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| Desafio não está em escolher entre carreira e família, mas em permitir ue essas dimensões coexistam com responsabilidade e propósito. freepik |
Conciliar carreira
e família nunca foi uma tarefa simples. Em um cenário marcado por jornadas
intensas, conectividade constante e múltiplas responsabilidades, um dos
principais desafios contemporâneos é transitar entre as diferentes dimensões da
vida sem transformar o equilíbrio em uma busca permanente pela perfeição.
O trabalho ocupa
um lugar importante na vida das pessoas e, para além da dimensão financeira,
pode representar realização, identidade, autonomia, desenvolvimento e propósito.
O que mudou nas últimas décadas foi principalmente nossa relação com o tempo e
a disponibilidade. A tecnologia ampliou possibilidades e tornou mais fluidas as
fronteiras entre vida profissional e pessoal: ao mesmo tempo em que respondemos
mensagens de trabalho fora do expediente, também resolvemos questões
particulares durante a jornada.
Nesse contexto,
equilíbrio tem menos relação com dividir igualmente tempo e energia e mais com
reconhecer o que cada momento exige. Haverá fases em que o trabalho demandará
maior dedicação; em outras, família, saúde ou questões pessoais precisarão
ocupar o primeiro plano. Planejamento, inteligência emocional, comunicação,
autoconhecimento e organização tornam-se fundamentais para administrar
prioridades, energia e atenção.
Para Jaqueline
Bernardi, coordenadora do GESTA (Gestão e Desenvolvimento de Talentos) e
professora da Afya Centro Universitário de Pato Branco, o desafio não está em
escolher entre carreira e família, mas em permitir que essas dimensões
coexistam com responsabilidade e propósito.
“Equilíbrio entre
carreira e família não significa dividir o tempo igualmente entre todas as
áreas da vida, tampouco trabalhar menos, sonhar menos ou se dedicar menos.
Equilíbrio não é uma medida exata, mas uma construção que se transforma à
medida que a própria vida muda. Haverá fases em que a carreira exigirá mais
tempo e energia, assim como existirão momentos em que a família, a saúde ou
outras dimensões precisarão ocupar o primeiro plano. O essencial é ter
consciência dessas escolhas e reconhecer onde nossa presença é verdadeiramente
necessária”, afirma Jaqueline.
Outro aspecto
importante é a confiança construída ao longo da trajetória. Dedicação,
responsabilidade, honestidade e constância fortalecem a credibilidade
profissional e os vínculos pessoais. Essa confiança favorece a compreensão e a
reciprocidade quando acontecimentos inesperados exigem uma reorganização
temporária das prioridades.
“Quando
construímos uma trajetória de compromisso e responsabilidade, também
construímos confiança. E confiança gera reciprocidade. Em algum momento, todos
podemos precisar direcionar nossa atenção para a família, enfrentar um
acontecimento inesperado ou estabelecer um limite necessário para cuidar de
algo importante na vida pessoal. Uma relação profissional madura consegue
compreender esses movimentos porque conhece a história que existe antes daquele
momento”, destaca a coordenadora do GESTA da Afya de Pato Branco.
Estabelecer
limites também é importante. A flexibilidade proporcionada pela tecnologia não
pode se transformar em disponibilidade permanente. O que tende a gerar
sobrecarga não são as exceções ou períodos pontuais de maior dedicação, mas os
excessos recorrentes que passam a fazer parte da rotina sem uma escolha
consciente. Organizar a agenda, conversar sobre expectativas, compartilhar
responsabilidades e preservar momentos de convivência ajudam a construir uma
relação mais saudável com o tempo. Descanso, lazer, atividade física, sono e
autocuidado também sustentam energia, concentração, criatividade e qualidade
das relações e das entregas profissionais.
As organizações
têm papel relevante nesse processo. Ambientes orientados para resultados e alta
performance não precisam estar em oposição a relações humanas e saudáveis.
Expectativas claras, confiança, desenvolvimento e respeito contribuem para que
as pessoas consigam manter boas entregas ao longo do tempo.
“Valorizar as
pessoas não significa reduzir a exigência ou renunciar a resultados. Significa
criar condições para que essa exigência tenha clareza, propósito e sentido,
sustentada pelo diálogo, pela confiança e pela responsabilidade. Quando
desenvolvimento e resultados caminham na mesma direção, fortalecemos não apenas
as entregas, mas também as pessoas e as relações”, ressalta Jaqueline.
Pequenas escolhas fazem diferença
Não existe uma
fórmula única para integrar carreira, família e vida pessoal, mas algumas
escolhas podem ajudar: organizar a semana a partir das prioridades; diferenciar
o urgente daquilo que apenas parece urgente; preservar momentos de presença com
pessoas importantes; compartilhar responsabilidades; reservar espaço para
descanso, lazer e autocuidado; aprender a dizer “não” quando necessário; usar a
tecnologia sem transformar disponibilidade em obrigação; e compreender que as
prioridades podem mudar ao longo da vida.
Mais do que
encontrar uma divisão ideal entre carreira e família, o desafio está em fazer
escolhas conscientes. É possível assumir grandes responsabilidades, buscar
resultados e construir uma carreira relevante sem perder de vista os vínculos e
aquilo que dá sentido à trajetória.
“Uma trajetória
verdadeiramente bem-sucedida não se mede pela capacidade de distribuir o tempo
igualmente entre todas as áreas da vida, mas pela consciência com que fazemos
nossas escolhas. Trabalho e família não precisam ocupar lados opostos. São
dimensões que se atravessam, se sustentam e, quando conduzidas com consciência
e propósito, podem se fortalecer mutuamente. Equilíbrio é reconhecer o que cada
fase da vida nos pede, compreender onde nossa presença é necessária e colocar
tempo, energia e dedicação naquilo que escolhemos construir”, conclui
Jaqueline, coordenadora do GESTA da Afya de Pato Branco.
Afya
ir.afya.com.br

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