Levantamento do Instituto Casagrande Social com 7.246 docentes mostra que 68,9% têm dificuldade de se desligar do trabalho e 17,4% precisaram se afastar no último ano
Dois em cada três professores que participaram da
pesquisa nacional O Estado
do Professor Brasileiro 2026 afirmam sentir esgotamento
emocional com frequência. O índice chega a 66,4% entre os 7.246 docentes ouvidos pelo
Instituto Casagrande Social.
Os dados mostram que o desgaste profissional não
necessariamente termina quando o professor deixa a escola. Segundo o
levantamento, 68,9% dos participantes dizem
ter dificuldade de se desligar mentalmente das responsabilidades profissionais.
Planejamento, correções, registros, comunicação com as famílias e preocupações
com os estudantes continuam presentes em noites, fins de semana e períodos que
deveriam ser destinados ao descanso.
Para o presidente do Instituto Casagrande Social, Renato Casagrande, doutor em Educação e
condutor da pesquisa, o resultado chama atenção para a
necessidade de olhar o esgotamento docente para além da responsabilidade
individual.
“Não se resolve o esgotamento docente apenas dizendo ao
professor que ele precisa cuidar de si. O professor precisa cuidar de sua
saúde, mas a escola e a sociedade também precisam cuidar do professor”, afirma
Casagrande.
Esgotamento já se reflete em afastamentos
Outro dado da pesquisa amplia o alerta: 17,4% dos professores participantes afirmaram
ter se afastado do trabalho nos últimos 12 meses. O estudo
ressalta que esse indicador não representa um diagnóstico clínico e tampouco
permite atribuir todos os afastamentos exclusivamente à saúde mental. Ainda assim,
a combinação entre esgotamento, dificuldade de desligamento, trabalho realizado
fora da jornada e afastamentos evidencia um cenário que merece atenção de
escolas, redes de ensino, gestores públicos e da sociedade.
O levantamento também aponta que 76,5% dos docentes trabalham regularmente além
da jornada contratada, enquanto 71,3% percebem que suas responsabilidades aumentaram.
Na avaliação de Casagrande, os números mostram que o
debate sobre saúde emocional precisa considerar também a forma como o trabalho
docente está organizado.
“Quando o professor continua mentalmente conectado às
responsabilidades da escola durante noites, fins de semana e períodos de
descanso, o problema deixa de ser apenas uma questão de autocuidado. Os dados
mostram a necessidade de discutir também jornada, tarefas, apoio e condições de
trabalho”, afirma o pesquisador.
Autocuidado não basta sem mudanças nas
condições de trabalho
A partir dos resultados, o Instituto Casagrande Social
defende que medidas individuais de cuidado com a saúde sejam acompanhadas por
ações institucionais. Entre os pontos destacados estão a revisão de tarefas burocráticas, o respeito aos
limites da jornada, o fortalecimento das equipes de apoio e a criação de
espaços permanentes de escuta.
“O dado mais importante talvez seja perceber que o
esgotamento não aparece isoladamente. Ele está acompanhado da dificuldade de se
desligar do trabalho, da extensão da jornada e do aumento das
responsabilidades. Cuidar do professor exige enxergar esse conjunto”, destaca Renato
Casagrande.
Sobre a pesquisa
A pesquisa O Estado
do Professor Brasileiro 2026, realizada pelo Instituto
Casagrande Social, ouviu 7.246
professores da Educação Básica, das redes pública e privada,
nas 27 unidades da Federação.
A participação ocorreu de forma voluntária, por meio de questionário digital, e
a amostra é não probabilística por adesão.
Por essa razão, os resultados descrevem os participantes do levantamento e não
constituem estimativas probabilísticas de todo o universo docente brasileiro.
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