Chatbots já sugerem cardápios analisam refeições e organizam hábitos mas exames, histórico clínico e conhecimento técnico ainda exigem acompanhamento de um nutricionista
Celebrado em 31 de agosto último, o Dia do
Nutricionista chegou em 2026 em meio a uma mudança na forma como as pessoas
buscam orientação sobre alimentação. No Brasil, 57% dos consumidores afirmam
que se sentiriam confortáveis em utilizar inteligência artificial generativa
para criar planos personalizados de dieta e nutrição, segundo a pesquisa Voz do
Consumidor 2025, da PwC, realizada com 1.002 brasileiros. A facilidade de pedir
a um chatbot uma dieta para emagrecer, calcular nutrientes ou montar um
cardápio em segundos amplia o acesso à informação, mas também abre uma
discussão sobre os limites da IA quando a orientação envolve saúde.
Bruna Makluf, nutricionista e mestre em Saúde, diretora de Nutrição
da WeFit, healthtech brasileira especializada em saúde personalizada e nutrição
de precisão. Para a especialista, recursos de inteligência artificial podem
apoiar o cuidado nutricional, desde que não sejam confundidos com avaliação
clínica. Na empresa, os protocolos consideram informações como genética,
microbiota intestinal, exames, hábitos e objetivos de cada paciente.
“A inteligência artificial pode organizar
informações, reconhecer padrões e facilitar escolhas durante a rotina, mas não
substitui o conhecimento do nutricionista. É o profissional quem consegue
cruzar exames, histórico clínico, medicamentos, comportamento alimentar e
objetivos para entender o que aquela pessoa realmente precisa”, afirma Bruna.
O debate ganhou força em agosto após o aumento de
casos de pessoas que passaram a seguir orientações geradas por IA e
especialistas que alertam para recomendações capazes de ignorar condições de
saúde, necessidades nutricionais e resultados de exames.
O avanço também ocorre dentro das instituições de
saúde. A TIC Saúde 2025, divulgada em maio pelo Comitê Gestor da Internet no
Brasil e pelo Cetic.br, mostra que 18% dos estabelecimentos de saúde
brasileiros utilizavam inteligência artificial. Entre aqueles que adotavam a
tecnologia, 76% faziam uso de modelos generativos de linguagem.
Onde a IA ajuda e onde entra o
nutricionista
A inteligência artificial pode assumir tarefas que
facilitam a rotina e ampliam a quantidade de dados disponíveis. A interpretação
dessas informações e as decisões sobre a saúde continuam dependendo do
conhecimento profissional.
- Organizar
a alimentação
Ferramentas podem registrar refeições, sugerir preparações, estruturar horários e reunir informações da rotina.
- Analisar
a composição do prato
Sistemas conseguem identificar alimentos por imagem e estimar a presença de carboidratos, proteínas, gorduras e outros componentes de uma refeição.
- Identificar
padrões
Registros frequentes de alimentação, sono e atividade física ajudam a mostrar comportamentos que poderiam passar despercebidos entre uma consulta e outra.
- Apoiar
escolhas cotidianas
A IA pode explicar a composição de alimentos, apresentar substituições e responder dúvidas que surgem durante o dia.
- Interpretar
o paciente
Aqui está o limite. Avaliação nutricional, leitura de exames, suplementação, definição de estratégia alimentar e análise de riscos exigem formação técnica e conhecimento do histórico de cada pessoa.
A diferença está no tipo de pergunta feita à
ferramenta. Uma resposta pode parecer personalizada porque considera peso,
idade e objetivo, mas isso representa apenas uma pequena parte do paciente.
Duas pessoas com características semelhantes podem responder de maneiras
completamente diferentes à mesma estratégia. A IA reúne dados. O nutricionista
interpreta o que esses dados significam dentro de uma história clínica”,
ressalta a especialista.
Quando a tecnologia acompanha
mas não decide
Bruna explica que na WeFit, a inteligência
artificial é utilizada como parte do acompanhamento nutricional. O aplicativo
permite, por exemplo, fotografar uma refeição para analisar a composição do
prato e apontar possíveis ajustes. A plataforma também reúne receitas,
registros e informações da rotina que podem ser consideradas pela equipe responsável
pelo paciente.
A lógica ganha relevância especialmente em casos de
emagrecimento, saúde metabólica, composição corporal e doenças crônicas. Nessas
situações, o resultado não depende apenas da quantidade de calorias consumidas.
Sono, metabolismo, saúde intestinal, comportamento alimentar, medicamentos e
alterações laboratoriais também podem interferir na resposta de cada organismo.
“A inteligência artificial consegue reunir
informações em uma velocidade e frequência que seriam difíceis de reproduzir
manualmente. Isso pode tornar o acompanhamento mais completo, mas alguém
precisa avaliar o que é relevante, identificar riscos e decidir o que deve ou
não mudar. A tecnologia amplia o trabalho do nutricionista, não substitui seu
conhecimento”, destaca a diretora de Nutrição da WeFit.
O nutricionista muda de papel
na era da IA
A popularização das ferramentas generativas também
altera a relação do paciente com a informação. Antes da consulta, muitas
pessoas já chegam com cardápios, cálculos, dúvidas e recomendações obtidas em
aplicativos ou chatbots. Nesse contexto, parte do trabalho passa a envolver a
avaliação do conteúdo recebido e a diferenciação entre uma sugestão genérica e
uma orientação adequada para aquele organismo.
No Dia do Nutricionista, a discussão deixa de ser
se a inteligência artificial deve ou não fazer parte da alimentação e passa a
ser como utilizá-la com responsabilidade. A IA pode analisar um prato,
organizar registros, sugerir receitas e encontrar padrões. Determinar o que faz
sentido para determinada pessoa, avaliar riscos e transformar essas informações
em uma estratégia de saúde continua dependendo do conhecimento do
nutricionista.
Para mais informações, acesse: Linkedin e Instagram.
WeFit
Site Oficial WeFit
Instagram WeFit
Fontes de Pesquisa:
PwC Brasil, Voz do Consumidor 2025 https://www.pwc.com.br/pt/estudos/setores-atividade/produtos-consumo-varejo/2025/voz-do-consumidor-2025.html
Folha de S.Paulo sobre uso de chatbots para dietas e treinos
https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2026/08/pessoas-recorrem-a-chatbots-para-montar-treinos-e-dietas-mas-especialistas-alertam-para-riscos-a-saude.shtml
TIC Saúde 2025
https://obia.nic.br/tic-saude-2025
Release oficial do NIC.br sobre IA na saúde
https://www.nic.br/noticia/releases/uso-de-inteligencia-artificial-avanca-na-saude-brasileira-mas-ainda-se-concentra-em-tarefas-operacionais/
Nenhum comentário:
Postar um comentário