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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Esquecer faz parte do envelhecimento? Neurologista responde

Neurologista da Unimed Araxá aborda em artigo uma das grandes preocupações de idosos e familiares



Uma das perguntas que mais ouço no consultório é: “Doutora, estou esquecendo as coisas. Será que estou desenvolvendo uma demência?”


Essa preocupação é muito comum, principalmente quando já tivemos alguém na família com Alzheimer ou outro tipo de demência. Mas é importante saber que nem todo esquecimento significa doença.

 

Nossa memória também envelhece. Com o passar dos anos, podemos demorar mais para lembrar um nome, esquecer onde deixamos um objeto ou precisar pensar um pouco antes de recuperar uma informação. Quem nunca entrou em um cômodo e, por alguns segundos, esqueceu o que foi buscar? Muitas vezes, pouco depois, lembramos normalmente.

 

Também pode acontecer de a pessoa lembrar-se da informação mais tarde ou precisar de alguma pista para recuperá-la. Isso é diferente de perder completamente a capacidade de aprender ou de reconhecer algo que antes fazia parte da rotina.

 

O que começa a preocupar é quando esses esquecimentos se tornam frequentes e progressivos. A pessoa passa a repetir as mesmas perguntas, esquece acontecimentos recentes, perde-se em lugares conhecidos, começa a ter dificuldade para organizar suas contas e seus medicamentos ou deixa de conseguir fazer coisas que sempre fez normalmente.

 

Costumo dar um exemplo simples: uma coisa é esquecer onde colocou a chave. Outra é encontrar a chave e não saber para que ela serve.


Também é importante observar se a pessoa percebe o próprio esquecimento ou se são os familiares que começam a notar mudanças. Muitas vezes, quem convive mais de perto percebe que há algo diferente: a pessoa passa a se atrapalhar com tarefas habituais, deixa compromissos importantes de lado ou precisa de ajuda para atividades que antes realizava sozinha.

 

A memória, porém, não depende apenas da idade. O sono ruim, o estresse constante, a ansiedade, a depressão, alguns medicamentos, alterações da tireoide e deficiências de vitaminas podem interferir bastante na atenção e na memória. E várias dessas situações podem ser tratadas.

 

Além disso, quando estamos cansados, preocupados ou tentando fazer muitas coisas ao mesmo tempo, nossa atenção fica prejudicada. E, se a informação não for bem registrada, fica mais difícil lembrá-la depois. Às vezes, o problema não está exatamente na memória, mas na dificuldade de prestar atenção no momento em que algo acontece.

 

Por isso, não devemos banalizar uma mudança importante da memória dizendo simplesmente que “é da idade”. Mas também não há motivo para preocupação diante de cada pequeno esquecimento.


O que realmente importa é perceber se esses esquecimentos estão ficando mais frequentes e, principalmente, se começam a atrapalhar atividades que antes eram realizadas normalmente. Também é importante observar se há uma piora progressiva, ao longo dos meses, e não apenas episódios isolados.

 

Quando isso acontece, vale procurar uma avaliação médica. O profissional poderá conversar com a pessoa e com a família, revisar os medicamentos em uso, investigar o sono, o humor e outras condições de saúde e, quando necessário, solicitar exames.

 

Identificar a causa é importante, inclusive porque nem toda alteração da memória é demência e algumas causas têm tratamento. Quanto mais cedo uma mudança persistente for avaliada, maiores são as chances de orientar a família, tratar fatores que podem estar contribuindo e preservar a autonomia da pessoa pelo maior tempo possível.

 

Se você ou alguém da sua família tem dúvidas sobre mudanças na memória, procure um médico, especialmente quando os esquecimentos são frequentes, estão piorando ou começam a interferir na rotina. Uma avaliação adequada pode trazer mais clareza e tranquilidade.




Dra. Yvely Iunes Akel
Neurologista da Unimed Araxá

 

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