Tecnologia da IA não é o caminho certo para tudo,
especialmente na maternidade, destaca psicanalista
Por muito tempo,
quando uma mãe enfrentava alguma dúvida em relação a educação dos filhos, ela
ligava para a própria mãe, para uma amiga ou buscava conversar com a
professora. Hoje, além de todas essas pessoas, existe uma nova opção, uma
ferramenta que está disponível 24 horas por dia, não se cansa, não julga e
sempre tem uma resposta: a Inteligência Artificial (IA).
“Como faço para
meu filho me obedecer?” “Como posso lidar com a falta de cooperação do meu
filho?” Basta digitar numa dessas ferramentas de IA e em poucos segundos,
aparece uma resposta, na maioria das vezes bem escrita, tranquila, acolhedora e
inteligente.
“As informações
que são compartilhadas ali até podem ajudar. Contudo, há uma pergunta
importante que precisamos fazer: uma boa resposta é necessariamente a resposta
certa para o meu filho? A IA pode ofertar várias estratégias, auxiliar a
estabelecer limites claros, conversar olhando nos olhos, oferecer duas opções,
valorizar comportamentos positivos, criar uma rotina. Tudo isso pode ser ótimo.
Mas falta a ela algo essencial que é conhecer a criança”, explica a
psicanalista e hipnoterapueta Yafit Laniado, criadora da Relacionamentoria,
consultoria especializada no relacionamento entre pais e filhos.
Para a questão da
desobediência, por exemplo, é fundamental saber o que aconteceu naquela casa
minutos antes, como tem sido a convivência e o relacionamento familiar e o que
está por trás daquele comportamento. “Pode ser uma busca por atenção, uma
disputa de poder, uma necessidade de pertencer ou um padrão de relacionamento
que já se estabeleceu entre mãe e filho”, explica Yafit.
A IA pode dar uma
resposta completa a uma pergunta, mas quem está lidando com uma criança
inteira, com uma história e personalidade, com uma relação única é a mãe. É ela
quem pode perceber o olhar daquela criança e decifrar sentimentos e
comportamentos que a tecnologia não pode traduzir.
“Não devemos parar
de perguntar à Inteligência Artificial. Ela é uma
excelente ferramenta que pode nos ajudar a pensar, apresentar novas
possibilidades, trazer ideias e até nos fazer enxergar uma situação por outro
ângulo. Mas, quando falamos de educação dos filhos, muitas vezes o problema não
é a falta de soluções, mas o excesso de opiniões e a falta de compreensão”,
ressalta Yafit.
As respostas para
um comportamento inadequado dos filhos podem vir a partir da realização de
questões dos pais para eles mesmos, como ‘o que meu filho está buscando através
desse comportamento?’, ‘o que está acontecendo entre
nós nesse momento?’, ‘a minha reação está ajudando ou mantendo esse ciclo?’, e
‘como posso mudar a dinâmica entre nós, em vez de apenas tentar mudar o
comportamento dele?’.
“São perguntas muito mais difíceis de encontrar em uma resposta pronta. E aí, às vezes, uma mãe não precisa de mais um conselho, mas de alguém que a ajude a enxergar seu filho de uma maneira diferente. Quando a compreensão muda, muitas vezes, a maneira de educar também muda”, diz Yafit.
“É preciso
entender que educar não é simplesmente encontrar a frase certa para dizer. É
entender o que está acontecendo por trás do comportamento e aprender a agir de
uma forma diferente”, conclui.
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