Cirurgia para
retirada de parte do pulmão confirmou o diagnóstico; especialista explica
quando nódulos precisam ser operados e como é feita a investigação
Créditos: Wiki Commons
A notícia sobre o
diagnóstico de adenocarcinoma pulmonar do papa Leão XIV, de 71 anos, chama a
atenção para a importância da investigação de nódulos pulmonares. Um dos tipos
mais comuns de câncer de pulmão, o adenocarcinoma tem origem nas células
glandulares e pode não apresentar sintomas nas fases iniciais. No caso do
pontífice, a equipe médica retirou o lobo inferior do pulmão direito por meio
de uma cirurgia videoassistida, técnica minimamente invasiva que utiliza pequenas
incisões e uma câmera para orientar o procedimento.
O câncer de pulmão
é o terceiro mais comum em homens e o quarto em mulheres no Brasil. Segundo
estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o país deverá registrar
35.380 novos casos de câncer de pulmão por ano no triênio de 2026 a 2028, sendo
18.730 em homens e 16.650 em mulheres.
De acordo com
informações divulgadas pelo Vaticano, o nódulo havia sido identificado em fase
inicial e estava localizado. O exame do tecido retirado durante a cirurgia
confirmou a suspeita de adenocarcinoma. Até o momento, não foram divulgadas
informações suficientes para determinar o estágio definitivo da doença ou a
necessidade de tratamentos complementares.
O cirurgião
torácico dos Hospitais Universitário Cajuru e São Marcelino Champagnat,
Leonardo Roeder, salienta que apenas a presença de um nódulo pulmonar não
significa necessariamente câncer. Essas alterações podem estar relacionadas a
cicatrizes de infecções antigas, processos inflamatórios e outras condições benignas.
A avaliação considera características observadas em exames de imagem, como
tamanho, formato e crescimento da lesão, além de fatores individuais, como
idade e histórico de tabagismo.
Roeder explica que
nódulos pulmonares são achados frequentes, especialmente com a ampla utilização
da tomografia computadorizada. Estudos mostram que aproximadamente 30% das
tomografias de tórax identificam algum nódulo pulmonar, e pelo menos 95% dos
nódulos encontrados são benignos.
“Nem todo nódulo
pulmonar precisa ser retirado. Em muitos casos, o acompanhamento com exames de
imagem é suficiente. A cirurgia pode ser indicada quando há crescimento da
lesão, características suspeitas ou dúvidas sobre o diagnóstico. Nesses casos,
o procedimento permite não apenas retirar o nódulo, mas também analisar o
tecido para estabelecer o diagnóstico definitivo”, destaca.
Por que a cirurgia
é indicada?
A cirurgia é uma
das principais opções de tratamento para o câncer de pulmão quando a doença
está localizada e existe a possibilidade de remover completamente o tumor. A
indicação depende do estágio da doença, da localização e do tamanho da lesão,
da avaliação dos linfonodos e das condições clínicas e respiratórias do
paciente.
O cirurgião
explica que a identificação precoce da doença aumenta as possibilidades de
tratamento com intenção curativa. “O câncer de pulmão pode se desenvolver de
forma silenciosa, sem apresentar sintomas nas fases iniciais. Hoje, contamos
com ferramentas de rastreamento, como a tomografia de tórax de baixa dose,
capazes de identificar nódulos pulmonares ainda assintomáticos, permitindo o
diagnóstico e o tratamento em estágios mais precoces, quando as chances de cura
são maiores. Por isso, é importante manter o acompanhamento médico e avaliar a
indicação do rastreamento, especialmente em pessoas com histórico de tabagismo
ou outros fatores de risco”, orienta.
Quais são as
possibilidades de tratamento?
A definição do
tratamento para o câncer de pulmão depende de fatores como o estágio da doença
e as características do tumor. Além da cirurgia, as opções incluem
quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e terapias-alvo, que podem ser
associadas ao procedimento cirúrgico ou utilizadas em outras etapas do tratamento.
“Hoje, contamos
com diferentes estratégias para tratar o câncer de pulmão. Em alguns pacientes,
a cirurgia pode ser suficiente, enquanto em outros é necessário associar
tratamentos para aumentar as chances de controle da doença. Por isso, é
fundamental que o paciente seja acompanhado de forma integrada pelo cirurgião
torácico e pelo oncologista clínico. Essa avaliação multidisciplinar permite
definir a melhor sequência de tratamento, considerando o estágio do tumor, suas
características e as condições individuais de cada paciente”, ressalta Roeder.
Hospital São Marcelino Champagnat
Hospital Universitário Cajuru
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