Pesquisar no Blog

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Da cozinha à mesa: educação alimentar ajuda a transformar hábitos e valorizar a comida de verdade

Imagem gerada por Inteligência Artificial


No Dia Mundial da Alimentação, nutricionista da Água Doce Sabores do Brasil explica como variedade, planejamento e prazer nas refeições podem fazer parte da rotina

 

Escolher os ingredientes, descobrir novas formas de preparo e reservar tempo para uma refeição são atitudes que também ensinam a comer melhor. No Dia Mundial da Alimentação, celebrado em 16 de outubro, Claudia Mulero, nutricionista da Água Doce Sabores do Brasil, destaca a importância da educação alimentar para aproximar o conhecimento sobre os alimentos, com as escolhas feitas todos os dias. A proposta é valorizar uma alimentação variada e possível de manter, que considere as necessidades de cada pessoa.

“Quando falamos em educação alimentar, precisamos mostrar como esse conhecimento chega ao prato. Esse processo precisa considerar as preferências, as condições de acesso e a cultura de cada família. O prazer em comer e a valorização das receitas regionais são parte desse cuidado”, explica Claudia.

A discussão envolve tanto a composição das refeições quanto a relação construída com a comida. O Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, orienta que alimentos in natura e minimamente processados sejam a base da alimentação, com variedade e predominância de opções de origem vegetal. Isso abre espaço para ingredientes presentes na culinária brasileira, como arroz, feijão, mandioca, milho, frutas, verduras e legumes, combinados em preparações que respeitem os costumes de cada região.

Explorar diferentes alimentos amplia o repertório sem abandonar sabores familiares. Um legume pode aparecer em uma salada, em um refogado ou assado; o feijão pode dar lugar, em algumas refeições, à lentilha ou ao grão-de-bico; e as frutas podem variar conforme a oferta local. Essas experiências mostram, na prática, como diversificar o cardápio com opções comuns.

Os hábitos de consumo mostram que ainda há espaço para aproximar essas orientações do cotidiano. Segundo o Vigitel Brasil 2024, do Ministério da Saúde, 31,4% dos adultos relataram consumir frutas e hortaliças em cinco ou mais dias da semana. Já 21% atingiram o indicador de consumo recomendado pela pesquisa, de cinco ou mais porções diárias.

Para levar a educação alimentar à prática, o planejamento das compras é um bom ponto de partida. Na hora das compras, conferir o que já existe em casa e montar uma lista a partir das refeições previstas ajuda a organizar o uso dos ingredientes. Comparar preços e observar a oferta de frutas e hortaliças da estação ajuda a diversificar conforme o orçamento.

Na cozinha, a dica é começar por preparações simples e ampliar as possibilidades aos poucos. Quem costuma consumir cenoura apenas crua, por exemplo, pode experimentá-la cozida ou assada. Ervas e temperos, como salsa, cebolinha e alho, acrescentam aromas e sabores às receitas. Dividir tarefas e trocar conhecimentos com familiares ou amigos também transforma o preparo em uma oportunidade de aprendizado, em vez de concentrar toda a responsabilidade em uma única pessoa.

À mesa, vale reservar um momento para comer com atenção, perceber os sabores e reduzir distrações, como o uso do celular. Sempre que possível, compartilhar a refeição fortalece a convivência e permite conversar sobre ingredientes e receitas. Com as crianças, experiências como conhecer diferentes tipos de alimentos em barracas de uma feira, observar e participar de tarefas adequadas à idade despertam a curiosidade sobre a origem e o preparo da comida. Os adultos também ensinam pelo exemplo e pela forma como apresentam a comida. Por isso, é importante comer verduras, legumes e frutas junto com os pequenos, pois isso pode estimular um novo hábito na fase de desenvolvimento.

A valorização da alimentação passa ainda pelo reconhecimento da cultura brasileira. Receitas transmitidas entre gerações carregam histórias, modos de preparo e conhecimentos sobre ingredientes locais. Recuperar esses saberes, conhecer a origem de um prato e experimentar alimentos de diferentes regiões são fatores que ampliam a relação com a comida e dão à refeição um significado que vai além de cumprir uma etapa da rotina.

“Uma boa alimentação se constrói em escolhas que conseguimos repetir e adaptar à nossa realidade. Pode começar com uma fruta disponível em casa, um novo preparo para o legume ou uma refeição feita com mais atenção. Quando as pessoas compreendem suas escolhas e encontram prazer em comer, o cuidado com a alimentação ganha espaço na vida. A mesa também é lugar de aprender, compartilhar histórias e criar lembranças”, finaliza Claudia Mulero.

 

Água Doce


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados