Neurologista da Unimed Araxá aborda em artigo uma das grandes
preocupações de idosos e familiares
Uma das perguntas que mais ouço no
consultório é: “Doutora, estou esquecendo as coisas. Será que estou desenvolvendo
uma demência?”
Essa preocupação é muito comum,
principalmente quando já tivemos alguém na família com Alzheimer ou outro tipo
de demência. Mas é importante saber que nem todo esquecimento significa doença.
Nossa memória também envelhece. Com o passar
dos anos, podemos demorar mais para lembrar um nome, esquecer onde deixamos um
objeto ou precisar pensar um pouco antes de recuperar uma informação. Quem
nunca entrou em um cômodo e, por alguns segundos, esqueceu o que foi buscar?
Muitas vezes, pouco depois, lembramos normalmente.
Também pode acontecer de a pessoa
lembrar-se da informação mais tarde ou precisar de alguma pista para
recuperá-la. Isso é diferente de perder completamente a capacidade de aprender
ou de reconhecer algo que antes fazia parte da rotina.
O que começa a preocupar é quando esses
esquecimentos se tornam frequentes e progressivos. A pessoa passa a repetir as
mesmas perguntas, esquece acontecimentos recentes, perde-se em lugares
conhecidos, começa a ter dificuldade para organizar suas contas e seus
medicamentos ou deixa de conseguir fazer coisas que sempre fez normalmente.
Costumo dar um exemplo simples: uma coisa é
esquecer onde colocou a chave. Outra é encontrar a chave e não saber para que
ela serve.
Também é importante observar se a pessoa
percebe o próprio esquecimento ou se são os familiares que começam a notar
mudanças. Muitas vezes, quem convive mais de perto percebe que há algo
diferente: a pessoa passa a se atrapalhar com tarefas habituais, deixa
compromissos importantes de lado ou precisa de ajuda para atividades que antes
realizava sozinha.
A memória, porém, não depende apenas da
idade. O sono ruim, o estresse constante, a ansiedade, a depressão, alguns
medicamentos, alterações da tireoide e deficiências de vitaminas podem
interferir bastante na atenção e na memória. E várias dessas situações podem
ser tratadas.
Além disso, quando estamos cansados,
preocupados ou tentando fazer muitas coisas ao mesmo tempo, nossa atenção fica
prejudicada. E, se a informação não for bem registrada, fica mais difícil
lembrá-la depois. Às vezes, o problema não está exatamente na memória, mas na
dificuldade de prestar atenção no momento em que algo acontece.
Por isso, não devemos banalizar uma mudança
importante da memória dizendo simplesmente que “é da idade”. Mas também não há
motivo para preocupação diante de cada pequeno esquecimento.
O que realmente importa é perceber se esses
esquecimentos estão ficando mais frequentes e, principalmente, se começam a
atrapalhar atividades que antes eram realizadas normalmente. Também é
importante observar se há uma piora progressiva, ao longo dos meses, e não
apenas episódios isolados.
Quando isso acontece, vale procurar uma
avaliação médica. O profissional poderá conversar com a pessoa e com a família,
revisar os medicamentos em uso, investigar o sono, o humor e outras condições
de saúde e, quando necessário, solicitar exames.
Identificar a causa é importante, inclusive
porque nem toda alteração da memória é demência e algumas causas têm
tratamento. Quanto mais cedo uma mudança persistente for avaliada, maiores são
as chances de orientar a família, tratar fatores que podem estar contribuindo e
preservar a autonomia da pessoa pelo maior tempo possível.
Se você ou alguém da sua família tem dúvidas sobre mudanças na memória, procure um médico, especialmente quando os esquecimentos são frequentes, estão piorando ou começam a interferir na rotina. Uma avaliação adequada pode trazer mais clareza e tranquilidade.
Dra. Yvely Iunes Akel
Neurologista da Unimed Araxá
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