Pesquisa recente reforça a importância de considerar a imagem corporal e as expectativas do paciente na indicação do procedimento
Uma cirurgia estética pode ir além da mudança na
aparência, uma revisão de pesquisadores franceses, publicada em janeiro de
2026, encontrou associação entre procedimentos estéticos e melhora da
autoestima. O estudo reuniu 25 pesquisas, com 1.502 adultos, e comparou as
avaliações feitas antes e depois das cirurgias.
Para Marco Dallegrave, cirurgião plástico e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia
Plástica, a pesquisa dá peso a uma questão, o que leva cada paciente a buscar o
procedimento e quais são suas expectativas antes da decisão. Com 21 anos de
atuação na especialidade, o médico realiza cirurgias das mamas e procedimentos
de contorno corporal, como a mini lipoaspiração de recuperação rápida.
“Uma queixa física pode ter efeitos que vão além da
aparência. Quando a cirurgia é indicada para aquela pessoa, tratar o que a
incomoda pode ajudá-la a se sentir mais confortável com o próprio corpo”. É o
que afirma o especialista.
Os pesquisadores encontraram uma associação mais
consistente com a melhora da autoestima nas cirurgias das mamas do que nos
procedimentos faciais. Parte dos estudos desse grupo incluiu redução mamária,
operação que também pode aliviar desconfortos físicos.
O que a consulta precisa
descobrir
Na abordagem defendida por Dallegrave, a avaliação
não começa pela escolha de uma técnica. O médico busca compreender há quanto
tempo existe a insatisfação, o que o paciente deseja modificar e qual resultado
espera alcançar. Essa conversa orienta a indicação e permite explicar, antes da
decisão, as possibilidades e os limites da operação.
A formação complementar do cirurgião em psiquiatria
contribui para sua atenção aos aspectos emocionais da imagem corporal. “Escutar
o paciente é parte do trabalho técnico. Duas pessoas podem procurar a mesma
cirurgia por motivos diferentes, e isso precisa ser levado em conta ao planejar
o tratamento.”, ressalta Dallegrave.
A perspectiva se relaciona à definição de saúde da
Organização Mundial da Saúde, que inclui o bem estar físico, mental e social.
No contexto da cirurgia plástica, considerar essas dimensões significa
reconhecer a importância da queixa do paciente e, ao mesmo tempo, avaliar se o
procedimento disponível pode atendê-la.
Entre o resultado possível e a
expectativa
A satisfação com a própria imagem não depende
apenas do resultado cirúrgico. A recuperação leva tempo, o corpo passa por
mudanças durante a cicatrização e a percepção do paciente sobre o resultado
pode continuar a evoluir. Por isso, Dallegrave considera necessário conversar
também sobre o período posterior à operação, e não somente sobre a aparência
esperada ao final dele.
“Meu objetivo é que a decisão seja consciente. O
paciente precisa entender o que podemos tratar, como será a recuperação e o que
não depende da cirurgia. Quando essa conversa é clara, a mudança física pode
fazer sentido dentro de um cuidado mais amplo”. É o que conclui o cirurgião.
Assim, a contribuição da cirurgia plástica para o
bem estar não está em prometer uma transformação completa da vida do paciente.
Está em identificar uma queixa que possa ser tratada, oferecer uma indicação
segura e considerar a pessoa que viverá com o resultado.
Para mais informações, acesse o site e instagram.
Fontes de Pesquisa
Aesthetic Surgery Journal Open Forum, revisão sistemática e metanálise publicada em 2026: https://academic.oup.com/asjopenforum/article/doi/10.1093/asjof/ojag013/8444509
Organização Mundial da Saúde, Constituição e definição de saúde: https://www.who.int/about/governance/constitution
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