Nova diretriz orienta atendimento em
todas as unidades, com abordagem personalizada e baseada nas evidências mais
recentes sobre menopausa
O Einstein Hospital Israelita acaba de criar um protocolo
padronizado de atendimento à mulher no climatério com validade imediata para
suas unidades de saúde. Considerando evidências científicas consistentes em
relação à menopausa e particularidades brasileiras, como a alta prevalência dos
sintomas de “fogacho”, as famosas ondas súbitas de calor, construiu-se uma
anamnese estruturada para garantir melhores práticas no diagnóstico e no
cuidado das pacientes. No Brasil, a idade média de início da menopausa é aos
48 anos, três a menos do que a média mundial. O climatério pode ser acompanhado
de sintomas diversos, incluindo impactos cognitivos, vasomotores, físicos e
urogenitais. Um estudo multicêntrico de 2023 mostrou que a prevalência de
sintomas vasomotores entre as mulheres brasileiras (36,2%) é mais que o dobro
da registrada em outras regiões, como o México (16,5%) e o Canadá (14,7%).1
O protocolo do Einstein parte de uma avaliação clínica profunda,
que busca analisar o quadro de saúde, a qualidade de vida e o histórico
familiar da paciente como um todo, além de encaminhá-la para exames físicos e
complementares. Em casos específicos, as dosagens hormonais podem auxiliar no
diagnóstico, mas não devem ser analisadas de forma isolada, já que os níveis de
hormônio podem variar nesse período. “O diagnóstico do climatério é
essencialmente clínico. Uma anamnese bem executada, com a escuta ativa das pacientes,
é a melhor conduta médica na etapa inicial”, explica a Dra. Helena Hachul,
ginecologista do Einstein.
Na sequência, tendo construído um prontuário detalhado de cada
paciente, a equipe médica desenvolve um plano de cuidado personalizado, que
poderá envolver terapias hormonais ou não hormonais. Ambas as linhas de
tratamento têm indicações e contraindicações bem estabelecidas, seguindo as
melhores evidências científicas, e devem ser discutidas com as próprias
pacientes.
“Cada mulher precisa ser avaliada e tratada de forma
individualizada. A ciência mostra que a terapia hormonal é altamente benéfica,
segura e eficaz se iniciada no tempo oportuno, que chamamos de ‘janela de
oportunidade’, e em casos bem indicados. Nosso protocolo traz essas condutas de
forma clara, inclusive como deve ser calculado o risco-benefício em quadros
mais complexos”, afirma a Dra. Hachul. Se a terapia hormonal for
contraindicada, outras linhas de tratamento poderão ser adotadas para melhoria
dos sintomas da menopausa, incluindo medicamentos recém-aprovados no país.
“É fundamental olhar a paciente como um todo, avaliar o impacto
dos sintomas e discutir alternativas de tratamento em busca de uma decisão
compartilhada baseada em evidências. Mas, para além do protocolo técnico,
buscar enxergar a mulher que está se preparando para uma nova fase da vida e
apoiar nessa transição, que pode ser fisicamente e emocionalmente intensa”,
conclui.
Programa “Care Pathways”
O Einstein mantém um sistema atualizado de “Care Pathways”, protocolos
que detalham, de forma clara e concisa, todas as etapas de cuidado para
condições clínicas e cirúrgicas específicas. Esses documentos orientam desde o
diagnóstico até o pós-alta, com recomendações sobre exames, critérios de
internação, alocação hospitalar, transição medicamentosa, alta e orientações
pós-alta. Elaborados por médicos especialistas e revisados periodicamente,
refletem práticas baseadas em evidências científicas e expertise institucional.
Atualmente, são mais de 400 protocolos validados, em mais de 30 especialidades
médicas.
Referências:
MACHADO, L. et al. [Título não disponível]. Maturitas, 2024. Disponível em: Link. Acesso em: 10 nov. 2025.
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