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sábado, 17 de outubro de 2026

Quando a cirurgia plástica pode melhorar a autoestima

Pesquisa recente reforça a importância de considerar a imagem corporal e as expectativas do paciente na indicação do procedimento

 

Uma cirurgia estética pode ir além da mudança na aparência, uma revisão de pesquisadores franceses, publicada em janeiro de 2026, encontrou associação entre procedimentos estéticos e melhora da autoestima. O estudo reuniu 25 pesquisas, com 1.502 adultos, e comparou as avaliações feitas antes e depois das cirurgias. 

Para Marco Dallegrave, cirurgião plástico e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a pesquisa dá peso a uma questão, o que leva cada paciente a buscar o procedimento e quais são suas expectativas antes da decisão. Com 21 anos de atuação na especialidade, o médico realiza cirurgias das mamas e procedimentos de contorno corporal, como a mini lipoaspiração de recuperação rápida. 

“Uma queixa física pode ter efeitos que vão além da aparência. Quando a cirurgia é indicada para aquela pessoa, tratar o que a incomoda pode ajudá-la a se sentir mais confortável com o próprio corpo”. É o que afirma o especialista.

Os pesquisadores encontraram uma associação mais consistente com a melhora da autoestima nas cirurgias das mamas do que nos procedimentos faciais. Parte dos estudos desse grupo incluiu redução mamária, operação que também pode aliviar desconfortos físicos. 

O que a consulta precisa descobrir

Na abordagem defendida por Dallegrave, a avaliação não começa pela escolha de uma técnica. O médico busca compreender há quanto tempo existe a insatisfação, o que o paciente deseja modificar e qual resultado espera alcançar. Essa conversa orienta a indicação e permite explicar, antes da decisão, as possibilidades e os limites da operação.

A formação complementar do cirurgião em psiquiatria contribui para sua atenção aos aspectos emocionais da imagem corporal. “Escutar o paciente é parte do trabalho técnico. Duas pessoas podem procurar a mesma cirurgia por motivos diferentes, e isso precisa ser levado em conta ao planejar o tratamento.”, ressalta Dallegrave.

A perspectiva se relaciona à definição de saúde da Organização Mundial da Saúde, que inclui o bem estar físico, mental e social. No contexto da cirurgia plástica, considerar essas dimensões significa reconhecer a importância da queixa do paciente e, ao mesmo tempo, avaliar se o procedimento disponível pode atendê-la. 


Entre o resultado possível e a expectativa

A satisfação com a própria imagem não depende apenas do resultado cirúrgico. A recuperação leva tempo, o corpo passa por mudanças durante a cicatrização e a percepção do paciente sobre o resultado pode continuar a evoluir. Por isso, Dallegrave considera necessário conversar também sobre o período posterior à operação, e não somente sobre a aparência esperada ao final dele.

“Meu objetivo é que a decisão seja consciente. O paciente precisa entender o que podemos tratar, como será a recuperação e o que não depende da cirurgia. Quando essa conversa é clara, a mudança física pode fazer sentido dentro de um cuidado mais amplo”. É o que conclui o cirurgião.

Assim, a contribuição da cirurgia plástica para o bem estar não está em prometer uma transformação completa da vida do paciente. Está em identificar uma queixa que possa ser tratada, oferecer uma indicação segura e considerar a pessoa que viverá com o resultado.

 

Dr. Marco Dallegrave - médico formado pela Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná (FEMPAR), com residência em Cirurgia Geral pela Santa Casa de Curitiba e residência em Cirurgia Plástica pelo Hospital Universitário Cajuru, em Curitiba (PR). Também possui pós-graduação em Psiquiatria pelo CENBRAP, formação que complementa sua visão sobre os aspectos emocionais e psicológicos envolvidos na relação dos pacientes com a própria imagem. Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), atua há 21 anos na especialidade e já realizou mais de 5 mil cirurgias. Sua prática é voltada à cirurgia plástica estética, com ênfase em procedimentos de contorno corporal, mini lipoaspiração de recuperação rápida e cirurgias das mamas.
Para mais informações, acesse o site e instagram.



Fontes de Pesquisa

Aesthetic Surgery Journal Open Forum, revisão sistemática e metanálise publicada em 2026: https://academic.oup.com/asjopenforum/article/doi/10.1093/asjof/ojag013/8444509

Organização Mundial da Saúde, Constituição e definição de saúde: https://www.who.int/about/governance/constitution


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