Brasil deve registrar 78.610 novos casos de câncer de mama por ano entre 2026 e 2028¹; no câncer de mama triplo-negativo, avanços científicos vêm ampliando as possibilidades terapêuticas, inclusive na primeira linha da doença metastática
No Outubro Rosa, a atenção costuma se concentrar na mamografia e no diagnóstico precoce. Mas, após a confirmação da doença, identificar corretamente o subtipo do tumor é fundamental para definir a estratégia de tratamento. No câncer de mama triplo-negativo, por exemplo, características biológicas específicas influenciam diretamente as possibilidades terapêuticas.
O Brasil deve registrar 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no triênio 2026–2028, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA)¹. Excluindo os tumores de pele não melanoma, a doença corresponde a cerca de 30% dos novos casos de câncer estimados entre as mulheres no país¹. Em 2024, o SUS realizou 4,4 milhões de mamografias, sendo cerca de 4 milhões para rastreamento². A mamografia pode identificar alterações antes mesmo de serem palpáveis, mas a confirmação do diagnóstico e a caracterização do tumor exigem investigação complementar³.
“Quando falamos de câncer de mama, é importante compreender que
não se trata de uma doença única. Existem diferentes subtipos, com
características biológicas próprias, e essa identificação é fundamental para
orientar a avaliação clínica e as possibilidades de tratamento de cada
paciente”, afirma Dr. Antonio Carlos Buzaid, Diretor Médico Geral dos Centros
de Oncologia dos Hospitais Nove de Julho e Samaritano Higienópolis, da Rede
Américas.
Triplo-negativo: um subtipo com características próprias
Entre os subtipos está o câncer de mama triplo-negativo (CMTN), que representa aproximadamente 10% a 15% dos casos de câncer de mama⁴. O CMTN é diagnosticado com maior frequência em mulheres mais jovens e apresenta características biológicas próprias.
Esse subtipo se diferencia por não apresentar receptores de estrogênio e progesterona nem níveis elevados de HER2, o que historicamente limitou algumas opções terapêuticas. Nos últimos anos, entretanto, estratégias como a imunoterapia e os anticorpos conjugados a medicamentos (ADCs) ampliaram as opções terapêuticas disponíveis para determinados grupos de pacientes⁴.
Na doença metastática, a definição da primeira linha de tratamento
ganha especial relevância. Um estudo de vida real realizado nos Estados Unidos
com 2.004 pacientes com CMTN metastático mostrou que 51% chegaram a receber uma
segunda linha de tratamento, reforçando a importância das decisões terapêuticas
tomadas desde o início da jornada⁸.
“No câncer de mama metastático, a escolha da primeira linha de
tratamento pode influenciar as etapas seguintes da jornada. Por isso, a
avaliação individualizada, considerando características do tumor, condição
clínica, biomarcadores, riscos, benefícios e preferências da paciente, é cada
vez mais importante”, afirma Buzaid.
Novas possibilidades na primeira linha
Em setembro de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou novas indicações de sacituzumabe govitecana para o tratamento de primeira linha de adultos com câncer de mama triplo-negativo irressecável, localmente avançado ou metastático⁵.
A indicação contempla o uso em combinação com pembrolizumabe para pacientes cujos tumores expressem PD-L1 com CPS ≥10 e, como monoterapia, para pacientes que não sejam candidatos a tratamento baseado em inibidores de PD-1 ou PD-L1, conforme os critérios estabelecidos na bula aprovada⁵.
Os estudos clínicos que embasaram as novas indicações avaliaram o medicamento em dois cenários de primeira linha. No ASCENT-03, sacituzumabe govitecana em monoterapia demonstrou redução de 38% no risco de progressão da doença ou morte em comparação à quimioterapia escolhida pelo investigador⁶. No ASCENT-04/KEYNOTE-D19, a combinação com pembrolizumabe, em pacientes com tumores PD-L1 positivos e CPS ≥10, demonstrou redução de 35% no risco de progressão da doença ou morte em comparação a pembrolizumabe associado à quimioterapia⁷.
“Nos últimos anos, observamos uma evolução importante no tratamento do câncer de mama metastático, impulsionada pelo desenvolvimento de terapias mais direcionadas. A aprovação dessa nova indicação amplia as possibilidades terapêuticas disponíveis para os oncologistas e representa mais um avanço para pacientes que convivem com um dos subtipos mais agressivos da doença”, afirma Dr. André Abrahão, diretor médico da Gilead Sciences Brasil.
Neste Outubro Rosa, a discussão sobre diagnóstico pode ir além da
detecção precoce. Após a confirmação da doença, compreender o subtipo e suas
características também é fundamental para orientar a avaliação médica e a
definição da estratégia de tratamento mais adequada para cada paciente.
Gilead Sciences, Inc.
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