Projeto de Lei estabelece diretrizes para incorporar a proteção da infância e da adolescência às políticas de prevenção e adaptação climática e representa avanço na garantia do direito à natureza; decisão ganha peso ainda maior diante das projeções para o super El Niño de 2026/2027
O Senado aprovou, na quarta (2/9), o PL 2.225/2024, conhecido
como ECA Ambiental, um avanço importante para incorporar a proteção de crianças
e adolescentes às políticas de prevenção, adaptação e resposta à crise
climática no Brasil. A aprovação é resultado de uma construção conjunta entre
parlamentares, organizações da sociedade civil, especialistas em crianças e
adolescentes, que participaram da mobilização em torno da proposta desde o
início de sua tramitação. O próximo passo, agora, é o encaminhamento do projeto
para sanção presidencial.
Para o Alana, a aprovação representa um passo fundamental para
garantir, com prioridade absoluta, o direito de crianças e adolescentes à
natureza e a um ambiente saudável, além de fortalecer escolas mais resilientes
e uma educação baseada na natureza. O projeto cria diretrizes para que crianças
e adolescentes sejam levados em conta nas políticas de prevenção e adaptação às
mudanças climáticas e prevê, também, medidas para manter serviços essenciais,
como educação, saúde e assistência social, durante situações de desastre e
reforçar o atendimento à população de crianças e adolescentes. A proposta não
cria novas despesas obrigatórias para a União.
A aprovação do ECA Ambiental ganha peso ainda maior diante das
projeções para o super El Niño de 2026/2027. Os cenários climáticos alertam
para chuvas acima da média no Sul durante o último trimestre de 2026, períodos
de menor precipitação na Amazônia e em parte do Nordeste, além de temperaturas
mais altas em grande parte do país. A combinação desses fatores pode aumentar o
risco de incêndios florestais e a ocorrência de eventos extremos, com impactos
especialmente graves para crianças e adolescentes.
“O avanço do ECA Ambiental reforça a necessidade de colocar a
infância no centro das decisões sobre o clima e abre caminho para que as
políticas de adaptação climática passem a considerar, de forma mais concreta,
as necessidades de crianças e adolescentes. É também um passo para preparar
melhor escolas, cidades e territórios para uma realidade em que eventos
extremos tendem a ser cada vez mais presentes. O trabalho, porém, não termina
com a aprovação da lei: será preciso transformar o avanço no Congresso em
políticas públicas capazes de responder aos impactos que crianças e
adolescentes já enfrentam e aos que podem surgir nos próximos anos”, diz
Tayanne Galeno, coordenadora de Relações Governamentais do Alana.
Sobre o Alana
O Alana é um ecossistema de impacto socioambiental que trabalha para transformar as condições de vida das crianças e dos adolescentes no Brasil e no mundo. Atua em múltiplas frentes — educação, ciência, saúde, entretenimento e advocacy — para garantir os direitos das crianças e influenciar políticas públicas e culturais que afetam suas vidas no presente e no futuro. Formado pelo Instituto Alana, pela Alana Foundation e pela Maria Farinha Filmes, o ecossistema desenvolve iniciativas que vão da produção de conhecimento científico à criação de campanhas e conteúdos culturais, passando por articulação política e ações jurídicas. Todas as suas organizações atuam de forma interligada e convergente, com foco na construção de uma sociedade mais justa, sustentável e inclusiva para as infâncias e as adolescências.
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