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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Você saberia reconhecer um AVC em 30 segundos?

Especialista explica como protocolo SAMU pode ajudar a identificar rapidamente os principais sinais da doença

 

Um sorriso, um abraço e uma música: três ações simples que podem ajudar a identificar rapidamente sinais de um acidente vascular cerebral (AVC). Conhecido como teste SAMU, o protocolo pode ser aplicado por qualquer pessoa diante de um caso suspeito e ajuda a encurtar o caminho até o atendimento. 

Sintomas como paralisia súbita, dor de cabeça intensa e confusão mental são alguns dos mais comuns. Existem outros menos conhecidos, mas que também podem indicar um acidente vascular. “Podem ser adormecimentos ou a dificuldade de manter a sensibilidade normal em um braço, em uma perna ou em um lado do corpo. No AVC, o tempo para agir é muito curto e bem definido”, afirma o neurocirurgião Dr. Renato Andrade, médico do Hospital Evangélico de Sorocaba (HES). Segundo ele, a rapidez no reconhecimento dos sintomas é fundamental para que o paciente receba atendimento o quanto antes. 

O médico explica que o protocolo consiste em observar a resposta da pessoa a quatro etapas: 

- S (Sorriso): peça que a pessoa sorria e observe se os dois lados do rosto se movimentam ou se há deficiência de movimento nos lábios, do lado direito ou do esquerdo.

- A (Abraço): diga para a pessoa levantar os dois braços, como se fosse abraçar alguém, e observe se ela consegue manter os dois elevados ou se um deles apresenta dificuldade de movimento.

- M (Música): peça para a pessoa repetir uma frase ou falar uma música conhecida e observe se há dificuldade para falar ou compreender.

- U (Urgência): diante de qualquer um desses sinais, ligue imediatamente para o SAMU, pelo número 192.
 

Quatro horas e meia para agir 

Uma particularidade do AVC é a chamada “janela terapêutica”, o intervalo entre o início dos sintomas e a realização do tratamento, antes do agravamento do caso. “Essa janela é essencial para a utilização do medicamento trombolítico, que dissolve o coágulo responsável pelo entupimento da artéria no cérebro. Esse prazo é de, no máximo, quatro horas e meia, já que o tecido neurológico é muito sensível à falta de sangue e não resiste além desse período. Depois disso, a lesão é definitiva”, explica. 

Para o médico, um dos principais obstáculos é a demora em buscar atendimento. “A janela terapêutica é um período precioso para realizar um tratamento que possa reverter os sintomas e alterar o prognóstico de um caso de AVC”, diz Andrade. 


Divulgação. Imagem: Dreamstime.

Prevenção começa em consulta de rotina 

Se reconhecer os sinais rapidamente pode limitar os danos, agir antes do AVC pode evitá-lo. “O que podemos fazer para modificar a história natural do acidente vascular cerebral é reduzir o risco, atuando nos fatores que são modificáveis: tratar a hipertensão arterial e o diabetes, evitar o tabagismo e adotar a prática de atividade física regularmente”, diz o neurologista. 

Segundo ele, é importante realizar o mapeamento de riscos nas consultas neurológicas de rotina e acompanhar cada paciente. “Precisamos avaliar cada caso individualmente e identificar os fatores que aumentam o risco de AVC, como doenças que favorecem a coagulação, tabagismo, obesidade, sedentarismo, diabetes, hipertensão e histórico familiar. O mais importante é reconhecer esses fatores para podermos agir sobre aqueles que são modificáveis e reduzir as chances de o paciente ter um AVC”, ressalta.

 

Hospital Evangélico de Sorocaba


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