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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Quando o clima muda, a educação precisa mudar também

Opinião

 

Setembro chega com a primavera, mas também com novos alertas sobre o clima. Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há mais de 90% de probabilidade de que o fenômeno El Niño alcance intensidade muito forte nos próximos meses e 69% de chance de estar entre os episódios mais intensos registrados desde 1950. 

O alerta, porém, não está apenas nas previsões. 2026 já reúne uma sucessão de eventos extremos em diferentes partes do planeta, com ondas de calor, secas, incêndios florestais e chuvas intensas. Para quem está crescendo agora, compreender esse cenário será cada vez menos uma questão de acompanhar notícias e mais uma necessidade para a vida cotidiana. 

É nesse ponto que a alfabetização climática deixa de ser um assunto complementar na educação. Saber o que é uma onda de calor, por que uma floresta seca fica mais vulnerável ao fogo, de onde vem a água que chega às nossas casas ou como uma chuva intensa pode provocar um desastre ajuda a compreender relações de causa e consequência, reconhecer riscos e tomar decisões mais responsáveis. 

Isso não significa formar especialistas em meteorologia desde cedo, mas oferecer instrumentos para interpretar informações, diferenciar conhecimento de desinformação e perceber que nossas escolhas fazem parte de um sistema maior. 

Há também uma dimensão que considero fundamental: ensinar a olhar para um problema sem enxergá-lo apenas como ameaça. Diante de uma garrafa, uma caixa de papelão, um pedaço de tecido ou uma embalagem que seria descartada, podemos perguntar: o que mais isso pode ser? O reaproveitamento de materiais é uma atividade simples, mas carrega uma aprendizagem importante: antes de descartar, podemos imaginar. 

Essa mudança de olhar aproxima a educação ambiental da criatividade. Cuidar do planeta não se resume a decorar regras. Envolve observar, experimentar, criar, consertar, compartilhar e encontrar alternativas. 

Também envolve convivência. Os desafios ambientais não serão enfrentados individualmente. Economizar água, proteger uma área verde, lidar com uma enchente ou se preparar para uma onda de calor exige cooperação. Aprender a ouvir, dividir responsabilidades e construir respostas coletivas também é preparação para o futuro. 

Não podemos apresentar às novas gerações um amanhã feito apenas de catástrofes. Precisamos ajudá-las a compreender o que acontece e a participar da construção de respostas. Consciência também é perceber que, diante de uma dificuldade, existe a possibilidade de procurar caminhos. 

Se setembro marca a chegada de uma nova estação, pode ser também um convite para pensar em uma nova forma de educar: menos voltada para respostas prontas e mais capaz de despertar perguntas, criatividade e responsabilidade. Afinal, o futuro climático não será apenas aquele que vamos encontrar, mas também aquele que saberemos construir. 

  

Silmara Casadei - doutora em Educação, psicanalista e autora de O Pequeno Mundo Criativo


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