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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

O impacto emocional do diagnóstico, do tratamento e das mudanças no corpo


“Você precisa ser forte.” “Pense positivo.” “Vai dar tudo certo.” A psicóloga e psico-oncologista Tatiana Vainboim chama atenção para um aspecto que nem sempre ganha espaço nas campanhas: a paciente também precisa ter o direito de não estar bem.

“Existe uma expectativa de que o paciente oncológico seja um guerreiro e mantenha o pensamento positivo durante todo o tratamento. Mas essa pessoa pode estar lidando com medo da morte, mudanças no corpo, preocupações com a família, trabalho, sexualidade e futuro. Ela não precisa representar força o tempo inteiro”, explica.
 

O câncer também mexe com a identidade

No câncer de mama, cirurgias, cicatrizes, queda de cabelo e outras alterações decorrentes do tratamento podem afetar a maneira como a mulher enxerga o próprio corpo.

“Não é vaidade se preocupar com o cabelo, com a mama, com uma cicatriz ou com a maneira como o parceiro vai olhar para seu corpo. Tudo isso pode estar relacionado à identidade, autoestima e sexualidade. Dizer apenas ‘o importante é estar viva’ pode invalidar um sofrimento legítimo”, afirma Tatiana.

A especialista também chama atenção para a chamada obrigação de “pensar positivo”.

“Existe uma diferença entre oferecer esperança e exigir otimismo. A mulher pode confiar no tratamento e, ao mesmo tempo, sentir medo, raiva ou tristeza. Uma coisa não anula a outra.”
 

A família também precisa saber como ajudar

O diagnóstico repercute ainda nas relações familiares. Na tentativa de proteger a paciente, familiares podem evitar conversas difíceis, controlar excessivamente sua rotina ou repetir frases motivacionais quando, muitas vezes, ela precisa apenas ser ouvida.

Para Tatiana, uma pergunta simples pode ajudar mais: “Como posso ajudar você hoje?”

O apoio psicológico é essencial durante o tratamento e depois dele, já que o término das terapias não significa necessariamente o desaparecimento imediato do medo.

“A paciente não precisa provar coragem todos os dias. Podemos oferecer tratamento, informação, presença e esperança sem retirar dela o direito de dizer: ‘hoje eu estou com medo’. Acolher essa fragilidade também é uma forma de cuidado”, conclui Tatiana Vainboim.

 

Tatiana Vainboim – psicóloga. Psicóloga especialista em Psicologia Hospitalar Pelo Programa de Aprimoramento em Hospital Geral do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP) e mestre em Neurologia pela Faculdade de Medicina Da Universidade de São Paulo (FMUSP). Especialista em Psicologia Hospitalar pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) e Psico-Oncologista pela Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia (SBPO).https://www.instagram.com/tatianavainboim/



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