No Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, celebrado em 11 de outubro, especialista destaca os riscos do excesso de peso durante o tratamento oncológico pediátrico e a importância do acompanhamento multidisciplinar
A obesidade em crianças e adolescentes com câncer pode representar um desafio adicional ao tratamento oncológico, com possíveis impactos na resposta terapêutica, no risco de recidiva e no prognóstico da doença.
Embora o excesso de peso não seja, em geral, uma causa direta do surgimento de tumores nessa faixa-etária, seu controle é um aspecto importante do cuidado integral de pacientes pediátricos com câncer. O alerta é da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE), em referência ao Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, celebrado em 11 de outubro e instituído oficialmente pela Lei nº 11.721/2008.
Segundo a oncologista pediátrica da SOBOPE, Dra. Laurice Siqueira, o excesso de peso pode trazer dificuldades durante o tratamento, especialmente no cálculo das doses dos medicamentos e no manejo de possíveis efeitos tóxicos. A condição também está associada a preocupações relacionadas ao risco de recidiva e ao aumento da mortalidade em determinados contextos, o que reforça a importância de uma abordagem individualizada e de um acompanhamento contínuo.
A especialista
ressalta que o controle do peso deve fazer parte da atenção integral ao
paciente, sempre respeitando suas necessidades nutricionais, sua condição
clínica e as particularidades de cada etapa do tratamento. “O objetivo não é
impor restrições alimentares, mas promover hábitos saudáveis e minimizar os
possíveis impactos da obesidade na qualidade de vida e na evolução do cuidado
oncológico.”
Alimentação
equilibrada e rotina familiar fazem diferença
Entre as medidas que podem contribuir para o controle do peso estão o fracionamento das refeições, a redução do consumo excessivo de sal e açúcar, a preferência por alimentos naturais ou minimamente processados, a diminuição do consumo de frituras e ultraprocessados e a manutenção de uma boa hidratação, conforme as necessidades de cada paciente.
Dietas restritivas, sem acompanhamento médico e nutricional, devem ser evitadas, especialmente durante o tratamento do câncer, período em que as necessidades de energia e nutrientes podem variar e a preservação do estado nutricional é fundamental.
A prática de atividade física, quando autorizada e adaptada às condições clínicas da criança ou do adolescente, também pode contribuir para a saúde e o bem-estar. “O envolvimento da família na construção de hábitos mais saudáveis é outro ponto importante, pois favorece mudanças na rotina que podem beneficiar todos os seus integrantes”, afirma a oncologista pediátrica e presidente da SOBOPE, Dra. Mariana Bohns Michalowski, ao explicar que o acompanhamento multidisciplinar, com profissionais de oncologia pediátrica, nutrição, educação física e fisioterapia, além de apoio psicológico, é fundamental para que as estratégias de controle do peso sejam seguras, individualizadas e sustentáveis.
Segundo a Dra.
Laurice, a conscientização sobre obesidade infantojuvenil deve considerar tanto
a prevenção quanto as necessidades específicas de crianças e adolescentes que
enfrentam o câncer sendo que, nesses casos, o cuidado com o peso não pode ser
tratado isoladamente nem se sobrepor às prioridades do tratamento oncológico.
“Cuidar de crianças e adolescentes com câncer exige um olhar integral. A
prevenção e o controle da obesidade precisam ser conduzidos com orientação
profissional, sem culpabilizar o paciente e sua família, e sem comprometer as
necessidades nutricionais durante o tratamento”, complementa a Dra. Mariana, ao
destacar que o compromisso dos profissionais é reforçar a importância do
cuidado individualizado, humanizado e multidisciplinar, que contribua para a
qualidade de vida e para melhores condições de tratamento.
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