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sexta-feira, 24 de março de 2017

Dia a dia escolar: como conviver em um espaço de tensão contínua



O dia a dia escolar se apresenta à maioria dos professores como um espaço de tensão contínua, em que além das discussões sobre questões intelectuais, existem com frequência enfrentamentos pessoais e dilemas disciplinares que atrapalha o trabalho em sala de aula.

Como sabemos, o respeito e a cooperação são condições necessárias para uma gestão democrática em sala de aula. Se bem interpretadas no ambiente escolar, elas impulsionam acordos imprescindíveis entre professor e aluno, esclarecendo as reais expectativas de um em relação ao outro. É o momento de partilhar as responsabilidades pelas decisões relacionadas às rotinas de trabalho pedagógico (o que será feito) e às regras de convivência escolar (como será feito), que Júlio G. Aquino denomina de "contrato pedagógico", assegurado por meio de:

a) Clareza razoável, para os parceiros, quanto aos propósitos da relação;

b) Nítida configuração das atribuições de cada parte envolvida;

c) Rotinas e pautas de convivência conhecidos e respeitados por ambos;

d) Resultados concretos que validem o seu processamento cotidiano.

Esse contrato é gestado no coletivo, corresponsabilizando todos os participantes para que suas cláusulas sejam esclarecidas.

Diferente de um regimento escolar (que é o todo da escola), o contrato pedagógico constitui-se da especificidade de cada sala de aula e, ainda mais, de cada professor – até porque cada objeto de conhecimento requer uma dinâmica diferente de exploração. Para tanto, as cartas precisam ser colocadas na mesa – programa da área, cronograma de atividades, metodologias, formas de avaliação – para que sejam trabalhados concretamente os objetivos que deverão ser perseguidos por todos. As regras poderão, em consenso, sofrer alterações – inclusões ou exclusões de cláusulas, abordando questões, como o que é entendido por respeito, colaboração, responsabilidade, enfim, formas de viabilizar a cidadania na prática. As regras constituídas nesse contrato amadurecem progressivamente, do seu desconhecimento (anomia – ausência de regras) à autonomia. Após o nascimento do contrato, relembrá-lo é função de todos, porém, a implantação e o suporte dos acordos, enquanto rotina do trabalho, está muito mais centrada na figura do professor, que aos poucos vai deixando isso para os outros participantes do processo educativo em sala de aula. Quando esse caminho é traçado e compreendido por todos, consegue-se perceber a real diferença entre anuência (estar de acordo) e obediência (submeter-se).

Como trabalhamos com indivíduos – por definição únicos e com ritmos diferentes de caminhada – sabemos que eles poderão atingir estágios diferentes, em momentos distintos, na compreensão do contrato pedagógico. 

Não podemos ser ingênuos e acreditar que não haverá transgressões, que deverão ser tratadas no coletivo (em que as regras foram constituídas), para não se tornar algo pessoal – professor/aluno). Trazendo para o coletivo, as transgressões são analisadas como contra o bom funcionamento comum dos trabalhos e contribui para que não ajamos com dois pesos e duas medidas. 

Aquino faz uma única ressalva: que as sanções não podem, sob hipótese alguma, serem tomadas como mecanismos de exclusão. Por sinal, devem sinalizar o contrário: elas se prestam à inclusão de todos, indiscriminadamente, uma vez que sacralizam uma atmosfera de isonomia e, portanto, de justiça na vivência grupal. O contrato pedagógico não se trata de um ideal, algo que sempre se persegue e nunca se atinge. Esse pacto coletivo de confiança nada mais é do que um conjunto de parâmetros que delineiam as ações do coletivo em prol do bem comum: a efetivação do trabalho educativo – a aprendizagem.





Acedriana Vicente Sandi - diretora pedagógica da Editora Positivo, pedagoga, especialista em metodologia de ensino e mestre em engenharia de produção pela UFSC.





jovens ainda sofrem assédio moral nas empresas



Muitos ficam calados por medo de perder seu emprego e relatam se sentir muito mal com a situação

Ao ingressar no mercado de trabalho, a expectativa é sempre a melhor. A grande possibilidade de desenvolvimento e evolução na carreira motivam o colaborador e impulsionam sua produtividade. No entanto, por vezes, essa satisfação pode ser interrompida por um problema antigo, porém presente no mundo corporativo: o abuso de poder. Diante dessa realidade, o Nube – Núcleo Brasileiro de Estágios quis saber: “você já sofreu assédio moral em sua empresa?”. O resultado apontou a preocupação com o tema.

O estudo foi realizado em todo o Brasil, entre 20 de fevereiro e 3 de março, e contou com a participação de 15.272 jovens, com faixa etária de 15 a 26 anos. Dentre as quatro opções de resposta, 65,83% ou 10.053 indivíduos afirmaram: “não, fui sempre respeitado (a)”. Outros 8,45% (1.291) foram pela mesma linha e asseguraram: “não, eu sempre me imponho perante meus gestores”.

Para Lucas Fernandes, analista de treinamento do Nube, a relação de respeito entre funcionários é tão importante quanto seus conhecimentos técnicos, formação acadêmica ou experiência de trabalho. “Sem a consideração mútua entre as partes, nenhum projeto se consolida, as metas não são alcançadas e os colaboradores vão aos poucos se desestimulando”, enfatiza. Além disso, cria-se uma cultura individualista e competitiva, fator responsável por aflorar abusos dos mais variados tipos.

De acordo com o analista, é dever da organização cultivar um ambiente sadio. “Deve-se garantir, além de boas condições de saúde física e segurança, atenção às diversidades de gênero, idade, religiosidade, orientação sexual e condição financeira”, explica.

No caminho oposto à orientação de Fernandes, 25,72% mostram despreparo por parte de diversas corporações, pois já passaram por esse tipo de constrangimento. Desses, 13,84% (2.114 voltantes) revelaram: “fiquei calado para não perder o emprego/estágio” e outros 11,88% (1.814) lamentaram: “isso me deixou muito mal”.

Apesar de o mundo corporativo estar em constante transformação e, diariamente, ceder espaço a um olhar humano, o mal-estar ainda acontece com muita frequência. “Por se tratar de um conceito muito subjetivo do ponto de vista legal, uma grande parcela é vítima e não tem capacidade de perceber o ato ou se impor”, garante. Por isso, quanto mais o assunto for debatido e maior for a compreensão sobre ele, mais ferramentas aparecerão para identificar e combater essa prática.

O assédio moral pode ocorrer de diversas formas e em todas elas há em comum a sensação de terror e angústia por parte da vítima. “Algumas ocasiões mais comuns são: interromper a comunicação com o colaborador, solicitar tarefas impossíveis de serem concluídas, isolar o funcionário ou deixá-lo sem atividades, ameaçar demiti-lo, humilhar, inferiorizar ou fazer comentários maldosos”, esclarece o especialista.


Para quem está começando sua vida profissional, é preciso ter ciência de sua posição na empresa, a de um profissional apto a prestar os seus serviços, assim como qualquer outro. “Veja a si mesmo como um adulto maduro e responsável, se posicione em casos de violência e, caso presencie alguma cena, não se omita e dê apoio ao próximo”, incentiva. Somente com união é possível mudar a cultura de um empreendimento ou corrigir um acontecimento isolado pensado no bem de todos.

Já para os gestores, a dica é não confundir sua autoridade e reconhecer o time. “Parabenize sua equipe, motive o grupo frente a novos desafios, saiba lidar com a frustração de outras pessoas. Não confunda medo com respeito e nem desmereça qualquer integrante da organização. Todos estão ali por seu merecimento e capacidade de somar às tarefas”, finaliza Fernandes.


Serviço: pesquisa revela - 25% dos jovens ainda sofrem assédio moral nas empresas.




Fonte: Lucas Fernandes - analista de treinamento do Nube.
www.nube.com.br



Teste da orelhinha: diagnóstico permite que bebês com deficiência auditiva desenvolvam a comunicação precocemente



O teste da orelhinha ou triagem auditiva neonatal é um exame obrigatório por lei que deve ser realizado em todas as maternidades após o nascimento do bebê. O exame é capaz de identificar se ele possui algum problema auditivo e é feito rapidamente, assim como o teste do pezinho. A fonoaudióloga da Direito de Ouvir, Dra. Andreia Abrahão explica porque o exame é tão importante para garantir o desenvolvimento saudável da criança.

Desde agosto de 2010, a Triagem Auditiva Neonatal passou a ser obrigatória em todas as maternidades. Antes disso, os testes eram realizados apenas em crianças de grupos de risco, como prematuros, crianças com baixo peso, que possuem alguma síndrome ou que tiveram alguma infecção durante seu desenvolvimento na gravidez. Com isso, muito bebes perdiam a oportunidade de terem uma deficiência auditiva diagnosticada precocemente e serem logo encaminhados para tratamento.

Segundo a fonoaudióloga, ouvir bem é essencial para o desenvolvimento da linguagem da criança. Ela explica que a partir do quinto mês de gestação, quando o órgão auditivo já está formado, o bebê é capaz de ouvir os sons de fora da barriga. “Assim quando ele nasce, identifica os sons e principalmente a voz da mãe. Com o passar dos primeiros aninhos de vida, a linguagem se aprimora. Os bebes que têm a deficiência identificada logo após o nascimento, podem ser imediatamente encaminhados para atendimento especializado. A boa notícia é que atualmente há tecnologia para praticamente todos os casos, permitindo que o bebê seja protetizado precocemente e tenha acesso ao som, desenvolvendo sua comunicação de uma forma muito parecida com uma criança ouvinte.”

Rápido e indolor, o exame muitas vezes é realizado enquanto o bebê está dormindo explica a especialista da Direito de Ouvir. “O procedimento é pouco invasivo e os país podem acompanhar. Encostamos na orelha da criança um pequeno fone de ouvido que emite um som de baixa frequência e mede as respostas que são emitidas pela orelha interna da criança”. Quando há diagnostico positivo o bebê é encaminhado para o médico otorrinolaringologista, que irá orientar o melhor tratamento para o problema. 

Para a fonoaudióloga, não identificar um déficit auditivo precocemente, além de prejudicar a formação da linguagem, é algo que costuma comprometer o desenvolvimento social e emocional da criança. “Quanto mais tarde o diagnóstico for feito, maiores serão os desafios para a criança transpor, pois terá dificuldades quando chegar a hora de ir para escola e para interagir com a família e com outras crianças”.




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