança, variação de tom e até a lógica utilizada para formular cada resposta, complementando a análise feita pelo recrutador e ampliando a precisão do processo seletivo.

 

Christian Pedrosa, fundador e CEO da DigAÍ — empresa que oferece soluções de Inteligência Artificial para processos seletivos por meio de triagens via texto e áudio —, o objetivo não é “flagrar” o candidato. A prioridade é traduzir reações que, combinadas, oferecem uma leitura mais completa do profissional.

 

“Isso permite que os times de RH identifiquem candidatos com alta capacidade de adaptação, clareza emocional, coerência, resiliência e até predisposição à colaboração, competências cada vez mais valorizadas e difíceis de medir em processos tradicionais”, afirma.

 

A tecnologia utilizada nesse tipo de avaliação combina inteligência emocional computacional, data insights e análise de linguagem natural. O áudio, por exemplo, capta sinais vocais sutis, que são cruzados com modelos treinados para reconhecer padrões estatisticamente relacionados ao comportamento profissional. A DigAÍ utiliza esse conjunto de análises para ajudar empresas a identificar alinhamento cultural, clareza comunicativa e consistência nas respostas, incluindo momentos em que há descompasso entre o que o candidato diz e como diz.

 

Para quem participa dos processos seletivos, essa mudança reforça a importância da autenticidade. Respostas excessivamente decoradas, tom engessado e postura artificial, que sempre foram percebidos por recrutadores experientes, agora se tornam ainda mais evidentes para sistemas de IA.

 

Já para as empresas, a tecnologia representa a chance de reduzir vieses, qualificar decisões e entender candidatos de forma mais precisa, indo além da chamada “sensação” durante a entrevista. 

 

“A tecnologia não substitui a análise humana, mas amplia o que conseguimos enxergar. Quando cruzamos o que é dito com os padrões de comportamento, conseguimos compreender não só a resposta, mas a qualidade do raciocínio e a forma como o candidato sustenta aquilo que afirma. É uma evolução que traz transparência para o processo e decisões mais justas para todos os lados”, conclui Pedrosa.

 

DigAÍ

 

Guia do anfitrião: como preparar a casa para os jogos sem paranoia com a sujeira

Pesquisa aponta que 40% das pessoas evitam receber convidados devido ao estresse com a faxina; especialista defende que uma "casa vivida" faz parte da celebração e mostra como otimizar a limpeza

 

Com a segunda partida do Brasil marcada para esta sexta-feira (19), muitas casas voltam a se transformar em ponto de encontro para amigos e familiares. Mas, entre a organização dos petiscos e os preparativos para receber os convidados, a limpeza ainda é fonte de preocupação para muita gente. A pressão para manter a casa organizada e pronta para receber visitas é um comportamento observado em diferentes países e culturas. Um levantamento realizado no Reino Unido, por exemplo, revelou que 40% dos entrevistados evitam receber visitas devido ao estresse associado à arrumação da casa. 

Para mudar essa perspectiva, a regra de ouro é entender que uma "casa vivida" faz parte da celebração. A bagunça não deve ser encarada como um problema central, mas sim como a consequência natural de um encontro feliz. Para ajudar os anfitriões a curtirem os jogos sem estresse, Elvis Barreto, Head de Pesquisa e Desenvolvimento na Reckitt Industrial, fabricante de Veja, listou orientações práticas para lidar com a limpeza de forma inteligente. 

Confira:
 

1. O Pré-jogo: Foco no aconchego e na perfumação 

Antes dos convidados chegarem, não é necessário fazer uma faxina pesada, já que a casa acaba se sujando durante o evento. O segredo é focar na sensação de acolhimento: recolhendo o lixo, tirando os objetos espalhados do caminho e liberando espaço nos sofás. Como o olfato é um sentido que desperta as memórias, finalize a preparação passando um pano úmido com um limpador perfumado de longa duração no piso da sala e do banheiro. Isso cria imediatamente uma atmosfera de "casa limpa e preparada" para receber, sem exigir horas de esfregão.
 

2. Durante a partida: Acidentes acontecem (e está tudo bem) 

Na hora do gol ou nos momentos de tensão, é comum que a cerveja derrame na mesa, o amendoim e a pipoca caiam no chão ou o molho do petisco respingue na bancada. Para não gerar estresse, tenha sempre um limpador multiuso e um rolo de papel toalha por perto. Essas soluções permitem que você limpe a sujeira imediatamente com apenas uma borrifada, evitando que os líquidos sequem ou manchem as superfícies, garantindo que você volte rapidamente para a frente da TV.
 

3. O Apito Final: Desengordurando sem sofrimento 

Depois que os amigos vão embora, a cozinha costuma ser o cenário do caos, repleta de louças, respingos de fritura e restos de petiscos. O ideal é não deixar a sujeira acumular para o dia seguinte, pois a gordura esfria e gruda nas superfícies, dobrando o seu trabalho. Aplique um desengordurante potente no fogão, nas bancadas e na pia logo após o uso: produtos com alto poder de quebra de moléculas de gordura fazem o trabalho pesado por você, permitindo que a limpeza seja finalizada em poucos minutos.
 

4. Dica de ouro: Fuja das "misturinhas" 

Na tentativa de limpar a casa mais rápido, muitas pessoas recorrem a tutoriais da internet que misturam ingredientes como vinagre, bicarbonato, água sanitária e detergente. Além de muitas vezes inativar o poder de limpeza uns dos outros, gerando mais esforço físico, essas misturas caseiras podem liberar gases tóxicos perigosos. Confie sempre em produtos desenvolvidos em laboratório e testados para as superfícies específicas da sua casa.

 

Veja  

¹Tipo do serviço de medição (RETAIL INDEX EVOLUTION) / Período: YTD’24 – (JAN’24 ATÉ JUN’24) / Abrangência geográfica (Total Brasil) / Mercado: CP 102 – DESINFETANTES – MARCA / Canais reportados: TOTAL BRASIL INA + C&C  

²Leitura SCANNTECH - PDV’s YTD’24 (JAN’24 a AGO’24) 

Antes de usar, leia as instruções do rótulo.

Seduc-SP abre inscrições para o processo seletivo de docentes da educação técnica da rede pública estadual

 Vagas são para o cadastro de reserva, com salários no valor de R$ 5.565 para uma jornada de 40 horas semanais 

 

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) está com inscrições abertas para o processo seletivo simplificado de professores que queiram atuar na educação técnica profissional da rede pública estadual. A seleção, organizada pela FGV Conhecimento, visa criar um cadastro de reserva de docentes a serem contratados durante o ano letivo de 2027. Os candidatos podem se inscrever em até dois eixos, sendo R$ 60,00 a taxa de inscrição para cada um deles, até as 16h do dia 19 de junho de 2026, no site da banca organizadora.

O processo seletivo para a educação técnica profissional está dividido em seis eixos: Gestão e Negócios; Saúde e Meio Ambiente; Turismo, Hospitalidade e Lazer; Informação e Comunicação; Recursos Naturais; e Controle e Processos Industriais.

Serão quatro etapas: prova objetiva, contendo 30 questões de múltipla escolha; prova discursiva, com uma questão dissertativa a ser respondida em até 20 linhas, sendo ambas de caráter eliminatório e aplicadas no mesmo dia; prova prática, que consistirá na gravação de uma videoaula pelo próprio candidato, com duração de 5 a 7 minutos, cujos critérios de correção serão clareza da explicação, uso de exemplos e antecipação de dúvidas dos alunos; e avaliação de títulos, que considerará a formação acadêmica complementar e a experiência profissional na área, sendo as duas últimas etapas de caráter exclusivamente classificatório.

Acesse o edital completo e o link para a página de inscrição podem ser acessados em Link, que traz também mais informações sobre o processo seletivo.


Na era da IA, o diferencial será humano

Freepik

Transformações tecnológicas sempre alteraram a forma como trabalhamos. A diferença é que, desta vez, estamos diante de sistemas capazes de produzir textos, imagens, análises e respostas em poucos segundos. Isso provoca uma sensação inédita de concorrência com algo que se aproxima de processos antes considerados exclusivamente humanos. 

A discussão sobre inteligência artificial costuma girar em torno das profissões que desaparecerão e das novas exigências do mercado de trabalho. Embora esse debate seja importante, ele deixa em segundo plano quais capacidades humanas precisarão ser fortalecidas desde a infância para que as próximas gerações possam viver de forma autônoma em um mundo cada vez mais mediado por sistemas inteligentes. 

Curiosamente, à medida que as máquinas se tornam mais eficientes, características antes consideradas subjetivas passam a ganhar valor estratégico. Pensamento crítico, criatividade, flexibilidade cognitiva, capacidade de colaboração e inteligência socioemocional deixaram de ser apenas habilidades desejáveis e tornaram-se competências essenciais. 

Isso ajuda a explicar um dado interessante: embora sejam os principais usuários dessas ferramentas, 66% dos jovens afirmam não confiar totalmente nas respostas geradas pela inteligência artificial (Ipsos, 2026). Mesmo entre aqueles que cresceram cercados pela tecnologia, permanece a percepção de que informação não é sinônimo de discernimento. 

Discernimento não nasce do acúmulo de respostas prontas, porque ele se desenvolve por meio da experiência, da reflexão, do contato com diferentes perspectivas e da capacidade de duvidar antes de chegar a conclusões. Trata-se de um processo que envolve maturação intelectual e emocional, algo que não pode ser terceirizado a uma ferramenta. 

Por essa razão, preparar crianças para o futuro não significa expô-las cada vez mais cedo às telas ou treiná-las para competir com algoritmos. Significa ajudá-las a desenvolver aquilo que os algoritmos não conseguem reproduzir. A criatividade, por exemplo, não surge apenas da produção de ideias. Ela depende de repertório, imaginação, experimentação e contato com situações reais.  

Sob a perspectiva do desenvolvimento emocional, existe ainda outro desafio. Crianças que crescem recebendo respostas instantâneas podem ter menos oportunidades de exercitar a espera e a elaboração do pensamento. A educação do futuro tem menos relação com o domínio das tecnologias e mais com a preservação de experiências humanas que favorecem a autonomia. Quanto mais avançados forem esses sistemas, mais necessário será formar pessoas capazes de construir critérios próprios diante de respostas vazias tão acessíveis.  

Nenhuma sociedade se sustenta apenas por velocidade ou acesso à informação. Ela depende também da responsabilidade em projetar futuros possíveis. São essas dimensões que conferem sentido ao conhecimento e que tornam a educação ainda mais decisiva em tempos de transformação tecnológica 

 

Silmara Casadei - doutora em Educação, psicanalista e autora de O Pequeno Mundo Criativo.


O futuro da hospitalidade passa pelo sentimento de pertencimento do hóspede

O perfil do hóspede mudou. Hoje, ele não busca apenas consumir um produto ou serviço; busca identificar-se com valores, propósitos e experiências. Mais do que se hospedar, ele quer sentir que faz parte daquele ambiente. 

 

Durante muito tempo, a hospitalidade foi medida pela qualidade da estrutura, pela eficiência do atendimento ou pela quantidade de serviços oferecidos. Tudo isso continua sendo importante, mas já não é suficiente.

O perfil do hóspede mudou. Hoje, ele não busca apenas consumir um produto ou serviço; busca identificar-se com valores, propósitos e experiências. Mais do que se hospedar, ele quer sentir que faz parte daquele ambiente. Ou seja, o que realmente diferencia uma experiência completa é a capacidade de gerar pertencimento e memória; é fazer o hóspede se sentir acolhido pelo ambiente que escolheu durante suas viagens.

Em um mundo cada vez mais conectado, acelerado e impessoal, os hóspedes buscam algo que vai além do conforto físico. Eles querem se sentir acolhidos. Querem encontrar ambientes que transmitam segurança, identificação e bem-estar. Em outras palavras, querem se sentir em casa, mesmo estando longe dela.

A hospitalidade precisa estar atenta a essa transformação. Mas como atender a essa nova expectativa? A resposta está na capacidade de personalizar experiências e demonstrar cuidado nos detalhes. Elementos sensoriais, atenção às preferências individuais e soluções que reflitam a identidade de cada empreendimento, seja por meio de linhas temáticas, fragrâncias exclusivas ou amenidades especiais, contribuem para criar uma conexão genuína com o hóspede. São esses pequenos gestos que transformam uma estadia em uma experiência memorável e reforçam o sentimento de pertencimento e a fidelidade do cliente.

Essa transformação pode ser observada em diferentes segmentos da hospedagem, dos hotéis tradicionais ao mercado de aluguel por temporada (short-term rental), que cresce de forma consistente no Brasil e no mundo. Independentemente do modelo de hospedagem escolhido, existe uma expectativa comum entre os viajantes: viver experiências autênticas e criar conexões genuínas.

É justamente nesse contexto que a hospitalidade ganha uma dimensão ainda mais humana. Falar sobre hospitalidade hoje não é apenas falar sobre serviços. É falar sobre emoções. Sobre memórias. Sobre a capacidade de transformar uma estadia em uma experiência significativa.

Os detalhes ganharam um papel fundamental nessa construção. Uma recepção acolhedora, uma comunicação próxima, um ambiente cuidadosamente preparado, uma fragrância agradável, um produto pensado para proporcionar conforto ou uma atenção especial às necessidades do hóspede podem parecer gestos simples. Mas são esses elementos que criam a sensação de cuidado e fazem com que o hóspede se sinta verdadeiramente bem-vindo.

Na prática, pertencimento significa fazer com que o cliente perceba que aquele espaço foi preparado para ele. Que existe intenção em cada escolha. Que alguém pensou em como tornar sua experiência mais agradável, confortável e memorável.

Esse movimento acompanha também uma mudança importante no comportamento do consumidor. Os hóspedes estão cada vez mais conectados a marcas que demonstram propósito, autenticidade e cuidado genuíno. Eles valorizam empresas que conseguem criar vínculos emocionais, e não apenas relações comerciais.

Por isso, acredito que a hospitalidade do futuro será cada vez mais baseada em conexões humanas. A tecnologia continuará sendo uma importante aliada para tornar processos mais eficientes, mas dificilmente substituirá aquilo que realmente gera encantamento: a capacidade de fazer alguém se sentir acolhido.

O conceito de shopper figital e as discussões trazidas pelo Marketing 7.0 reforçam essa realidade. O relacionamento com o cliente já não acontece apenas no ambiente físico ou exclusivamente no digital. Ele acontece em ambos. O encantamento começa muitas vezes na comunicação assertiva, em um conteúdo relevante ou em uma experiência de compra online e consolida-se presencialmente por meio do acolhimento, da sensorialidade e da atenção aos detalhes.

Nesse cenário, o desafio das marcas não é apenas oferecer produtos ou serviços de qualidade. É construir experiências capazes de despertar sentimentos positivos e gerar identificação.

Porque, no fim das contas, as pessoas podem esquecer o quarto em que ficaram, a categoria da hospedagem que escolheram ou até mesmo alguns serviços que utilizaram. Mas dificilmente esquecem a sensação de terem sido acolhidas.

E talvez essa seja a maior missão da hospitalidade contemporânea: fazer com que cada hóspede, independentemente de onde esteja, encontre um lugar onde se sinta verdadeiramente em casa.

  

Renata Carvalho de Oliveira - diretora comercial da Realgems Cosméticos & Amenities.


Copa do Mundo e violência entre torcedores: até onde vai a paixão e onde começa o crime?

Amaury Andrade, advogado criminalista, esclarece os limites entre a rivalidade esportiva e as condutas que podem gerar responsabilização criminal

 

Com a realização de grandes competições esportivas, como a Copa do Mundo, cresce também o número de ocorrências envolvendo discussões, agressões, depredações e tumultos motivados pela rivalidade entre torcedores. O que muitos consideram apenas uma “briga de futebol” pode resultar em sérias consequências jurídicas, incluindo prisão, processos criminais e pagamento de indenizações. 

Segundo o advogado criminalista Amaury Andrade, a emoção do jogo não afasta a aplicação da lei e qualquer ato de violência pode gerar responsabilização. 

“Paixão pelo futebol não pode servir de justificativa para agressões, ameaças ou atos de vandalismo. A rivalidade esportiva termina onde começa a violação dos direitos de outras pessoas”, afirma. 

As ocorrências mais comuns envolvem brigas em bares durante transmissões de partidas, confrontos entre torcedores, danos ao patrimônio de estabelecimentos comerciais e tumultos em locais públicos. Dependendo da conduta praticada, os envolvidos podem responder por crimes como lesão corporal, ameaça, dano ao patrimônio ou até por infrações previstas no Estatuto do Torcedor. 

Além das consequências criminais, os responsáveis também podem ser condenados a indenizar vítimas por danos morais, materiais e eventuais despesas decorrentes das agressões. 

Nos estádios, a legislação prevê punições específicas para quem participa de tumultos, invasões, confrontos ou atos de violência. Em determinados casos, o torcedor pode ser proibido de frequentar eventos esportivos por decisão judicial. 

“O torcedor precisa entender que uma atitude impulsiva durante uma partida pode gerar consequências que permanecerão por muitos anos. Em alguns casos, além da condenação criminal, há prejuízos financeiros e restrições judiciais relevantes”, explica Amaury Andrade. 

Outro aspecto importante envolve a responsabilização de quem incentiva ou participa da organização de brigas e confrontos. Mesmo aqueles que não praticam diretamente agressões podem ser investigados quando contribuem para a ocorrência dos atos violentos. 

A orientação do especialista é que as comemorações e manifestações esportivas ocorram sempre dentro dos limites da convivência social e do respeito à legislação.

 

95,7% das PMEs brasileiras têm limite estimado de crédito de até R$ 570 mil e 41% demandam capital de giro, mostra Serasa Experian

·      Dados mostram que 81,5% das empresas têm até nove funcionários e quase 79% operam há mais de cinco anos

·      Estudo foi gerado a partir da plataforma Insights Hub, da datatech, que analisou uma base de 1,9 milhão de pequenas e médias empresas e seu perfil de crédito 

 

Um levantamento inédito realizado pela Serasa Experian, primeira e maior datatech do país, mostra que 95,7% das PMEs brasileiras têm limite estimado de crédito de até R$ 570 mil, enquanto 41% apresentam perfil associado à demanda por capital de giro. Os dados foram obtidos por meio da plataforma Insights Hub, da datatech, que reúne dados analíticos, comportamentais e financeiros para análises mais assertivas. O estudo foi realizado a partir de uma base de 1,9 milhão de empresas ativas, altamente operacionais e classificadas como micro, pequenas ou médias empresas, revelando um mercado de crédito para PMEs amplo, pulverizado e fortemente ligado à sustentação operacional dos negócios.

 

O perfil das empresas analisadas reforça o caráter pulverizado desse mercado. Segundo o levantamento, 81,5% das PMEs operam com até nove funcionários, quase 79% têm mais de cinco anos de existência e cerca de 72% possuem faturamento estimado de até R$ 1,35 milhão, indicando uma base formada majoritariamente por negócios maduros, de menor porte e estruturas enxutas.

 

O estudo também revela forte presença do comércio entre as PMEs brasileiras: 39,7% das empresas analisadas pertencem ao setor de comércio e reparação de veículos. Além disso, enquanto 41% das PMEs apresentam perfil associado à demanda por capital de giro, 28% possuem perfil tomador de crédito PJ, indicando predominância de operações ligadas à sustentação financeira e à rotina operacional dos negócios.

 

Ao mesmo tempo, os indicadores mostram que o mercado é heterogêneo do ponto de vista financeiro e exige análises cada vez mais sofisticadas de risco e capacidade de pagamento. Segundo o levantamento, 48,3% das PMEs estão nas faixas mais baixas do Score PJ, com pontuação de até 300 pontos. Por outro lado, 21,4% aparecem nas faixas entre 701 e 1000 pontos, indicando um contingente relevante de empresas com perfil de crédito mais robusto.

 

Os dados também mostram um equilíbrio entre pressão financeira e disciplina de pagamento. Mais da metade das PMEs analisadas possui algum tipo de restritivo ativo, cenário que reforça a necessidade de boas práticas de gestão, como planejamento e controle financeiro estruturado. Mas, entre as empresas com histórico conhecido de pontualidade, 72,5% estão na faixa mais alta de cumprimento de obrigações financeiras. 

 


“Em um ambiente ainda marcado por juros elevados e maior complexidade na concessão de crédito, o cenário reforça a importância de modelos analíticos capazes de diferenciar perfis de risco dentro de uma base ampla e diversa de empresas. As PMEs seguem sendo um dos principais motores da economia brasileira, mas o estudo mostra que esse mercado é muito diverso e exige leituras mais sofisticadas sobre comportamento financeiro e acesso ao crédito. Com o Insights Hub, conseguimos combinar dados analíticos, comportamentais e financeiros para gerar uma visão mais precisa sobre as necessidades e o perfil dessas empresas, apoiando uma concessão de crédito mais assertiva e adequada ao risco”, afirma Viviane Moura, diretora de serviços de crédito da Serasa Experian.

 


A importância do Score PJ


O Score PJ foi um dos indicadores utilizados neste estudo para analisar o potencial de crédito das pequenas e médias empresas brasileiras. A pontuação, que vai de 0 a 1.000, funciona como a reputação financeira das empresas e ajuda instituições financeiras e empresas a avaliarem aspectos relacionados ao comportamento financeiro e à capacidade de pagamento dos negócios, podendo influenciar decisões de crédito, negociações comerciais e oportunidades de expansão.

 

Pensando em apoiar os empreendedores em toda a sua jornada, a Serasa Experian traz em seu portal de conteúdo artigos, ebooks e trilhas de conhecimento relacionadas ao universo do empreendedorismo, de forma simples e aprofundada. Entre os conteúdos disponíveis, a datatetch tem artigos específicos sobre Score PJ, com intuito de explicar e dar dicas para aumentar a pontuação.

 


Metodologia – Sobre o Insights Hub

O estudo foi realizado a partir da plataforma Insights Hub, uma plataforma analítica que combina dados demográficos, comportamentais e financeiros de mais de 187 milhões de consumidores brasileiros e 70 milhões de empresas para apoiar estudos de mercado e estratégias de segmentação com ética e segurança, permitindo que empresas planejem campanhas e se conectem às audiências mais propensas ao consumo.

A análise contou com uma base de 1,9 milhões de PMEs e sua relação com o crédito, a partir do cruzamento de informações como Score PJ, faturamento, perfil tomador de crédito e outras relacionadas. 



Experian
experianplc.com


CIEE cadastra estudantes para vagas de estágio em ação na Linha 9-Esmeralda

Atividades serão realizadas nos dias 19, 24 e 26 de junho
Adolescentes a partir de 14 anos receberão instruções sobre elaboração de currículos nas estações Pinheiros e Varginha

 

Estudantes que transitarem pela Linha 9-Esmeralda, nos dias 19, 24 e 26 de junho, terão a oportunidade de aumentar as chances de ingressar no mercado de trabalho. Por meio de uma parceria entre a ViaMobilidade, administrada pela plataforma de trilhos da Motiva, e o CIEE (Centro de Integração Emprego-Escola), adolescentes a partir de 14 anos receberão instruções sobre como elaborar currículos e realizar o cadastro para processos seletivos de vagas de estágio em diversas empresas. 

A iniciativa facilita o acesso dos jovens ao serviço ao levar a orientação diretamente para dentro das estações, permitindo que eles aproveitem o próprio deslocamento pela linha para tirar dúvidas e buscar oportunidades profissionais.

“Nosso objetivo é aproximar os jovens das oportunidades de entrada no mercado de trabalho, oferecendo orientação em um local de grande circulação e de fácil acesso. Ao levar esse atendimento para as estações, contribuímos para que os estudantes possam esclarecer dúvidas, preparar seus currículos e dar os primeiros passos em processos seletivos de forma mais simples e acessível”, afirma Ivana Carvalho, coordenadora de responsabilidade social. 

As ações serão realizadas nas estações Pinheiros (dias 15 e 24) e Varginha (dias 19 e 26), das 11h às 15h30. A parceria entre a concessionária e a entidade social possibilita que os clientes tenham uma formação integral ao abrir as portas para o primeiro emprego.
  
 

Serviço 

CIEE

Local: Estação Varginha – Linha 9 - Esmeralda

Data: 19 e 26 de junho

Horário: 11h às 15h30

 

Local: Estação Pinheiros – Linha 9 - Esmeralda

Data: 24 de junho

Horário: 11h às 15h30


Financiamento de veículos cresce 10,9% em 12 meses e maio atinge maior nível para o período desde 2011, segundo levantamento da Trillia

Aumento foi puxado por vendas de carros leves e motos; ano acumula 3,2 milhões de financiamentos

 

O financiamento de veículos no Brasil somou 630,1 mil unidades em maio, entre novos e usados, incluindo automóveis leves, motocicletas e veículos pesados, de acordo com levantamento da Trillia, linha de negócios de dados e analytics da B3. O volume representa alta de 4,6% na comparação anual e marca o melhor resultado para o mês de maio desde 2011, quando foram registrados 682.129 mil financiamentos. No acumulado de janeiro a maio, as vendas financiadas somaram 3,158 milhões de unidades, alta de 10,9% em relação ao mesmo período de 2025.

 

Carros novos lideram avanço

Entre os automóveis leves, o financiamento atingiu 446 mil unidades em maio, alta de 9,5% em relação ao mesmo mês de 2025. O destaque ficou com os modelos zero quilômetro, que cresceram 38,2% na comparação anual, enquanto os usados avançaram 2,3% no período.

 

Motos se destacam entre veículos financiados

O financiamento de motocicletas somou 162 mil unidades em maio de 2026, crescimento de 9,5% na comparação com maio do ano passado. As motos usadas puxaram o resultado, com alta de 11,5% em 12 meses, enquanto os modelos novos avançaram 3,0% no mesmo período.

 

Veículos pesados mostram estabilidade

No segmento de veículos pesados, o financiamento totalizou 22 mil unidades em maio, queda de 4,8% em relação ao mesmo mês de 2025. O desempenho foi influenciado por recuos tanto nos modelos novos quanto nos usados, de 6,8% e 3,5%, respectivamente, indicando um cenário de maior seletividade na renovação e na troca de frota.

 

Sudeste concentra maior parte do crédito

A região sudeste segue como o principal polo de financiamento de veículos no país, concentrando 42,1% das operações de janeiro a maio de 2026. Na sequência aparecem o Sul, com 20,0%, o Nordeste, com 19,6%, o Centro-Oeste, com 10,8%, e o Norte, com 7,5% do total de financiamentos. 

 

Ano acumula 3,2 milhões de financiamentos

No acumulado de janeiro a maio, o número de veículos financiados chegou a 3,158 milhões de unidades, entre novos e usados, incluindo automóveis leves, motocicletas e pesados. O crescimento de 10,9% em relação ao mesmo período de 2025 foi impulsionado principalmente pelos veículos novos, que avançaram 24,4%, enquanto os usados cresceram 7,5%. 

"Os dados indicam que há uma consolidação de oferta de crédito. Isso impulsiona o crescimento do setor automotivo. Mesmo em um contexto de juros elevados, o consumidor tem acessado crédito para aquisição de veículos", afirma Bruno Saldanha, head de Produtos Regulados na Trillia, linha de negócios de dados e analytics da B3.

 

Tabela Auto B3: média dos preços de veículos recua em maio após sequência de altas

O acompanhamento mensal da Tabela Auto B3, desenvolvida em parceria com a Bright Consulting, mostra que, em maio, o mercado de veículos teve queda nos preços médios de transação, tanto para novos quanto para usados.

 

Veículos novos

Em maio, os veículos 0km tiveram redução média de aproximadamente 1,7% nos preços de transação. Ou seja, na média, os carros novos ficaram um pouco mais baratos em relação ao mês anterior. A queda foi relativamente espalhada entre os segmentos, com destaque para:

 

Fonte: Tabela Auto B3/Bright Consulting

 

As maiores quedas ficaram concentradas nas diferentes categorias de picapes. Na outra ponta, os hatchbacks foram o único segmento com valorização relevante, com aumento médio de 1,9% nos preços. Já os SUVs ficaram praticamente estáveis, interrompendo a sequência de altas dos meses anteriores.

 

Veículos usados

No mercado de usados, maio registrou nova queda nos preços de transação, com redução média de aproximadamente 0,8%. Em outras palavras, os veículos usados também ficaram um pouco mais baratos, dando continuidade ao ajuste de preços que vem ocorrendo desde meses anteriores. A queda foi observada em todos os segmentos analisados, o que reforça a tendência de acomodação do mercado de usados.
 

Fonte: Tabela Auto B3/Bright Consulting



B3 S.A.

 


Nova técnica identifica estrelas que engoliram planetas

 

Representação artística de um sistema estelar binário,
com uma das estrelas engolindo um planeta
(imagem: Anne Rathsam/com IA)
Pesquisa internacional liderada por equipe da USP sugere que sistemas estáveis – como o Sistema Solar – talvez sejam menos comuns do que se imaginava, o que impacta o surgimento de vida complexa

 

Uma equipe internacional liderada por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveu um método inovador para identificar estrelas que engoliram os planetas ao seu redor. A técnica baseia-se na detecção de variações na abundância de berílio – um elemento químico relativamente raro – e poderá abrir uma nova janela para o estudo da evolução de sistemas planetários.

Publicado hoje (16/06) na revista Astronomy & Astrophysics, o estudo analisou um sistema binário formado por duas estrelas muito semelhantes entre si, ambas do tipo solar (com características físicas, químicas e de atividade magnética semelhantes às do nosso Sol), chamadas HD 129171 e HD 129209. Em princípio, estrelas binárias como essas deveriam apresentar praticamente a mesma composição química, pois nasceram ao mesmo tempo e da mesma nuvem molecular (aglomerados de poeira e gás que funcionam como berçários estelares). No entanto, os pesquisadores encontraram diferenças significativas entre elas.

“A estrela HD 129171 apresenta enriquecimento em elementos refratários, isto é, elementos que normalmente condensam em estado sólido e constituem planetas rochosos. Isso sugere fortemente que ela engoliu material planetário ao longo de sua evolução”, conta a doutoranda do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG-USP) Anne Rathsambolsista da FAPESP e primeira autora do artigo.

Os cientistas já suspeitavam anteriormente que algumas estrelas poderiam incorporar planetas ou fragmentos planetários. O diferencial do novo trabalho foi demonstrar, pela primeira vez, que diferenças na abundância de berílio em estrelas binárias podem funcionar como marcadores confiáveis desse processo.

O berílio possui uma característica importante: ele não é fabricado no “coração” das estrelas ao longo de sua evolução. Por isso, quando os astrônomos detectam a assinatura desse elemento na luz que a estrela emite, funciona como um sinal de alerta. Indica que a estrela engoliu material rochoso – como restos de planetas – muito tempo depois de ter se formado.

Como explicam os autores, os elementos lítio, berílio e boro constituem uma exceção importante na história química do Universo. “Todos os outros elementos químicos têm sua origem na nucleossíntese primordial [a formação dos primeiros núcleos atômicos nos minutos iniciais logo após o Big Bang] ou na nucleossíntese estelar [o processo de fusão nuclear que ocorre no interior das estrelas ao longo de suas vidas]. Mas o berílio e o boro não. Eles surgem principalmente por um processo chamado ‘espalação cósmica’, no qual partículas de alta energia fragmentam núcleos mais pesados, como carbono, nitrogênio e oxigênio, produzindo elementos mais leves”, descreve o astrônomo Jorge Luis Melendez Moreno, professor do IAG-USP e orientador do estudo.

O lítio também é produzido principalmente por espalação, embora uma quantidade ínfima desse elemento tenha surgido na nucleossíntese primordial e ele possa surgir também, em circunstâncias especiais, em alguns tipos de estrelas.

“O lítio já vinha sendo usado como possível indicador de engolfamento planetário, mas ele é destruído com relativa facilidade. O berílio é mais resistente e sua assinatura química pode durar mais tempo”, explica Rathsam.

Imagem real do sistema binário estudado (imagem: Digital Sky Survey/Aladin/Anne Rathsam)

 Mais de 11 planetas iguais à Terra

Para realizar o estudo, a equipe utilizou dados obtidos com o espectrógrafo UVES, instalado no Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul (ESO), no Chile. O instrumento decompõe a luz das estrelas em diferentes comprimentos de onda, permitindo identificar assinaturas químicas extremamente sutis.

As observações mostraram que a HD 129171 possui abundância significativamente maior de elementos refratários – como ferro, magnésio, silício, cálcio e titânio – em comparação com sua companheira HD 129209. Além disso, a estrela apresenta excesso tanto de lítio quanto de berílio. Segundo os pesquisadores, o padrão observado é compatível com a ingestão equivalente a mais de 11 vezes a massa da Terra de material rochoso.

“Esse material pode ter vindo de um único grande planeta ou da soma de vários corpos menores. Mas, no caso de estrelas semelhantes ao Sol, a mistura interna é tão eficiente que a assinatura química final não permite distinguir esses cenários”, comenta Rathsam.

Embora a principal contribuição original do trabalho tenha sido a análise química, que possibilitou eleger o berílio como marcador de episódios de engolfamento planetário, os autores também discutiram, com base na literatura previamente estabelecida, os mecanismos dinâmicos capazes de levar planetas a cair em suas estrelas hospedeiras. Entre eles, interações gravitacionais entre planetas, perturbações produzidas por estrelas companheiras e processos de migração orbital. Esses mecanismos podem tornar as órbitas altamente excêntricas e instáveis, fazendo com que planetas sejam ejetados do sistema, colidam entre si ou acabem sendo absorvidos pela estrela central.

Uma implicação importante do estudo diz respeito à possível raridade de sistemas estáveis, como o Sistema Solar. Melendez ressalta que diversas linhas independentes de evidência apontam na mesma direção. Simulações computacionais de formação planetária mostram que arquiteturas semelhantes à do Sistema Solar – com planetas gigantes em órbitas externas quase circulares e planetas rochosos em órbitas internas estáveis – não surgem com frequência. Além disso, levantamentos observacionais realizados com estrelas semelhantes ao Sol encontraram poucos análogos de Júpiter em órbitas comparáveis à do gigante gasoso do nosso sistema.

“Quando reunimos evidências provenientes de simulações dinâmicas, observações de exoplanetas e estudos químicos de estrelas binárias, surge um quadro consistente indicando que sistemas parecidos com o Sistema Solar talvez sejam menos comuns do que imaginávamos”, pontua o pesquisador.

Melendez conta ainda que sistemas binários são muito comuns na Via Láctea. Estimativas atuais indicam que aproximadamente metade das estrelas da galáxia possui uma companheira gravitacional. Como as duas estrelas de um sistema binário se formam praticamente ao mesmo tempo e a partir da mesma nuvem molecular, diferenças químicas entre elas constituem um forte indício de que processos posteriores – como a ingestão de planetas – alteraram sua composição original.

“Em nosso sistema planetário, os planetas possuem órbitas relativamente estáveis e pouco excêntricas. Mas, se o engolfamento planetário for realmente comum, isso sugere que muitos sistemas passam por fases dinâmicas violentas”, enfatiza Rathsam. Segundo ela, isso pode ter implicações diretas para a existência de vida complexa.

“A vida não precisaria apenas de bilhões de anos para surgir e evoluir. O planeta também teria que permanecer em uma órbita suficientemente estável para sobreviver a perturbações gravitacionais importantes”, explica.

Além de lançar luz sobre a evolução de sistemas planetários, o estudo possui implicações para teorias de formação estelar e para uma técnica conhecida como “chemical tagging” (marcação química), utilizada para reconstruir a história da Via Láctea com base na composição química das estrelas.

Se as diferenças químicas observadas em estrelas binárias fossem causadas por heterogeneidades na nuvem primordial que lhes deu origem, isso exigiria revisão de modelos atualmente aceitos sobre formação estelar. Os resultados obtidos pela equipe favorecem, porém, a hipótese de ingestão planetária.

Participaram do estudo pesquisadores da USP, da Academia Polonesa de Ciências, da Academia Chinesa de Ciências, da Monash University, na Austrália, e de observatórios astronômicos italianos. O trabalho também recebeu apoio da FAPESP por meio de um Projeto Temático coordenado por Melendez.

O artigo Planet engulfment in the chemically anomalous HD 129171/HD 129209 pair pode ser lido em: aanda.org/articles/aa/full_html/2026/06/aa59556-26/aa59556-26.html.

 


José Tadeu Arantes

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/nova-tecnica-identifica-estrelas-que-engoliram-planetas/58417



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