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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Viver mais não significa viver melhor: de que adianta aumentar a longevidade sem preservar a funcionalidade?

 

No Dia Internacional das Pessoas Idosas, pesquisador brasileiro que atua na área de envelhecimento e longevidade explica por que ampliar a expectativa de vida precisa vir acompanhado de autonomia e funcionalidade
 


O aumento da expectativa de vida é uma das principais conquistas da medicina nas últimas décadas, mas viver mais anos não significa, necessariamente, viver com autonomia e qualidade de vida. Para o pesquisador brasileiro David Amorim, que atua no campo do envelhecimento e da longevidade, o desafio atual está justamente em ampliar os anos vividos com funcionalidade, independência e participação ativa na sociedade.

A discussão ganha destaque em 1º de outubro, Dia Internacional das Pessoas Idosas, data criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para chamar atenção para as questões relacionadas ao envelhecimento da população e aos direitos das pessoas idosas.

Segundo David, pensar em longevidade exige ir além do número de anos vividos. “O objetivo não deve ser apenas acrescentar anos à vida, mas preservar a capacidade de viver bem esses anos. Com autonomia, funcionalidade e qualidade de vida. Envelhecer faz parte do curso natural da vida, mas a forma como envelhecemos é influenciada por diferentes fatores ao longo de toda a trajetória”, explica.

Com isso, a capacidade funcional ganha importância, ela está relacionada à possibilidade de uma pessoa realizar suas atividades cotidianas, tomar decisões, se locomover, manter relações sociais e participar da vida em comunidade. Quando essa capacidade é preservada, o envelhecimento pode ser vivido de maneira mais independente, mesmo diante das mudanças naturais associadas à idade.

Para o especialista, também é importante evitar a ideia de que envelhecer significa necessariamente adoecer ou perder autonomia. O processo de envelhecimento é heterogêneo e pode acontecer de maneiras muito diferentes entre pessoas da mesma idade.

“Duas pessoas com a mesma idade cronológica podem apresentar condições de saúde, níveis de necessidade e capacidades funcionais muito diferentes. Por isso, não podemos olhar para a idade isoladamente. Precisamos compreender o indivíduo de forma integral e considerar aspectos sociais, culturais e emocionais, além das condições físicas e cognitivas”, afirma David.

Por isso, a discussão sobre envelhecimento saudável envolve também prevenção e planejamento ao longo do curso da vida. Manter-se fisicamente ativo, cuidar de doenças crônicas, preservar vínculos sociais, estimular a saúde cognitiva e ter acesso adequado à assistência médica são alguns dos elementos que podem contribuir para a manutenção da funcionalidade.

“Longevidade não é um projeto que começa aos 60 ou 70 anos. O envelhecimento começa no nascimento, e muitas das condições que encontramos na velhice têm relação com fatores acumulados ao longo das décadas. Pensar antecipadamente sobre saúde e funcionalidade é uma forma de ampliar as possibilidades de envelhecer bem, mas nunca é tarde para agir”, destaca.

A discussão também passa pela necessidade de repensar a própria ideia de velhice. Com o aumento da longevidade, pessoas acima dos 60 anos permanecem por mais tempo trabalhando, estudando, viajando, criando novos projetos e participando ativamente da sociedade.

Para David, preservar autonomia significa também garantir que a pessoa idosa continue tendo espaço para fazer escolhas e participar das decisões sobre a própria vida. “Muitos enxergam o cuidado como sinal de uma dependência indesejada, mas cuidar não significa substituir a autonomia da pessoa. Todo ser humano cuida e é cuidado em pelo menos um momento da vida. Essa verdade humana não pode ser interpretada como uma ferida à dignidade da pessoa cuidada. Por isso, é preciso encontrar um equilíbrio entre oferecer suporte quando necessário e preservar a capacidade de escolha e participação do indivíduo”, conclui.

 

David Amorim - pesquisador brasileiro, único brasileiro mestre em Antropologia Médica por Harvard e Research Associate do Marcus Institute for Aging Research, ligado à Harvard Medical School, em Boston. Atua nas áreas de envelhecimento, demência, cuidado e saúde global, com pesquisas voltadas à compreensão dos aspectos sociais, culturais e humanos relacionados ao envelhecimento e à assistência. Em 2025, teve um trabalho reconhecido pela American Geriatrics Society na categoria Ethics & Qualitative Research e posteriormente publicado no Journal of the American Geriatrics Society. No Brasil, também atua como consultor do Ministério da Saúde.

 

Aos 70, 80 e além: nova geração de idosos desafia a ideia de que envelhecer é sinônimo de parar

No Dia Internacional da Pessoa Idosa, SBOT-PR chama atenção para um envelhecimento cada vez mais ativo, sem deixar de lado os cuidados com quedas, fragilidade óssea e perda de mobilidade


Aos 70 anos, fazer musculação. Aos 75, pedalar. Aos 80, continuar caminhando, viajando ou praticando o esporte que acompanha uma vida inteira. A imagem da velhice associada necessariamente à limitação física já não corresponde à realidade de uma parcela crescente da população que chega às idades mais avançadas com disposição para permanecer ativa. 

Ao mesmo tempo, existe outro cenário que não pode ser ignorado. Pessoas da mesma idade podem apresentar perda de força, dificuldade para caminhar, fragilidade óssea e maior risco de quedas. Para a ortopedia, essas duas realidades mostram por que falar sobre envelhecimento exige olhar menos para o número registrado na carteira de identidade e mais para a capacidade funcional de cada pessoa. 

No Brasil, esse novo olhar sobre o envelhecimento acompanha uma transformação demográfica cada vez mais evidente. A população com 60 anos ou mais chegou a 34,1 milhões de pessoas em 2024, ante 22 milhões em 2012, segundo o IBGE. No mesmo ano, a expectativa de vida dos brasileiros alcançou 76,6 anos. Os números ajudam a dimensionar uma realidade que já aparece nos consultórios: além de viver mais, parte dessa população chega às idades mais avançadas com novos objetivos, investindo na saúde, mantendo uma rotina ativa e buscando preservar mobilidade, independência e qualidade de vida. 

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia da Regional Paraná (SBOT-PR), Dr. Thiago S. Busato, os consultórios já ajudam a revelar essa transformação. “Hoje recebemos pacientes com 70, 80 anos ou mais que fazem musculação, correm, pedalam, caminham, jogam basquete e têm uma rotina extremamente ativa. São pessoas que investiram e continuam investindo na própria saúde e não chegam ao consultório dispostas a abrir mão dessa vida. Muitas procuram tratamento justamente porque querem continuar fazendo aquilo que gostam.” 

O olhar coincide com uma mudança importante no próprio conceito de envelhecimento saudável. Para a Organização Mundial da Saúde, o foco não está apenas na presença ou ausência de doenças, mas na capacidade funcional, relacionada à possibilidade de a pessoa continuar fazendo aquilo que considera importante para sua vida. A OMS reconhece ainda que pessoas idosas da mesma idade podem apresentar níveis muito diferentes de capacidade física e mental.

 

Mais anos, mas também mais vida nos anos

A mudança é particularmente importante para a ortopedia. Se antes uma cirurgia ou outro tratamento em idade avançada podia ser pensado principalmente a partir das necessidades básicas de locomoção, hoje é cada vez mais necessário conhecer a rotina e os objetivos daquele paciente. Para alguém que pratica esporte, por exemplo, voltar a caminhar dentro de casa pode não representar o resultado funcional que espera. Outro paciente da mesma idade pode ter como principal objetivo conseguir novamente levantar sozinho, caminhar com segurança ou realizar atividades cotidianas sem depender de terceiros. 

“Não existe um paciente padrão aos 70 ou aos 80 anos. Temos pessoas muito ativas e outras bastante frágeis na mesma faixa etária. A idade continua sendo uma informação importante, mas precisamos considerar condição física, doenças associadas, mobilidade, saúde óssea e, principalmente, o que aquela pessoa precisa e deseja recuperar”, explica Busato. 

Nesse novo cenário, manter-se fisicamente ativo tem papel importante. O Ministério da Saúde aponta que a atividade física regular contribui para preservar autonomia e independência, melhorar equilíbrio e postura, proteger ossos e articulações e reduzir o risco de quedas. A orientação é que as atividades sejam adequadas às condições individuais. 

Para Busato, o movimento precisa ser entendido também como investimento para os anos que virão. “Nós estamos vivendo mais, mas a grande questão é como queremos viver esses anos adicionais. Manter força, mobilidade e equilíbrio ajuda a preservar independência e qualidade de vida. É uma construção que começa antes da velhice e que pode continuar mesmo em idades mais avançadas.”

 

Do outro lado, a fragilidade continua exigindo atenção

A existência de uma geração mais ativa não elimina uma realidade importante da população idosa. No Brasil, o Ministério da Saúde estima, com base em dados da OMS, que aproximadamente 28% das pessoas idosas sofram pelo menos uma queda por ano, o equivalente a cerca de 9 milhões de episódios anuais. 

Um tropeço no tapete, uma perda de equilíbrio ao levantar durante a noite ou um escorregão no banheiro podem provocar consequências importantes quando existem perda de massa muscular, alterações de equilíbrio ou fragilidade óssea. Entre as lesões que preocupam estão as fraturas de quadril, punho, coluna e da região próxima ao ombro. A fratura do quadril merece atenção especial porque pode exigir cirurgia, hospitalização e um processo de recuperação no qual recuperar a capacidade de caminhar e a independência torna-se tão importante quanto tratar o osso. 

“Nesse grupo mais vulnerável, uma queda da própria altura pode ser suficiente para provocar uma fratura importante. O objetivo do tratamento não termina na consolidação do osso. Queremos devolver mobilidade e, sempre que possível, permitir que aquela pessoa retorne ao nível de independência que tinha antes”, afirma o ortopedista. 

Quedas repetidas também não devem ser consideradas uma consequência inevitável da idade. Problemas de visão, perda de força e equilíbrio, alterações na marcha, condições de saúde e alguns medicamentos podem contribuir para esses episódios. O Ministério da Saúde recomenda atenção também ao ambiente doméstico, com boa iluminação, retirada de obstáculos, fixação de tapetes e instalação de barras de apoio quando necessárias.

 

Dois envelhecimentos, o mesmo objetivo

Para Busato, colocar lado a lado o idoso que chega ao consultório querendo voltar ao esporte e aquele que precisa recuperar a segurança para caminhar ajuda a desconstruir uma visão única sobre a velhice. Nos dois casos, o objetivo central da ortopedia é preservar capacidade funcional e autonomia dentro das possibilidades individuais. 

“Envelhecer bem não significa necessariamente correr uma maratona aos 80 anos. Para uma pessoa pode ser continuar jogando tênis; para outra, conseguir ir ao mercado sozinha, subir uma escada ou brincar com os netos. O que mudou é que não devemos definir previamente o que alguém pode ou não fazer apenas pela idade. Nosso papel é entender aquele paciente e ajudá-lo a permanecer em movimento com segurança.” 

A abordagem está alinhada ao conceito de envelhecimento saudável adotado pela OMS, que considera justamente a possibilidade de manter capacidades e continuar realizando atividades valorizadas pelo indivíduo, inclusive quando existem doenças ou limitações. 

Para o Dia Internacional da Pessoa Idosa, celebrado em 1º de outubro, a mensagem, portanto, vai além da prevenção de quedas: viver mais também amplia a importância de cuidar da mobilidade, da força e da saúde musculoesquelética para que os anos adicionais sejam vividos com o máximo possível de autonomia.

  

Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia – Regional Paraná - SBOT-PR


1º de Outubro - Dia Mundial da Doença de Gaucher: Após diagnóstico tardio, paciente transforma experiência em defesa da informação

Após receber o diagnóstico aos 30 anos, Carolina Toneloto passou a estudar a doença, produzir conteúdo e defender o acesso ao conhecimento como parte do cuidado.

 

A Doença de Gaucher é uma doença rara e genética em que os principais sintomas são distensão (inchaço) abdominal, cansaço extremo por anemia e dores nos ossos. A doença afeta menos de 10 mil pessoas no mundo todo. Carolina Toneloto, cientista social de 48 anos, é uma delas e, apesar de ter apresentado sinais desde criança, só foi diagnosticada aos 30 anos. 

Moradora de Campinas (SP), a infância de Carolina foi marcada por uma rotina comum no interior de São Paulo. Ela frequentemente brincava na rua com seus irmãos, mas também desenvolveu uma forte ligação com as artes. Ela ia à biblioteca para ler livros, fazia aulas de piano e, aos 8 anos, descobriu no balé uma grande paixão. 

Ela começou a sonhar em ser bailarina, mas, aos 11 anos, esse projeto de vida foi interrompido por conta de uma grave crise óssea que atingiu sua perna direita. Ela precisou ser internada, passou por duas cirurgias no fêmur e enfrentou uma recuperação lenta e dolorosa. Ela ainda não sabia disso, mas esse foi o sinal de uma doença que levaria quase duas décadas para ser identificada.

Carol parou de fazer atividade física, mas, mesmo diante das limitações, seguiu sua vida e construiu uma carreira acadêmica. Formou-se em Ciências Sociais, concluiu o mestrado e lecionava em duas faculdades, quando, em 2008, durante uma consulta de rotina, sua ginecologista estranhou o fato de seu abdômen estar distendido. “Eu fui uma criança magra, ao mesmo tempo que tinha uma ‘barriguinha’. Mas eu sempre tive acesso a serviços de saúde e isso nunca foi visto como um problema”, relembra Carol. 

Além disso, seu hemograma também mostrou algumas alterações. Portanto, ela foi encaminhada para um hematologista para realizar um mielograma, exame que avalia a medula óssea para analisar a produção de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. Quinze dias depois — período marcado pelo medo de um possível câncer hematológico —, recebeu o diagnóstico de Doença de Gaucher. O nome a assustou, mas o alívio veio quando soube que existe tratamento por meio da reposição enzimática.

Seu diagnóstico marcou o início de uma nova fase. Curiosa por natureza, sentiu necessidade de entender profundamente a doença, mas enfrentou dificuldades para encontrar informação. De acordo com a cientista, “o acesso à informação é tão importante quanto o tratamento”. 

Ela passou a estudar artigos científicos, conversar com especialistas e acompanhar as pesquisas mais recentes sobre Gaucher. Mas mais do que isso, ela produziu conteúdo sobre a doença: em 2010, ela criou o blog “Eu sou Gaucher”, criado para traduzir artigos científicos em uma linguagem acessível e, mais tarde, escreveu um livro de divulgação científica voltado a pacientes, familiares e profissionais de saúde. 

A busca por conhecimento também orientou sua trajetória acadêmica. No doutorado em Saúde Coletiva pela Unicamp, pesquisou as narrativas de pessoas com Doença de Gaucher e investigou como o diagnóstico e o tratamento impactam suas vidas — um dos poucos estudos qualitativos brasileiros sobre o tema. 

Hoje, Carolina é membro da International Gaucher Alliance, organização dedicada à educação de pacientes e ao fortalecimento da representatividade da comunidade. “Um dos meus grandes sonhos é fazer com que as pessoas com Doença de Gaucher no Brasil consigam viver melhor. Isso se dá, logicamente, através do diagnóstico correto e precoce, do acesso ao tratamento, e também da divulgação de informações a respeito da doença. Quando a pessoa entende a própria doença, ela ganha segurança para viver melhor, explicar sua condição e participar das decisões sobre o próprio cuidado”, explica Carol. “Eu quero que os pacientes se sintam orgulhosos das suas próprias trajetórias”, complementa.
 

A importância do diagnóstico precoce 

O reconhecimento precoce da Doença de Gaucher pode evitar danos irreversíveis, como necrose avascular óssea, crises ósseas, osteomielite séptica, fraturas patológicas ou até colapso ósseo, com necessidade de uso de próteses3. Segundo Lys Feldmann, Gerente Médica de Doenças Raras - Hematologia da Sanofi Brasil, a ampliação da triagem neonatal é uma das principais ferramentas de diagnóstico precoce. 

“A Doença de Gaucher é uma das muitas doenças raras que pode ser identificada no teste do pezinho ampliado – ou seja, nos primeiros dias de vida do bebê. Quando o diagnóstico ocorre nessa fase, antes mesmo do início dos sintomas, o tratamento ocorre mais cedo, antes de complicações. Isso muda completamente a perspectiva e a qualidade de vida do paciente”, explica. 

No entanto, embora a Lei nº 14.154/2021 tenha determinado a ampliação gradual do Programa Nacional de Triagem Neonatal, o acesso do teste do pezinho ampliado por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) não está disponível em todo o território nacional. O teste está implementado apenas no estado de Minas Gerais, no Distrito Federal, na cidade de São Paulo e em municípios do Rio de Janeiro.
 

Sobre a Doença de Gaucher 

A doença de Gaucher é a mais comum das doenças de depósito lisossômico. Ela é genética, causada pela deficiência da atividade da enzima beta-glicosidase, responsável por degradar determinadas substâncias gordurosas dentro das células. Como consequência, essas substâncias se acumulam em diferentes órgãos e tecidos. 

Os principais sintomas são o aumento do baço e do fígado, anemia, redução das plaquetas, fadiga e dores e complicações ósseas. Embora seja uma condição crônica, existem tratamentos capazes de controlar a doença e melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes.
 

Sanofi   
 

Dia do Idoso: a partir de que idade é preciso começar a se preparar para um envelhecimento saudável?

 

Especialista do Hospital Santa Catarina - Paulista explica por que os cuidados com
o envelhecimento podem começar aos 50 anos, mesmo antes do surgimento de limitações

 

O Dia do Idoso, celebrado em 1º de outubro, pode ser um convite para olhar para o envelhecimento antes mesmo da chegada da velhice. O envelhecimento da população brasileira tem ampliado a discussão sobre qualidade de vida, prevenção de doenças e cuidados de saúde ao longo dos anos. Embora a geriatria ainda seja associada principalmente ao cuidado de pessoas idosas ou com doenças e limitações já instaladas, o acompanhamento pode começar por volta dos 50 anos, com foco na prevenção, na adoção de hábitos saudáveis e na manutenção da autonomia ao longo dos anos. 

De acordo com o geriatra Dr. Vinicius Altomani, do Hospital Santa Catarina - Paulista, o especialista em geriatria atua na prevenção e no acompanhamento integral do processo de envelhecimento. “Além de ser o médico do idoso, o geriatra também é o médico que lida com o envelhecer. Geralmente, recomendamos o início do seguimento para a população 50+, no entanto qualquer adulto interessado em envelhecer de forma saudável pode se beneficiar deste suporte”, afirma. 

A avaliação geriátrica é ampla e vai além da análise de sintomas pontuais, uma vez que considera aspectos físicos, emocionais, cognitivos e sociais do paciente. O especialista explica que a assistência geriátrica inclui desde medicina preventiva até o controle de doenças prevalentes com o avanço da idade, assim como a revisão do uso de medicamentos, a fim de garantir o resultado mais eficaz para cada caso e evitar excessos e tratamentos desnecessários.


O que fazer a partir dos 50?

Entre os pilares do envelhecimento saudável estão a alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, manutenção das relações interpessoais e acompanhamento médico preventivo. Segundo o especialista, hábitos simples ainda são os mais importantes. “O envelhecimento ativo está ligado, antes de mais nada, a um estilo de vida. Muitas vezes as pessoas procuram soluções rápidas, como suplementos vitamínicos, mas têm dificuldade em manter uma boa alimentação e uma rotina benéfica”, destaca o Dr. Vinicius.

 

Sinal amarelo: hora de buscar ajuda

No dia a dia, sinais como cansaço frequente, falta de disposição, dificuldade para realizar pequenos esforços, alterações de peso sem causa aparente e sono inadequado podem indicar a necessidade de rever costumes diários e buscar orientação médica. A avaliação periódica individualizada permite a atualização do histórico do paciente, o que contribui para identificar precocemente fatores de risco e prevenir complicações futuras, com estratégias para apoiar a manutenção da saúde e bem-estar. 

Além das demências – como, por exemplo, a doença de Alzheimer – e da fragilidade física, diversas patologias apresentam maior incidência com o envelhecimento, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, câncer e Parkinson. “Queixas relacionadas à saúde osteomuscular, dores crônicas, mobilidade, tonturas e alterações de memória também estão entre as mais frequentes nos consultórios geriátricos. Outro ponto de atenção é a saúde mental da população idosa, já que quadros de depressão e ansiedade seguem amplamente subdiagnosticados”, conclui o especialista do Hospital Santa Catarina - Paulista.

 

Se as pessoas estão evitando notícias, por que a imprensa ainda importa?

O interesse pelo noticiário diminui, mas o conteúdo jornalístico continua ajudando a formar aquilo que encontramos, discutimos e até perguntamos às inteligências artificiais

 

As pessoas deveriam se importar mais com as notícias.

Não necessariamente acompanhar cada manchete ou passar o dia consumindo atualizações, mas entender o que acontece ao redor continua sendo parte importante de como tomamos decisões e formamos nossa percepção sobre empresas, setores, economia e sociedade. 

O problema é que o movimento recente aponta na direção contrária. O Digital News Report 2026, do Reuters Institute, mostra que o interesse por notícias vem caindo e que 42% das pessoas pesquisadas dizem evitar o noticiário algumas vezes ou frequentemente. No Brasil, esse percentual chega a 47%. 

Seria fácil olhar para esses números e concluir que a imprensa está perdendo relevância. Mas essa leitura desconsidera uma mudança importante no modo como a informação circula. As pessoas podem acessar menos diretamente jornais, portais e telejornais e, ainda assim, continuar sendo impactadas pelo conteúdo produzido por eles. 

Uma reportagem repercute nas redes sociais, vira assunto em vídeos, aparece em mecanismos de busca, abastece análises e passa a fazer parte do conjunto de referências disponível na internet. O jornalismo deixa, portanto, de ser apenas o lugar onde a informação é consumida para ocupar também uma posição menos visível: a de fonte que sustenta parte do ecossistema informacional.

 

O caminho até a informação mudou

Os próprios hábitos de acesso às notícias mostram essa transformação. Segundo o Reuters Institute, redes sociais e plataformas de vídeo já superam sites e aplicativos jornalísticos como porta de entrada para o noticiário em muitos mercados. Isso não significa, porém, que toda a informação encontrada nesses ambientes tenha surgido ali. 

Muitas vezes, o conteúdo original foi apurado por jornalistas e depois resumido, comentado, reinterpretado ou redistribuído por terceiros. O ponto de contato com o público mudou, mas a necessidade de uma fonte primária confiável não desapareceu.

Os mecanismos de busca tornam essa mudança ainda mais evidente. Pesquisa do Pew Research Center mostrou que usuários do Google tendem a clicar menos nos resultados tradicionais quando recebem uma resposta gerada por inteligência artificial diretamente na página de busca. Ou seja, cada vez mais, a pessoa pode receber uma síntese sem acessar a página que ajudou a produzir aquela informação. 

Com as inteligências artificiais generativas, essa lógica ganha outra dimensão. O Digital News Report 2026 indica que 10% dos entrevistados globalmente já utilizam chatbots para acessar notícias; no Brasil, o índice chega a 13%. Entre esses usuários, estão pessoas que pedem resumos, explicações, contexto ou fazem perguntas adicionais sobre temas do noticiário. 

A experiência muda: ao invés de abrir várias reportagens para compreender um assunto, o usuário pergunta diretamente à ferramenta. Mas a qualidade da resposta continua dependendo da qualidade das informações disponíveis.

 

O valor do que fica publicado

É por isso que discutir a relevância da imprensa apenas a partir do número de leitores diretos é insuficiente. O jornalismo continua produzindo registros públicos, contextualizando fatos, entrevistando fontes, organizando dados e criando referências que permanecem disponíveis muito depois da publicação original.

Em um ambiente dominado por buscas, plataformas e IA, esse acervo de informação passa a ter uma importância diferente.

Para empresas e lideranças, isso também muda a lógica da reputação. Durante muito tempo, aparecer na imprensa era visto principalmente como uma forma de alcançar público. Hoje, existe uma segunda camada igualmente importante: aquilo que fica registrado sobre a organização. Quando alguém pesquisa uma empresa, compara referências do setor ou pergunta a uma inteligência artificial sobre determinado mercado, o histórico público disponível ajuda a construir essa percepção. 

Isso não significa que uma matéria jornalística seja um selo automático de credibilidade, nem que a imprensa exista para validar empresas. Porém, significa que informações publicadas por fontes independentes passam a compor um repertório que não pode ser construído apenas com publicidade ou canais próprios.

 

Quanto mais intermediada por algoritmos se torna a descoberta de informações, maior é o valor de existir um histórico público consistente, verificável e contextualizado. 

Talvez esteja aí a aparente contradição. As pessoas podem estar menos dispostas a “consumir notícias” no sentido tradicional, mas continuam vivendo em um ambiente alimentado por informações produzidas, organizadas e verificadas por quem faz jornalismo. A imprensa pode deixar de ser o destino final de parte do público sem deixar de ser uma das origens do que ele encontra pelo caminho. 

Para quem trabalha com reputação, esse movimento merece atenção. A pergunta já não é apenas quantas pessoas lerão uma matéria hoje, mas também quanto tempo aquela informação continuará existindo, sendo encontrada, relacionada a outras fontes e ajudando a explicar quem é uma organização amanhã. 

A imprensa continua relevante não apesar da transformação dos hábitos de informação, mas justamente porque esses hábitos estão se tornando cada vez mais mediados por outras plataformas. 

 


Francine Ferreira - Jornalista, especialista em Comunicação Empresarial.Diretora e fundadora da Expressio Comunicação Humanizada

 

Procon-SP alerta consumidores sobre novas regras da ANAC

Resolução entra em vigor 26 de outubro e traz mudanças em caso de atrasos e cancelamentos de voos; órgão de defesa paulista fez algumas contribuições quando as regras estavam sendo discutidas

 

O Procon-SP orienta os consumidores sobre as mudanças implementadas pelas novas regras estabelecidas pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) que alteram as Condições Gerais de Transporte Aéreo. A Resolução nº 813/2026 passa a valer a partir de 26 de outubro.


Informações atualizadas

A nova resolução estabelece que as companhias aéreas deverão informar ao passageiro, de forma clara, acessível e tão logo tenha conhecimento da ocorrência, inclusive por meio de canais digitais, sobre atraso, cancelamento de voo, interrupção do serviço ou preterição de embarque, mantendo as informações atualizadas enquanto perdurar a ocorrência.

As informações disponibilizadas por meio de canais digitais deverão indicar a data e o horário da última atualização.


Situações de fortuito ou força maior

Ponto de preocupação para o Procon SP é a alteração da norma no que trata da responsabilidade das companhias aéreas em situações de caso fortuito ou força maior, nos termos do Código Brasileiro de Aeronáutica – como exemplos, preterição de passageiros (overbooking), manutenção não programada, checagem técnica, atraso por excesso de tráfego aéreo, problemas logísticos, etc.

Para o Procon-SP, o caso fortuito interno compreende os eventos que, embora possam ser imprevisíveis, são inerentes aos riscos da atividade e, deste modo, não é justificável excluir a responsabilidade das empresas nos casos de atraso, cancelamento e interrupção do serviço.

De acordo com o que ficou estabelecido pela resolução, na prática, a mudança poderá gerar conflitos, com as empresas usando a alegação de que por se tratar de situações de caso fortuito ou força maior não têm o dever se responsabilizar pelos danos decorrentes.


Previsão contratual

Ainda, representando retrocesso para a defesa do consumidor, é a previsão de que a companhia aérea deverá informar no ato da contratação que a prestação do serviço está sujeita a fatores operacionais e ao atendimento a exigências de segurança que podem ocasionar atrasos, interrupções ou cancelamentos. Com essa informação, o contrato atribui ao consumidor a obrigação de contar com essa possibilidade e deixa espaço para interpretações que retiram a responsabilidade das empresas.

Para o Procon-SP, o contrato de transporte envolve uma obrigação de resultado e é dever de quem explora a atividade adotar meios para equacionar situações imprevisíveis e minimizar impactos. O serviço é colocado no mercado de consumo pelas empresas, havendo uma contratação prévia com remuneração para tanto, não sendo admissível o compartilhamento de responsabilidade com o consumidor.


Despesas comprovadas

Quanto ao prazo para obter o reembolso das despesas comprovadas que o passageiro teve em razão do atraso, a resolução estabeleceu até sete dias para que as companhias aéreas providenciem.

Dever de informação

Foram acolhidas pela agência as contribuições apresentadas pelo Procon-SP relacionadas à comunicação prévia e adequada sobre possíveis atrasos, interrupções ou cancelamentos por fatores operacionais e exigências de segurança.

Nas informações prestadas pela companhia aérea, que devem ser atualizadas e ser disponibilizada nos canais digitais da empresa, devem conter: situação da ocorrência, previsão atualizada de partida do voo (quando conhecida), alternativas para reacomodação (quando cabíveis), opções de reembolso ou execução do serviço por outra modalidade de transporte, e procedimentos para obtenção da assistência material.

Durante o processo de revisão da norma, o Procon-SP fez contribuições sobre o tema. O Procon-SP reforça que continuará acompanhando a aplicação da resolução e atuando para que os direitos dos passageiros sejam respeitados.


Recomendações ao consumidor

A recomendação do Procon-SP é que, ao comprar sua passagem aérea, o consumidor fique atento às orientações prestadas pelas empresas e busque informações em caso de dúvidas.

Além disso, ao enfrentar atrasos e cancelamentos de voos juntem toda a documentação que comprove os gastos em razão do problema, entrem em contato com as companhias aéreas solicitando assistência, reembolso etc. e, se não conseguirem uma solução, acionem o órgão de defesa da sua cidade ou Estado e a ANAC.

O Procon-SP disponibiliza atendimento na plataforma https://www.procon.sp.gov.br/

 

Lei seca perde espaço nas eleições e vale em apenas sete estados neste domingo

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A grande maioria das unidades da federação vai votar sem lei seca estadual no dia da votação

 

A maior parte do país vai votar sem lei seca. Levantamento da Abrasel mostra que 18 das 27 unidades da federação não terão proibição estadual à venda de bebidas alcoólicas no primeiro turno das eleições, neste domingo (4 de outubro). A restrição vale em sete estados: Acre, Alagoas, Amazonas, Amapá, Maranhão, Pará e Piauí. Ceará e Roraima ainda não definiram se vão adotar a medida.

 

Os estados sem lei seca estadual são Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraíba, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe, São Paulo e Tocantins. Na Bahia e em Mato Grosso, a venda estará liberada nas capitais, mas alguns municípios vão aplicar restrições. Em Goiás e no Tocantins, a decisão ficou com as zonas eleitorais, e parte dos municípios terá proibição. É o caso de Palmas, onde a restrição vale das 0h às 17h.

 

A lei seca eleitoral não está prevista na legislação federal. Cada estado decide se adota a proibição e por quanto tempo. Por isso, os horários variam bastante entre os estados que mantêm a regra.


 

Horários da lei seca em 4 de outubro

 

Acre: das 0h às 16h

Alagoas: das 3h às 18h

Amazonas: das 2h às 17h

Amapá: das 22h30 de sábado (3) às 18h de domingo

Maranhão: das 0h às 22h

Pará e Piauí: das 0h às 18h

 

 

Para o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, a lei seca é um resquício da ditadura. "O brasileiro já provou que sabe votar com responsabilidade. A cada eleição, mais estados reconhecem isso e deixam de tratar o eleitor como alguém incapaz. Os governos que insistem na proibição estão atrasados em relação à própria sociedade. Punem o empresário e o trabalhador de bares e restaurantes sem nenhum ganho para a segurança do pleito", afirma.

 

Solmucci destaca que o ambiente das eleições mudou. "Nossa democracia amadureceu. O eleitor vai à urna, cumpre seu dever e pode almoçar com a família ou encontrar os amigos para acompanhar a apuração. Isso é normalidade democrática. Os estados que abandonaram a lei seca mostram que confiança no cidadão e ordem pública caminham juntas", diz.

 

O domingo de eleição costuma movimentar bares e restaurantes, principalmente no almoço e no fim da tarde, quando começa a divulgação dos resultados. Nos estados com restrição, os estabelecimentos perdem parte importante do faturamento de um dia de alta demanda. No Maranhão, onde a proibição vai até as 22h, o impacto alcança também o jantar. 




Aos poucos, a chamada lei seca, que nem mesmo é uma lei (a medida depende de portarias emitidas por secretarias estaduais ou juízes eleitorais) vem tendo cada vez menos impactos como estes. Em São Paulo, por exemplo, a atuação da Abrasel foi decisiva para que a medida parasse de vigorar. Vitórias na justiça há quase 15 anos garantiram o funcionamento dos estabelecimentos no estado, o que vem sendo seguido desde então.



Rio de Janeiro assume liderança nacional no roubo de cargas e medicamentos registram alta histórica no primeiro semestre de 2026


Relatório feito pela nstech aponta reconcentração dos prejuízos no Sudeste, avanço do crime em trechos urbanos e migração das ocorrências para o horário da madrugada

 

  • RJ assume liderança nacional: o estado do Rio de Janeiro concentrou 36,6% do prejuízo nacional com roubo de cargas no primeiro semestre de 2026;

  • Salto histórico de medicamentos: o roubo de medicamentos saltou de uma participação de 2,8% dos prejuízos no primeiro semestre de 2025 para 19% no mesmo período em 2026, consolidando-se como o terceiro maior alvo das quadrilhas no país;

  • Migração para a madrugada e trechos urbanos: a criminalidade migrou com força para as vias urbanas, onde os prejuízos quase dobraram, passando de 20,4% para 39,6%. Simultaneamente, a madrugada disparou para a liderança absoluta entre os horários críticos, concentrando 32,9% dos sinistros (ante os 14,4% verificados anteriormente);

 

No primeiro semestre de 2026, o cenário do roubo de cargas no Brasil consolidou uma reorganização geográfica e operacional profunda. A região Sudeste voltou a concentrar as ocorrências, respondendo por 77,2% de todo o prejuízo financeiro nacional no período (alta expressiva de 16,7 pontos percentuais em relação aos 60,5% observados no primeiro semestre de 2025). 

 

Os dados na região foram impulsionados pelo Rio de Janeiro, que ultrapassou São Paulo e assumiu a liderança isolada, concentrando 36,6% do prejuízo nacional com roubo de cargas no primeiro semestre de 2026, contra 16,1% no mesmo período de 2025 — um salto de 20,5 pontos percentuais.

 

Os números são do relatório “Report nstech de Roubo de Cargas”, elaborado pela nstech, maior empresa de software para supply chain da América Latina e uma das 5 maiores SaaS do Brasil. O estudo é baseado nas informações apuradas pelas gerenciadoras de risco BRK, Buonny e Opentech, integradas à TNS (Transportation Network System) da nstech. 

 

“O estudo demonstra que a criminalidade logística no Brasil tem operado de forma dinâmica, com quadrilhas especializadas alternando de forma ágil as mercadorias visadas, os horários de ataque e as regiões de atuação. No período, também percebemos que o risco muda rapidamente e exige monitoramento contínuo. Pensando nisso, a combinação entre inteligência, integração de dados, colaboração logística e capacidade de adaptação ajuda a mitigar os riscos operacionais e a adaptar as estratégias de negócio”, analisa Cristiano Tanganelli, VP de Inteligência de Mercado da nstech.

 

Perfil das cargas e a transição para itens de alto valor

 

O primeiro semestre mostrou uma nítida transição das atividades criminosas rumo a itens de alta liquidez e forte valor agregado no mercado ilegal. As cargas diversas ou fracionadas mantêm-se no topo da sinistralidade, liderando o ranking nacional com 36,6% dos prejuízos (alta de 4,1 pontos percentuais em comparação com os 32,5% do primeiro semestre de 2025), em virtude da alta atratividade logística de carregar múltiplas mercadorias em uma única viagem.

 

O segmento de produtos alimentícios manteve estabilidade relativa, posicionando-se na vice-liderança com 24,6% dos prejuízos (contra 24,2% no 1S25). No entanto, o indicador mais preocupante do relatório reside no transporte de medicamentos, cuja participação de perdas saltou de 2,8% para 19% (+16,2 p.p.). Com isso, o segmento farmacêutico escalou da sexta para a terceira colocação, um reflexo do cerco criminoso estruturado que foca na facilidade de revenda paralela.

 

Em contrapartida, outros segmentos de alto valor perderam espaço nas investidas. O principal recuo deu-se no transporte de cigarros, que despencou de uma participação de 26,4% no 1S25 para 6,3% no 1S26 (-20,1 p.p.), caindo para a quarta posição. O roubo de eletrônicos também apresentou contração acentuada, passando de 7,9% do total de perdas para apenas 1,5%.

 

Nova geografia do risco e corredores críticos

 

A reconcentração do crime no Sudeste (77,2%) redefiniu o ranking de estados mais afetados. O Rio de Janeiro assumiu o protagonismo nacional absoluto, caracterizado por uma forte concentração urbana e metropolitana: a capital do estado liderou de forma isolada, gerando 20,1% do total de perdas do país, enquanto os municípios de Duque de Caxias (6%), São Gonçalo (3%) e Nova Iguaçu (1,9%) consolidam, junto com a capital, 31% de todo o prejuízo nacional por roubos.

 

São Paulo recuou para a segunda colocação nacional com 30,9% de participação (redução de 3,3 p.p. em relação aos 34,2% do ano anterior). No território paulista, o risco revelou-se predominantemente interno e centrado em distribuição local: 57% dos roubos ocorreram na rota SP x SP, a qual isoladamente liderou os fluxos de perdas nacionais com 17,6%. No ranking dos municípios paulistas, a capital de São Paulo concentrou 8,1% do prejuízo geral, seguida por Cajamar (2,1%) e São Bernardo do Campo, Miracatu e Santos (com 2% cada).

 

O estado de Minas Gerais permaneceu na terceira colocação com 9,3% dos prejuízos (estável ante os 9,1% do 1S25), tendo o município de João Pinheiro como seu principal polo crítico (2,8% nacional). Ainda no Sudeste, o Espirito Santo registrou cerca de 0,4% dos roubos, recuando dos seus 1,2% em 2025.

 

Em escala oposta, a região Norte registrou o recuo mais acentuado do país, desabando de 16,7% para 2,3% na participação de perdas. Esse movimento foi diretamente influenciado pelo recuo de roubos no estado do Pará, que viu seu percentual de prejuízos despencar de 12,8% no 1S25 para apenas 2,4% no 1S26. No Nordeste, embora a região tenha passado para a segunda posição de prejuízos com 14,3%, o principal crescimento deu-se na Bahia, que subiu de 2,7% para 4,8%. Ainda sobre regiões, o Sul do país representou 3,6% dos roubos e o Centro-Oeste cerca de 2,6%.

 

Dinâmica temporal e logística do crime

 

As táticas logísticas das quadrilhas de roubo passaram a focar substancialmente nas etapas de distribuição interna e nas janelas de menor vigilância das estradas. Os trechos urbanos praticamente dobraram sua participação nas perdas financeiras, subindo de 20,4% para 39,6% e consolidando a tendência de migração criminosa para a chamada "última milha" logístico-metropolitana.

 

Entre as rodovias mapeadas, a BR-101 consolidou-se como a via mais perigosa do país no semestre, atingindo 17,1% dos prejuízos (contra 10,8% no 1S25), confirmando uma tendência de altas consecutivas desde 2023 (quando o indicador era de apenas 2,1%). A BR-116 ocupou a segunda posição rodoviária com 8,2% das perdas (contra 4,8% anteriores).

 

No comportamento temporal, houve maior concentração de prejuízos na madrugada, saltando de 14,4% para 32,9% dos prejuízos do país (+18,5 p.p.). A noite, por sua vez, registrou recuo de 38,6% para 24,5%, embora continue relevante. Juntos, os períodos da noite e da madrugada concentraram 57,4% de todos os prejuízos das transportadoras. Já a manhã representou 26,7% (alta de 6,2 p.p.), e a tarde recuou para 15,9%.

 

Na análise de dias da semana, a quinta-feira permaneceu à frente como o dia com maior índice de sinistros, registrando 22% dos prejuízos (embora com ligeira redução frente aos 25,7% do 1S25). O destaque mais expressivo deu-se no início da semana: a segunda-feira saltou para 15,6% (contra 9,3%) e a terça-feira subiu para 14,3% (contra 9%). Os prejuízos ocorridos aos domingos despencaram, caindo de 13,2% para 5% do total.


 

Tecnologia e gerenciamento preventivo como chave para mitigação de prejuízos

 

“Apesar do aumento na ousadia e na seletividade das quadrilhas de roubo, o avanço tecnológico na área de gerenciamento de riscos demonstrou-se essencial para reverter perdas milionárias. No primeiro semestre de 2026, o ecossistema nstech registrou um crescimento de 10,74% no volume de mercadorias monitoradas pelas gerenciadoras BRK, Buonny e Opentech, ultrapassando a barreira histórica de R$ 1,11 trilhão de cargas sob gestão”, avalia Tanganelli.

 

Paralelamente, o ambiente exigiu maior eficiência preventiva, uma vez que o valor total das mercadorias atacadas pelas quadrilhas cresceu 12,27% em relação ao primeiro semestre de 2025. Como resposta direta das ações de monitoramento e tecnologia de ponta do ecossistema, mais de 70% de todas as cargas atacadas foram prontamente recuperadas, atenuando os impactos diretos nos custos de seguros e na cadeia de abastecimento nacional.

 

Fechamento contábil de 2026: erros em notas e cadastros ameaçam R$ 57 bilhões em créditos fiscais na Reforma Tributária

Revisão de documentos e informações contábeis ajuda
 empresas a preparar o fechamento fiscal de 2026.
Magnific

Revisão de documentos, créditos, contratos e obrigações pode evitar inconsistências e preparar o caixa para as mudanças tributárias de 2027


Com a aproximação do fim do ano, empresas precisam revisar as informações fiscais, contábeis e financeiras que servirão de base para o fechamento de 2026. Divergências acumuladas ao longo dos meses podem resultar em recolhimentos incorretos, perda de créditos, retificações e questionamentos dos órgãos de fiscalização.

A conferência deve abranger notas fiscais, retenções, créditos tributários, contratos, cadastros e obrigações acessórias. Também é necessário verificar se os dados registrados pelas áreas fiscal, contábil e financeira correspondem à operação real da empresa.

O cuidado ganha importância diante do avanço da Reforma Tributária. As informações encerradas neste ano serão usadas no planejamento de 2027, quando a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) entrará em vigor, substituindo o PIS e a Cofins.

“Quando a revisão começa somente depois da virada do ano, a empresa perde tempo e margem para corrigir processos. O ideal é antecipar o diagnóstico e organizar os documentos enquanto as informações ainda podem ser localizadas com mais facilidade”, afirma Lucas dos Santos, advogado tributarista e fundador da Lucro Ativo.



Cruzamento de dados amplia exposição

A digitalização das obrigações fiscais aumentou a capacidade de cruzamento de notas, declarações, registros contábeis, movimentações financeiras e informações trabalhistas. Com isso, diferenças entre faturamento, documentos emitidos, tributos recolhidos e valores declarados podem ser identificadas com maior rapidez.

A empresa deve conferir se os dados apresentados na Escrituração Fiscal Digital (EFD), Escrituração Contábil Digital (ECD), Escrituração Contábil Fiscal (ECF), EFD-Reinf e DCTFWeb estão conciliados. Embora parte das declarações anuais seja entregue em 2027, os registros são formados ao longo de 2026.

“Uma diferença pequena, quando repetida durante vários meses, pode se transformar em uma inconsistência relevante no fechamento. A conciliação precisa comparar o documento fiscal, o registro contábil, o pagamento e a informação declarada”, explica Santos.


Falhas podem comprometer créditos

A qualidade dos documentos fiscais também será decisiva no novo sistema tributário. Estudo da Roit com dados de 295 mil empresas, responsáveis por 6,5% do Produto Interno Bruto (PIB), estima que falhas cadastrais e erros em notas de fornecedores podem bloquear R$ 57,4 bilhões em créditos fiscais no primeiro ano das novas regras.

Por isso, a revisão deve incluir cadastros, enquadramentos tributários, códigos fiscais e informações presentes nas notas. Contratos com vigência em 2027 também precisam ser analisados, principalmente nas cláusulas relacionadas a preços, reajustes, tributos, retenções e responsabilidades das partes.

Parcelamentos, compensações, créditos pendentes, processos administrativos e benefícios fiscais completam a lista de pontos que podem afetar provisões e fluxo de caixa. A análise deve envolver as áreas contábil, fiscal, financeira, jurídica e comercial.

“O fechamento não serve apenas para encerrar o ano sem pendências. Ele permite que a empresa comece 2027 com dados confiáveis e clareza sobre seus riscos, créditos e obrigações”, conclui o tributarista.

 

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