Levantamento da NordVPN e da Saily analisou 494 vazamentos no setor de turismo e mostra como reservas de passagens, hotéis e passeios podem expor dados pessoais
NordVPN identifica quase 120 milhões de registros de
viajantes vazados na internet
Levantamento da NordVPN e da Saily analisou 494 vazamentos no setor de
turismo e mostra como reservas de passagens, hotéis e passeios podem expor
dados pessoais
Reservar
uma viagem pode significar compartilhar dados pessoais com várias empresas
antes mesmo de fazer as malas. Companhias aéreas, hotéis, locadoras de
veículos, plataformas de reserva e empresas de passeios podem solicitar
informações dos clientes, que acabam espalhadas por diferentes sistemas.
Uma pesquisa conjunta da
NordVPN e da Saily, aplicativo de eSIM para viagens, identificou 119,4 milhões
de registros de viajantes expostos na dark web em 494 vazamentos relacionados
ao setor de turismo, registrados entre 1º de janeiro de 2021 e 18 de agosto de
2026. O levantamento utilizou dados analisados pela plataforma NordLayer
Intelligence e abrange companhias aéreas,
hotéis, plataformas de reserva, empresas de passeios e atividades, locadoras de
veículos, operadoras de cruzeiros e empresas ferroviárias.
“As viagens
fazem parte de um ecossistema altamente conectado, e cada empresa com a qual
você compartilha informações se torna mais um possível ponto de exposição”,
afirma Marijus Briedis, diretor de tecnologia (CTO) da NordVPN. “O problema envolve tanto a quantidade de registros de
viajantes que vazam com frequência quanto as informações contidas nesses
registros. Uma senha pode ser alterada rapidamente após um vazamento, enquanto dados
como nome, data de nascimento e outras informações de identidade normalmente
não podem ser mudados, pois acompanham a pessoa ao longo da vida.”
Vazamentos expõem nomes completos e outros dados de identidade
Entre os
vazamentos analisados, 92% incluíam nomes completos, 87% continham telefones e
78% expunham endereços. Datas de nascimento apareciam em 55% dos casos, senhas
em 46%, nacionalidade em 19% e informações de documentos oficiais de
identificação em 11%.
Em
conjunto, essas informações podem revelar como entrar em contato com o
viajante, onde ele mora e quando nasceu, além de outros detalhes de sua
identidade. Os dados também podem permanecer armazenados após a viagem,
inclusive em serviços nos quais o cliente esqueceu que tinha cadastro.
“O viajante
pode usar um serviço por pouco tempo, mas a relação desse serviço com seus
dados pode durar muito mais”, afirma Vykintas Maknickas, CEO da Saily. “Você pode reservar uma atividade uma única vez e nunca
mais voltar àquele site, enquanto as informações fornecidas permanecem no
sistema da empresa por anos. É fácil esquecer os serviços usados apenas uma vez
durante uma viagem, embora eles ainda possam ser relevantes para a sua
privacidade no longo prazo.”
Mais da metade dos vazamentos envolve reservas e passeios
Plataformas
de reserva, agências de viagens on-line, operadoras de turismo e empresas de
passeios e atividades responderam por 55,5% dos vazamentos analisados. Essa
categoria inclui agências menores, operadores regionais e empresas de
experiências turísticas, que podem utilizar plataformas digitais mais antigas
ou com manutenção menos frequente.
O
levantamento identificou 21 vazamentos envolvendo companhias aéreas. Apesar do
número menor de incidentes observados, cada um expôs, em média, cerca de 1,2
milhão de registros. Na categoria de reservas, agências e passeios, a média foi
de aproximadamente 107 mil registros por vazamento.
Na
comparação entre esses dois grupos, a categoria de reservas e passeios concentrou
cerca de 13 vezes mais incidentes, enquanto os vazamentos de companhias aéreas
expuseram, em média, mais de 11 vezes o número de registros por ocorrência.
Entre as
categorias analisadas, locadoras de veículos, operadoras de cruzeiros e
empresas ferroviárias responderam por 27,7% do total de registros expostos. A
categoria de reservas e passeios representou 24,6%, hotéis e resorts somaram
23,7%, e companhias aéreas, 21,2%.
“O porte da
empresa não explica, sozinho, o risco para o viajante”, diz Briedis. “Um
fornecedor menor pode ser um alvo mais fácil para criminosos, enquanto um único
vazamento em uma grande companhia aérea pode expor informações de milhões de
pessoas. Para o viajante, é importante lembrar que a segurança de seus dados
depende, de maneiras diferentes, de cada empresa envolvida na viagem.”
Como reduzir os dados pessoais deixados em serviços de viagem
Embora o
viajante não controle a proteção dos sistemas de cada empresa, pode limitar a
quantidade de informações pessoais que compartilha e mantém nesses serviços. Os
especialistas da NordVPN e da Saily recomendam:
- Evitar criar contas em
serviços de viagem sem necessidade.
- Usar senhas exclusivas para
cada serviço e ativar a autenticação multifator, quando disponível.
- Remover informações de
pagamento e identificação salvas quando não forem mais necessárias.
- Antes de enviar passaportes
ou outros documentos, verificar se o serviço realmente precisa dessas
informações.
“Ao voltar
para casa, revise as contas antigas de reservas, passeios, aluguel de veículos
e outros serviços de viagem. Exclua as contas que não usa mais e peça ao
fornecedor que remova os dados pessoais associados a elas. Isso pode ajudar a
reduzir a quantidade de informações deixadas em serviços que você talvez nunca
mais utilize”, afirma Maknickas.
Metodologia
A pesquisa
foi realizada por pesquisadores da NordVPN e da Saily a partir de dados
analisados na NordLayer
Intelligence, plataforma de gestão da
exposição a ameaças. A equipe examinou dados históricos de vazamentos do
período de 1º de janeiro de 2021 a 18 de agosto de 2026 e identificou
incidentes envolvendo companhias aéreas, hotéis e resorts, agências de viagens
on-line, empresas de passeios e atividades, programas de fidelidade, locadoras
de veículos, operadoras de cruzeiros e empresas ferroviárias.
Cada
vazamento foi classificado com base no nome, domínio e descrição da organização
afetada. Os maiores incidentes passaram por verificação individual, e os falsos
positivos foram removidos. O tamanho dos vazamentos foi medido pelo número de
endereços de e-mail únicos expostos, resultando em 119,4 milhões de registros
em 494 vazamentos relacionados a viagens. Os resultados se limitam aos
incidentes observados na base da NordLayer Intelligence e não representam a
totalidade dos vazamentos de dados do setor de turismo no mundo.
NordVPN
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