Quando a temperatura muda rapidamente e aparecem coriza, congestão
nasal, dor de cabeça ou desconforto na garganta, é muito comum a pessoa pensar:
‘já tive isso antes, sei o que tomar’. O problema é que sintomas parecidos
podem ter causas diferentes e aquele medicamento guardado da última vez pode
não ser adequado para a situação atual.
São esses usos de analgésicos, antitérmicos, antialérgicos,
descongestionantes, antiácidos, xaropes e outros medicamentos que podem
esconder perigos. Segundo o farmacêutico homeopata Jamar
Tejada, as mudanças bruscas de temperatura favorecem justamente
um comportamento que merece atenção: tratar sintomas aparentemente conhecidos
com medicamentos que já estão disponíveis em casa.
Remédio que sobrou não é tratamento para o próximo episódio
Um dos principais problemas da farmacinha doméstica é a tendência
de transformar uma prescrição antiga em uma espécie de recomendação permanente.
Isso vale especialmente em períodos de grande oscilação térmica, quando quadros
alérgicos, irritativos e infecciosos podem apresentar manifestações parecidas.
“Espirro, coriza e nariz entupido não significam necessariamente a
mesma coisa em todas as ocasiões. Quando reutilizamos automaticamente o que
funcionou no passado, podemos apenas mascarar sintomas ou utilizar um
medicamento sem necessidade”, alerta Jamar.
É comum, por exemplo, alguém tomar um analgésico para dor de
cabeça e, pouco depois, recorrer a um medicamento combinado para sintomas de
gripe ou resfriado sem perceber que ele pode conter um princípio ativo
semelhante ou da mesma classe.
“Um dos hábitos mais importantes é olhar a composição, e não
apenas o nome da caixa. O risco é tomar dois produtos que tenham o mesmo princípio
ativo e, sem perceber, acabar aumentando a dose total”, explica o farmacêutico.
Cinco perguntas antes de tomar aquele
remédio que está na gaveta
Antes de recorrer à farmacinha doméstica, Jamar recomenda fazer
uma pequena checagem:
Está dentro da validade? Medicamentos vencidos não devem ser
utilizados.
Foi armazenado corretamente? calor, luz e umidade podem comprometer
o medicamento mesmo que ele ainda esteja dentro do prazo de validade.
Eu sei exatamente o que estou tomando? É importante conhecer o princípio
ativo e a concentração, e não apenas reconhecer a embalagem.
Estou usando outro medicamento com a mesma substância ou com
possibilidade de interação? Produtos diferentes podem compartilhar componentes.
Esse medicamento foi indicado para este problema atual? Uma recomendação recebida meses ou
anos atrás não deve ser automaticamente reaproveitada para um novo episódio.
Nem tudo precisa de um remédio
“Criamos uma relação muito automática entre sintoma e medicamento.
Sentiu dor, toma alguma coisa. Espirrou, procura um antialérgico. Entupiu o
nariz, usa um descongestionante. Mas antes de medicar é preciso entender o que
está acontecendo, principalmente quando os sintomas são persistentes, intensos,
diferentes do habitual ou recorrentes”, afirma.
O farmacêutico também chama atenção para grupos que precisam de
cuidado especial com a automedicação, como crianças, idosos, gestantes e
pessoas que utilizam medicamentos continuamente ou convivem com doenças
crônicas.
Com as temperaturas oscilando, portanto, pode ser uma boa hora não
apenas para separar o casaco e o guarda-chuva, mas também para fazer uma
revisão da farmacinha de casa.
“Ter alguns medicamentos em casa pode ser útil quando existe
orientação para utilizá-los. O problema começa quando a gaveta vira um pequeno
estoque de tratamentos antigos e passamos a escolher o que tomar com base
apenas no sintoma. Farmacinha doméstica precisa de organização e critério, não
de acúmulo”, conclui Jamar Tejada.
Jamar Tejada - Farmacêutico graduado pela Faculdade de Farmácia e Bioquímica pela Universidade Luterana do Brasil, RS (ULBRA), Pós-Graduação em Gestão em Comunicação Estratégica Organizacional e Relações Públicas pela USP (Universidade de São Paulo), Pós-Graduação em Medicina Esportiva pela (FAPES), Pós-Graduação em Comunicação com o Mercado pela ESPM, Pós-Graduação em Formação para Dirigentes Industriais com Ênfase em Qualidade Total - Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul-(UFRGS) e Pós-Graduação em Ciências Homeopáticas pelas Faculdades Associadas de Ciências da Saúde. Proprietário e Farmacêutico Responsável da ANJO DA GUARDA Farmácia de manipulação e homeopatia desde agosto 2008. tejard Link
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