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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Papa Leão XIV: todo nódulo pulmonar precisa ser operado?

Créditos: Wiki Commons
Cirurgia para retirada de parte do pulmão confirmou o diagnóstico; especialista explica quando nódulos precisam ser operados e como é feita a investigação


A notícia sobre o diagnóstico de adenocarcinoma pulmonar do papa Leão XIV, de 71 anos, chama a atenção para a importância da investigação de nódulos pulmonares. Um dos tipos mais comuns de câncer de pulmão, o adenocarcinoma tem origem nas células glandulares e pode não apresentar sintomas nas fases iniciais. No caso do pontífice, a equipe médica retirou o lobo inferior do pulmão direito por meio de uma cirurgia videoassistida, técnica minimamente invasiva que utiliza pequenas incisões e uma câmera para orientar o procedimento.

O câncer de pulmão é o terceiro mais comum em homens e o quarto em mulheres no Brasil. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o país deverá registrar 35.380 novos casos de câncer de pulmão por ano no triênio de 2026 a 2028, sendo 18.730 em homens e 16.650 em mulheres.

De acordo com informações divulgadas pelo Vaticano, o nódulo havia sido identificado em fase inicial e estava localizado. O exame do tecido retirado durante a cirurgia confirmou a suspeita de adenocarcinoma. Até o momento, não foram divulgadas informações suficientes para determinar o estágio definitivo da doença ou a necessidade de tratamentos complementares.

O cirurgião torácico dos Hospitais Universitário Cajuru e São Marcelino Champagnat, Leonardo Roeder, salienta que apenas a presença de um nódulo pulmonar não significa necessariamente câncer. Essas alterações podem estar relacionadas a cicatrizes de infecções antigas, processos inflamatórios e outras condições benignas. A avaliação considera características observadas em exames de imagem, como tamanho, formato e crescimento da lesão, além de fatores individuais, como idade e histórico de tabagismo.

Roeder explica que nódulos pulmonares são achados frequentes, especialmente com a ampla utilização da tomografia computadorizada. Estudos mostram que aproximadamente 30% das tomografias de tórax identificam algum nódulo pulmonar, e pelo menos 95% dos nódulos encontrados são benignos.

“Nem todo nódulo pulmonar precisa ser retirado. Em muitos casos, o acompanhamento com exames de imagem é suficiente. A cirurgia pode ser indicada quando há crescimento da lesão, características suspeitas ou dúvidas sobre o diagnóstico. Nesses casos, o procedimento permite não apenas retirar o nódulo, mas também analisar o tecido para estabelecer o diagnóstico definitivo”, destaca. 


Por que a cirurgia é indicada?

A cirurgia é uma das principais opções de tratamento para o câncer de pulmão quando a doença está localizada e existe a possibilidade de remover completamente o tumor. A indicação depende do estágio da doença, da localização e do tamanho da lesão, da avaliação dos linfonodos e das condições clínicas e respiratórias do paciente.

O cirurgião explica que a identificação precoce da doença aumenta as possibilidades de tratamento com intenção curativa. “O câncer de pulmão pode se desenvolver de forma silenciosa, sem apresentar sintomas nas fases iniciais. Hoje, contamos com ferramentas de rastreamento, como a tomografia de tórax de baixa dose, capazes de identificar nódulos pulmonares ainda assintomáticos, permitindo o diagnóstico e o tratamento em estágios mais precoces, quando as chances de cura são maiores. Por isso, é importante manter o acompanhamento médico e avaliar a indicação do rastreamento, especialmente em pessoas com histórico de tabagismo ou outros fatores de risco”, orienta.


Quais são as possibilidades de tratamento?

A definição do tratamento para o câncer de pulmão depende de fatores como o estágio da doença e as características do tumor. Além da cirurgia, as opções incluem quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e terapias-alvo, que podem ser associadas ao procedimento cirúrgico ou utilizadas em outras etapas do tratamento.

“Hoje, contamos com diferentes estratégias para tratar o câncer de pulmão. Em alguns pacientes, a cirurgia pode ser suficiente, enquanto em outros é necessário associar tratamentos para aumentar as chances de controle da doença. Por isso, é fundamental que o paciente seja acompanhado de forma integrada pelo cirurgião torácico e pelo oncologista clínico. Essa avaliação multidisciplinar permite definir a melhor sequência de tratamento, considerando o estágio do tumor, suas características e as condições individuais de cada paciente”, ressalta Roeder.

 

Hospital São Marcelino Champagnat

Hospital Universitário Cajuru

 

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