Instituto de Longevidade MAG reúne dados que mostram menor procura por cuidados preventivos e alerta que envelhecimento saudável começa a ser construído muito antes da velhice
Os
homens vivem, em média, 6,6 anos menos que as mulheres no Brasil. Segundo os
dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
a expectativa de vida ao nascer em 2024 foi de 73,3 anos para eles, ante 79,9
anos para elas. A diferença ajuda a chamar atenção para um desafio que
acompanha a saúde masculina no país: a menor adesão aos cuidados preventivos ao
longo da vida.
Estudos
e pesquisas reunidos pelo Instituto de Longevidade MAG mostram que os homens
ainda tendem a procurar menos os serviços de saúde e, muitas vezes, adiam
consultas e exames até o surgimento de sintomas. Associado a fatores culturais
e hábitos de vida, esse comportamento pode comprometer não apenas a expectativa
de vida, mas também a possibilidade de envelhecer com autonomia, capacidade
funcional e qualidade de vida.
O
cenário também se reflete na mortalidade por doenças crônicas não
transmissíveis. Dados do Ministério da Saúde apontam que o risco de morte dos
homens por essas doenças é de 40% a 50% maior do que entre as mulheres.
Para
Antonio Leitão, especialista em Longevidade do Instituto de Longevidade MAG, a
diferença não pode ser explicada por fatores biológicos. “A longevidade
masculina é influenciada por uma combinação de fatores. A menor procura por
prevenção, hábitos de vida, exposição a riscos e até a maneira como os homens
são educados para lidar com a própria vulnerabilidade interferem diretamente na
saúde. Por isso, falar em longevidade masculina é falar também em mudança de
comportamento”, afirma.
Prevenção ainda chega tarde
Um
levantamento do Centro de Referência em Saúde do Homem de São Paulo, divulgado
pela Secretaria de Estado da Saúde, identificou que 70% dos homens que
procuravam atendimento médico iam acompanhados de mulheres ou filhos e que mais
da metade havia adiado a consulta, chegando ao serviço com doenças em estágio
avançado.
Essa
relação com os cuidados de saúde também aparece em pesquisa da Sociedade
Brasileira de Urologia (SBU), realizada em 2023 com 1.500 homens acima de 40
anos, de todas as regiões do país. Segundo o levantamento, 46% afirmaram
procurar o médico apenas quando sentem algum sintoma. Entre aqueles que
utilizam exclusivamente o SUS, o percentual chega a 58%.
Para
o Instituto, os números reforçam a importância de incorporar a prevenção à
rotina antes do surgimento de problemas de saúde. O acompanhamento periódico
pode contribuir para a identificação precoce de fatores de risco e condições
que, sem diagnóstico e cuidado adequados, podem comprometer a saúde e a
autonomia no futuro.
“Prevenção
não pode ser confundida com procurar o médico apenas quando alguma coisa está
errada. O acompanhamento periódico permite identificar fatores de risco antes
que eles se transformem em doenças ou limitações. Quanto mais cedo esse cuidado
começa, maiores são as possibilidades de preservar funcionalidade e autonomia
no futuro”, explica Leitão.
Coração e estilo de vida estão no centro do cuidado
Entre
os principais pontos de atenção para a longevidade masculina estão as doenças
crônicas e seus fatores de risco. Hipertensão, obesidade, sedentarismo,
alimentação inadequada, tabagismo e consumo excessivo de álcool estão
associados a condições que podem comprometer a saúde cardiovascular e
metabólica ao longo dos anos.
Na
pesquisa da SBU, por exemplo, o sedentarismo foi o problema de saúde mais
citado pelos entrevistados, com 26%, seguido por pressão alta (24%) e obesidade
(12%).
Nesse
contexto, atividade física, alimentação equilibrada, sono adequado e
acompanhamento médico ganham importância não como ações isoladas, mas como
parte de uma estratégia de cuidado construída ao longo da vida.
“A
longevidade é construída no cotidiano. Não depende de uma única decisão ou de
uma mudança radical, mas da combinação de escolhas que se repetem ao longo dos
anos. Atividade física, alimentação equilibrada, sono adequado e acompanhamento
médico são investimentos que produzem resultados muito além do presente”,
afirma Leitão.
Saúde mental também faz parte da longevidade masculina
O
cuidado com a saúde dos homens também passa por aspectos emocionais e
comportamentais. Estresse, ansiedade, privação de sono e dificuldade para falar
sobre emoções podem interferir na qualidade de vida e também dificultar a busca
por ajuda.
A
relação dos homens com a própria saúde pode ser influenciada por fatores
culturais e sociais. Padrões de comportamento associados à ideia de que homens
devem demonstrar força, resistência e autossuficiência podem contribuir para
que sinais físicos e emocionais sejam ignorados e a procura por ajuda seja
adiada.
Para
Leitão, ampliar a discussão sobre saúde masculina também exige rever essa
relação com o cuidado. “Ainda existe uma associação equivocada entre
vulnerabilidade e fraqueza. Pedir ajuda, falar sobre emoções e procurar
atendimento médico não diminuem a masculinidade. Ao contrário, são atitudes de
responsabilidade consigo mesmo e com as pessoas que fazem parte da vida daquele
homem”, destaca.
Sinais do corpo também merecem atenção
Algumas
alterações que muitas vezes são tratadas de forma isolada também podem
justificar uma avaliação mais ampla da saúde. É o caso da disfunção erétil,
condição que pode estar associada a diferentes fatores e que, segundo estudos
reunidos pelo Instituto de Longevidade MAG, também apresenta relação com a
saúde vascular e cardiovascular.
Evidências
científicas apontam associação entre disfunção erétil e fatores de risco cardiovascular
e metabólico. Por isso, o aparecimento do sintoma não deve ser ignorado ou
tratado como tabu, mas avaliado individualmente por um profissional de
saúde.
“O
ponto principal é não transformar um sintoma em tabu. A disfunção erétil pode
ter diferentes causas, mas merece avaliação médica porque, em alguns casos,
pode sinalizar fatores de risco que precisam ser investigados”, explica
Leitão.
Longevidade começa muito antes da velhice
Os
diferentes indicadores convergem para um mesmo ponto: envelhecer com saúde não
é uma preocupação que começa aos 60 ou 70 anos. É resultado de condições e
escolhas construídas ao longo de toda a trajetória de vida.
Para
o Instituto de Longevidade MAG, hábitos estabelecidos desde a juventude podem
repercutir décadas mais tarde, influenciando a capacidade funcional, a
autonomia e a qualidade de vida.
“Quando
falamos em longevidade, não estamos falando apenas de aumentar a quantidade de
anos vividos. Estamos falando de ampliar a possibilidade de viver esses anos
com autonomia, capacidade funcional, vínculos e qualidade de vida. E essa
construção começa muito antes da velhice”, conclui Antonio Leitão.
Mais
do que ampliar os anos de vida, o desafio está em ampliar os anos vividos com
saúde, independência e autonomia. Nesse sentido, prevenção não é uma decisão
para o futuro: é uma construção que começa no presente e acompanha todas as
fases da vida.
Instituto de
Longevidade MAG
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