Trabalho
no mundo empresarial há muitos anos. Comecei num tempo em que ainda não
existiam muitas das regras de convívio social-corporativo. À época, fumava-se
dentro do escritório, chefes gritavam com subordinados e piadas e insinuações
sexuais eram frequentes.
Graças
a Deus, o mundo mudou. E um dos fatores para essa transformação foi a chegada
das mulheres a postos de comando, o que requereu decência e deferência no trato
com subordinados. Entretanto, as profissionais ainda não são 50% dos
conselheiros e diretores das empresas. Já avançamos muito, mas ainda há um
caminho a seguir, pois a estrutura corporativa ainda é pensada e feita para
homens e as exigências para os cargos continuam muito masculinas.
Por
todas essas questões, gostaria de falar aqui sobre ser mulher no trabalho. Um
exemplo: os homens, quando ficam frustrados, ficam agressivos, nervosos e
intratáveis. Penso que a testosterona faz isso com eles. Nas mesmas situações,
as mulheres choram. É da nossa natureza, mas o sentimento é o mesmo para os
dois. A pergunta é: por que todas nós já fomos chorar escondidas no banheiro e
os homens não têm nenhuma dificuldade em expressar sua decepção em público,
dentro do escritório?
A
resposta é que a mulher que chora na sua estação de trabalho é vista como
júnior, sem estrutura e sem controle emocional. Por isso, tememos ser vistas
chorando. Há alguns anos, chorar em público na empresa era selar para sempre
sua carreira lá. Já está na hora de normalizar a expressão da frustração de uma
maneira muito melhor do que a agressividade. Choramos, enxugamos as lágrimas e
tocamos para a frente.
Os
homens também devem ser ensinados a lidar com uma mulher chorando. A maioria
sente-se muito desconfortável e infeliz ao presenciar essa situação e, com
isso, está menos propensa a promover uma mulher, justamente para não ter que
lidar com os sentimentos de frustração junto com ela. E há situações no
trabalho que nos levam a muita frustração, todos sabemos. Entender como
funciona a mente de alguém diferente de você ou pelo menos respeitar a
diferença é o primeiro passo para termos equipes mais diversas e criativas.
E
já está na hora de sermos nós mesmas, ou seja, sermos mulheres no trabalho.
Valéria Schmitke Ducatti - Conselheira, Membro de Comitês de Auditoria e General Counsel e associada da WCD Brasil
Nenhum comentário:
Postar um comentário