Especialista explica como protocolo SAMU pode ajudar a identificar rapidamente os principais sinais da doença
Um sorriso, um abraço e uma música: três ações simples que podem ajudar a identificar rapidamente sinais de um acidente vascular cerebral (AVC). Conhecido como teste SAMU, o protocolo pode ser aplicado por qualquer pessoa diante de um caso suspeito e ajuda a encurtar o caminho até o atendimento.
Sintomas como paralisia súbita, dor de cabeça intensa e confusão mental são alguns dos mais comuns. Existem outros menos conhecidos, mas que também podem indicar um acidente vascular. “Podem ser adormecimentos ou a dificuldade de manter a sensibilidade normal em um braço, em uma perna ou em um lado do corpo. No AVC, o tempo para agir é muito curto e bem definido”, afirma o neurocirurgião Dr. Renato Andrade, médico do Hospital Evangélico de Sorocaba (HES). Segundo ele, a rapidez no reconhecimento dos sintomas é fundamental para que o paciente receba atendimento o quanto antes.
O médico explica que o protocolo consiste em observar a resposta da pessoa a quatro etapas:
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S (Sorriso): peça
que a pessoa sorria e observe se os dois lados do rosto se movimentam ou se há
deficiência de movimento nos lábios, do lado direito ou do esquerdo.
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A (Abraço): diga
para a pessoa levantar os dois braços, como se fosse abraçar alguém, e observe
se ela consegue manter os dois elevados ou se um deles apresenta dificuldade de
movimento.
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M (Música): peça
para a pessoa repetir uma frase ou falar uma música conhecida e observe se há
dificuldade para falar ou compreender.
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U (Urgência): diante
de qualquer um desses sinais, ligue imediatamente para o SAMU, pelo número 192.
Quatro horas e meia para agir
Uma particularidade do AVC é a chamada “janela terapêutica”, o
intervalo entre o início dos sintomas e a realização do tratamento, antes do
agravamento do caso. “Essa janela é essencial para a utilização do medicamento
trombolítico, que dissolve o coágulo responsável pelo entupimento da artéria no
cérebro. Esse prazo é de, no máximo, quatro horas e meia, já que o tecido
neurológico é muito sensível à falta de sangue e não resiste além desse
período. Depois disso, a lesão é definitiva”, explica.
Para o médico, um dos principais obstáculos é a demora em buscar atendimento. “A janela terapêutica é um período precioso para realizar um tratamento que possa reverter os sintomas e alterar o prognóstico de um caso de AVC”, diz Andrade.
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| Divulgação. Imagem: Dreamstime. |
Prevenção começa em consulta de rotina
Se reconhecer os sinais rapidamente pode limitar os danos, agir
antes do AVC pode evitá-lo. “O que podemos fazer para modificar a história
natural do acidente vascular cerebral é reduzir o risco, atuando nos fatores
que são modificáveis: tratar a hipertensão arterial e o diabetes, evitar o
tabagismo e adotar a prática de atividade física regularmente”, diz o
neurologista.
Segundo ele, é importante realizar o mapeamento de riscos nas consultas neurológicas de rotina e acompanhar cada paciente. “Precisamos avaliar cada caso individualmente e identificar os fatores que aumentam o risco de AVC, como doenças que favorecem a coagulação, tabagismo, obesidade, sedentarismo, diabetes, hipertensão e histórico familiar. O mais importante é reconhecer esses fatores para podermos agir sobre aqueles que são modificáveis e reduzir as chances de o paciente ter um AVC”, ressalta.
Hospital Evangélico de Sorocaba

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