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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Setembro em Flor: por que a campanha dos cânceres ginecológicos merece a mesma atenção do Outubro Rosa

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Prof. Dr. José Carlos Sadalla, oncoginecologista da Clínica Andrade & Sadalla, explica por que os cânceres ginecológicos, que afetam mais de 30 mil brasileiras por ano, ainda ficam à sombra da conscientização consolidada em torno do câncer de mama

 

Quando o mês de outubro chega, o país inteiro se veste de rosa. Campanhas, iluminação de monumentos, matérias na imprensa: o Outubro Rosa se consolidou como uma das ações de conscientização em saúde mais bem-sucedidas do Brasil, e o resultado prático disso é visível, com mais mulheres fazendo mamografia e buscando diagnóstico precoce. Mas um mês antes, em setembro, uma campanha igualmente urgente ainda luta para conquistar o mesmo espaço na consciência coletiva: o Setembro em Flor, dedicado aos cânceres ginecológicos.
 

Um grupo de cânceres que atinge 30 mil brasileiras por ano 

Idealizada em 2021 pelo Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA), a campanha Setembro em Flor reúne cinco tipos de câncer que afetam o sistema reprodutor feminino: colo do útero, ovário, endométrio, vagina e vulva. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), mais de 30 mil mulheres são diagnosticadas com algum desses tumores por ano no Brasil, um número que coloca esse grupo de cânceres como um dos mais relevantes da saúde feminina, ainda que menos conhecido do público em geral do que o câncer de mama. 

Para o Prof. Dr. José Carlos Sadalla, médico oncoginecologista e cofundador da Clínica Andrade & Sadalla, essa diferença de visibilidade tem consequências diretas na vida das pacientes. 

"O Outubro Rosa foi um sucesso extraordinário de saúde pública, e isso é motivo de celebração: salvou e continua salvando vidas todos os anos. Mas os cânceres ginecológicos, como um todo, afetam um número de mulheres muito próximo ao do câncer de mama isoladamente, e ainda assim não têm nem de longe o mesmo nível de conhecimento popular. Muitas pacientes não sabem diferenciar os sintomas de cada um desses tumores, e isso atrasa diagnósticos que poderiam ser feitos de forma muito mais precoce. O Setembro em Flor precisa da mesma força de mobilização que o Outubro Rosa conquistou", afirma Dr. Sadalla.
 

O câncer de colo do útero: o mais prevenível de todos

Entre os cinco tumores contemplados pela campanha, o câncer de colo do útero é o mais comum e, ao mesmo tempo, um dos mais evitáveis da medicina moderna, já que sua principal causa, a infecção persistente pelo HPV, pode ser prevenida por vacina e o próprio câncer pode ser rastreado por um exame simples e amplamente disponível, o papanicolau e a pesquisa do DNA-HPV. Ainda assim, o Brasil registra milhares de novos casos por ano, muitos deles em regiões com menor acesso a rastreamento regular, o que reforça que a lacuna, aqui, é mais de informação e acesso do que de tecnologia médica disponível.

 

Câncer de ovário e endométrio: os desafios do diagnóstico silencioso

Já o câncer de ovário carrega um desafio bem diferente: não existe, até hoje, um exame de rastreamento populacional eficaz, como existe para o colo do útero. Isso faz com que grande parte dos diagnósticos aconteça apenas quando sintomas como inchaço abdominal persistente, dor pélvica e alterações intestinais ou urinárias já estão presentes, muitas vezes em estádios mais avançados da doença. O câncer de endométrio, por sua vez, costuma surgir após a menopausa e tem no sangramento vaginal anormal seu principal sinal de alerta, um sintoma que nunca deveria ser normalizado ou ignorado nessa fase da vida.

 

A boa notícia por trás dos números

Apesar da magnitude desses números, existe um ponto em comum entre todos os cânceres ginecológicos que deveria ser o centro da mensagem de setembro: quando descobertos precocemente, esses tumores têm altas taxas de tratamento bem-sucedido. A diferença entre um diagnóstico feito no início e um diagnóstico tardio, em praticamente todos os casos, é a diferença entre um tratamento mais simples e um tratamento muito mais complexo e agressivo. 

"Assim como aprendemos, coletivamente, a associar outubro ao autoexame das mamas e à mamografia, precisamos aprender a associar setembro à ida regular ao ginecologista, ao papanicolau em dia, à atenção redobrada a sangramentos fora do padrão e a sintomas persistentes que muitas vezes são minimizados. Não é sobre gerar medo, é sobre gerar o mesmo hábito de cuidado que já conquistamos com outras campanhas", completa o especialista.


Clínica Andrade & Sadalla
Av. Ibirapuera, 2.907, conjunto 720, Moema, São Paulo.
Instagram: @clinicaandradesadalla

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