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sábado, 17 de outubro de 2026

É tempo de ser mulher no trabalho


Trabalho no mundo empresarial há muitos anos. Comecei num tempo em que ainda não existiam muitas das regras de convívio social-corporativo. À época, fumava-se dentro do escritório, chefes gritavam com subordinados e piadas e insinuações sexuais eram frequentes. 

Graças a Deus, o mundo mudou. E um dos fatores para essa transformação foi a chegada das mulheres a postos de comando, o que requereu decência e deferência no trato com subordinados. Entretanto, as profissionais ainda não são 50% dos conselheiros e diretores das empresas. Já avançamos muito, mas ainda há um caminho a seguir, pois a estrutura corporativa ainda é pensada e feita para homens e as exigências para os cargos continuam muito masculinas. 

Por todas essas questões, gostaria de falar aqui sobre ser mulher no trabalho. Um exemplo: os homens, quando ficam frustrados, ficam agressivos, nervosos e intratáveis. Penso que a testosterona faz isso com eles. Nas mesmas situações, as mulheres choram. É da nossa natureza, mas o sentimento é o mesmo para os dois. A pergunta é: por que todas nós já fomos chorar escondidas no banheiro e os homens não têm nenhuma dificuldade em expressar sua decepção em público, dentro do escritório? 

A resposta é que a mulher que chora na sua estação de trabalho é vista como júnior, sem estrutura e sem controle emocional. Por isso, tememos ser vistas chorando. Há alguns anos, chorar em público na empresa era selar para sempre sua carreira lá. Já está na hora de normalizar a expressão da frustração de uma maneira muito melhor do que a agressividade. Choramos, enxugamos as lágrimas e tocamos para a frente. 

Os homens também devem ser ensinados a lidar com uma mulher chorando. A maioria sente-se muito desconfortável e infeliz ao presenciar essa situação e, com isso, está menos propensa a promover uma mulher, justamente para não ter que lidar com os sentimentos de frustração junto com ela. E há situações no trabalho que nos levam a muita frustração, todos sabemos. Entender como funciona a mente de alguém diferente de você ou pelo menos respeitar a diferença é o primeiro passo para termos equipes mais diversas e criativas. 

E já está na hora de sermos nós mesmas, ou seja, sermos mulheres no trabalho.
  


Valéria Schmitke Ducatti - Conselheira, Membro de Comitês de Auditoria e General Counsel e associada da WCD Brasil


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