Perda
acelerada de peso pode alterar volume, contorno e sustentação facial; Dra.
Fernanda Nichelle explica por que o rosto também precisa ser acompanhado
durante grandes transformações corporaisReprodução Internet
Emagrecer pode transformar o corpo em poucos meses, mas o espelho também pode revelar mudanças inesperadas no rosto. Quando a perda de peso acontece de forma intensa e acelerada, a redução de gordura não fica restrita à barriga, braços ou pernas: ela também pode atingir compartimentos de gordura importantes para a sustentação e o contorno facial.
O resultado pode aparecer como um rosto mais afinado, têmporas marcadas, olheiras mais profundas, sulcos evidentes, perda de definição e até uma aparência de cansaço ou envelhecimento. O fenômeno, que ganhou espaço nas redes sociais e entre pacientes que passaram por grandes transformações corporais, exige atenção justamente porque cada rosto reage de uma maneira.
Para a Dra. Fernanda Nichelle, médica que atua exclusivamente na área estética e é reconhecida nacionalmente pela naturalidade de seus resultados e por cuidar da beleza de diversos famosos, a mudança acontece porque o rosto também acompanha a redução de gordura corporal.
“Quando existe uma perda de peso importante em um período curto, podemos perceber mudanças significativas no rosto. A gordura facial tem uma função estrutural e de sustentação, então, quando existe uma redução desse volume, algumas regiões podem ficar mais evidentes e a face pode adquirir um aspecto mais cansado ou envelhecido”, explica.
Não existe uma quantidade exata de quilos perdida que determine quando o rosto começará a mudar. A resposta depende de fatores individuais, como genética, idade, qualidade da pele, quantidade de gordura facial, velocidade do emagrecimento e características da própria estrutura óssea.
“Duas pessoas podem perder exatamente o mesmo peso e apresentar mudanças completamente diferentes no rosto. Algumas têm uma reserva de gordura facial maior, outras têm a pele mais elástica, outras já apresentam uma perda de volume relacionada ao processo natural de envelhecimento. Por isso, não podemos olhar apenas para a balança”, afirma Fernanda.
A médica explica que o envelhecimento facial é resultado da combinação de diferentes processos. Com o passar dos anos, há alterações na pele, no colágeno, na gordura e nas estruturas profundas que dão sustentação à face. Uma perda de peso muito rápida pode tornar algumas dessas mudanças mais perceptíveis.
“É importante entender que não estamos falando apenas de flacidez. Existe uma combinação de perda de volume, qualidade da pele e alterações estruturais. O rosto é tridimensional e precisa ser avaliado como um todo”, pontua.
Com a percepção de um rosto mais fino ou envelhecido após o emagrecimento, uma reação comum é buscar procedimentos para recuperar imediatamente o volume perdido. Mas, segundo Fernanda, essa não deve ser uma decisão automática.
“Quando a pessoa olha no espelho e percebe que emagreceu muito no rosto, pode surgir a vontade de preencher tudo. Mas devolver volume indiscriminadamente não é o caminho. Precisamos entender onde realmente houve perda e o que pode ser melhorado sem alterar a identidade daquele rosto”, explica.
Para a especialista, o principal desafio da estética nesses casos é justamente tratar sem exagerar.
“Existe uma diferença muito grande entre recuperar uma estrutura e transformar o rosto. A reposição precisa ser estratégica e respeitar as proporções individuais. Se colocamos volume onde não existe necessidade, podemos criar um resultado artificial e até deixar a face mais pesada”, afirma.
Além da perda de volume, a qualidade da pele merece atenção durante grandes processos de emagrecimento. Hidratação, proteção solar, alimentação adequada e estratégias para estimular a produção de colágeno podem contribuir para que a pele acompanhe melhor a mudança corporal.
“A pele também passa por esse processo. Quando existe uma transformação corporal importante, precisamos olhar para hidratação, elasticidade, colágeno e qualidade cutânea. Não adianta tratar somente o volume se a pele também está precisando de cuidados”, destaca a médica.
Fernanda reforça, porém, que procedimentos estéticos não devem ser vistos como uma obrigação depois do emagrecimento. A necessidade de qualquer intervenção depende da avaliação individual.
“Nem todo mundo que emagrece precisa fazer procedimento no rosto. Algumas pessoas vão perceber mudanças muito discretas e outras terão uma alteração mais evidente. O primeiro passo é sempre avaliar e entender o que realmente incomoda o paciente”, diz.
Para a médica, o acompanhamento durante o processo de emagrecimento pode ser mais importante do que tentar corrigir todas as mudanças depois que elas já aconteceram.
“O ideal é acompanhar essa transformação. Quando entendemos como o rosto está respondendo ao emagrecimento, conseguimos tomar decisões mais delicadas e personalizadas. A estética não precisa esperar o problema aparecer para começar a agir”, afirma.
A especialista também defende que o objetivo não deve ser recuperar exatamente o rosto anterior ao emagrecimento, mas encontrar um equilíbrio entre a nova aparência corporal e a identidade facial.
“Eu não acredito em devolver um rosto para um passado que já não existe. A pessoa mudou, o corpo mudou e o rosto também pode mudar. O nosso papel é fazer com que essa transformação aconteça de uma maneira harmônica, saudável e natural”, conclui Fernanda.
No fim, o chamado “rosto de emagrecimento” reforça uma
questão que vai além da estética: grandes transformações corporais também
precisam ser observadas no rosto. Mais do que combater cada sinal que aparece
no espelho, a proposta é entender as mudanças e preservar aquilo que torna cada
pessoa única.
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