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| Créditos: @mouraacarlos | CO ASSESSORIA |
“A ideia não é parecer exausta, mas usar uma região que antes a maquiagem tentava esconder para construir o olhar”, afirma Carlos Moura
O maquiador, fotógrafo e diretor criativo
brasileiro Carlos Moura, radicado em Londres, chama atenção para uma mudança
que ganhou força na beleza de 2026: a área abaixo dos olhos deixou de ser
automaticamente apagada pelo corretivo e passou a integrar a construção da
maquiagem. O chamado sleepy girl makeup surgiu nas passarelas com sombras suaves,
tons avermelhados e um acabamento propositalmente menos perfeito, abrindo
espaço para uma estética que troca a obsessão por correção por um olhar mais
expressivo e menos polido.
A mudança acompanha um movimento
maior da beleza contemporânea, cada vez menos interessada em uniformizar o
rosto por completo. No autotutorial, Moura mostra como sombras abaixo dos olhos
podem ser usadas para criar profundidade sem pesar o resultado. “Durante muito
tempo, a primeira preocupação era cobrir qualquer sombra nessa região. Agora
existe espaço para preservar parte dela ou até reforçar esse efeito. O que faz
funcionar é a intenção da maquiagem como um todo”, explica.
Nem todo efeito abaixo dos olhos,
porém, pertence à mesma linguagem. O aegyo-sal, muito presente na beleza
coreana, usa luz e sombra para destacar o pequeno volume logo abaixo dos cílios
inferiores e não deve ser confundido com olheira. Já o blush aplicado mais
próximo dos olhos cria um rubor proposital, enquanto o sleepy girl makeup
trabalha justamente com tons e sombras que remetem a um cansaço calculado. “Se
você pesa demais no pigmento escuro, o efeito pode parecer apenas uma noite mal
dormida. Quando existe equilíbrio entre pele, blush, sombra e acabamento,
aquela região deixa de ser algo a esconder e passa a fazer parte da expressão”,
afirma.
Para Moura, esse novo protagonismo
da região abaixo dos olhos não decreta o fim do corretivo, mas sinaliza uma
mudança de repertório. “A beleza está cada vez menos interessada em apagar tudo
e mais em escolher o que merece ser valorizado. Não significa que todo mundo
precise desenhar uma olheira, mas existe uma liberdade maior para transformar
características antes vistas como imperfeições em linguagem de maquiagem. Acho
que ainda vamos ver muito dessa ideia nas próximas temporadas”, conclui.

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