Antes
de trocar toda a maquiagem é importante considerar outra possibilidade: não foi
necessariamente o produto que mudou. O rosto também mudou. Segundo Dra.
Daiany Rodrigues Freire, enfermeira estética e biomédica,
existe uma tendência de olhar para o envelhecimento facial apenas como
aparecimento de rugas, mas ele é muito mais complexo. “Ao longo dos anos,
acontecem alterações na qualidade e espessura da pele, na produção de colágeno,
nos compartimentos de gordura e na sustentação da face. Então aquela maquiagem
que era aplicada sobre um determinado contorno passa a ser aplicada sobre uma
estrutura que já não é exatamente a mesma”, explica.
Quando a base começa a “entregar” o que mudou
Com
o passar dos anos, a pele pode se tornar mais seca, fina ou apresentar mudanças
de textura. Linhas que antes praticamente desapareciam com a maquiagem podem
ficar mais evidentes quando recebem produto.
“O
impulso muitas vezes é colocar mais base para esconder. Só que, dependendo da
pele, acontece justamente o contrário: quanto mais produto, mais determinadas
linhas e alterações de textura ficam aparentes”, afirma Daiany.
A
preparação da pele, hidratação adequada, escolha da textura da maquiagem e proteção
solar continuam fundamentais. Mas, quando a mudança é persistente, pode ser
interessante observar se existe também uma alteração na própria qualidade da
pele.
Por que o corretivo pode começar a marcar mais a olheira?
Nem
toda olheira está relacionada apenas à pigmentação. Com o envelhecimento,
alterações de volume e sustentação ao redor dos olhos e no terço médio da face
podem criar sombras e transições mais marcadas.
Nesse
caso, tentar camuflar tudo exclusivamente com corretivo pode não produzir o resultado
esperado.
“Às
vezes a paciente diz que a olheira ficou muito mais forte e que nenhum
corretivo funciona. Quando avaliamos, percebemos que parte daquela aparência
não é simplesmente uma mudança de cor. Existe uma questão de sombra,
profundidade ou transição entre regiões do rosto. Maquiagem trabalha muito bem
a cor, mas não consegue modificar uma alteração estrutural”, explica.
Até o lugar do blush pode parecer diferente
Muitas
mulheres aprendem uma determinada maneira de passar blush e repetem a técnica
durante anos. Mas o ponto que valorizava o rosto aos 25 ou 30 anos pode
produzir uma percepção diferente aos 40, 50 ou 60. Isso acontece porque o rosto
não envelhece apenas na superfície.
Ao
longo dos anos, podem ocorrer alterações nos compartimentos de gordura,
ligamentos, musculatura, pele e até na estrutura óssea. Essas transformações
modificam gradualmente os contornos e a forma como luz e sombra incidem sobre a
face.
“É
por isso que gosto de dizer que não devemos olhar apenas para a ruga. O rosto é
tridimensional. Às vezes a paciente aponta um sulco, mas aquele sulco é
consequência de uma mudança que aconteceu em outra região”, afirma Daiany.
Não é preciso preencher tudo
Perceber
essas mudanças, no entanto, não significa que toda mulher precise recorrer a
procedimentos — e muito menos que a solução seja adicionar volume em todas as
regiões. Para Daiany, esse é justamente um dos principais cuidados quando o
objetivo é obter um resultado natural.
Dependendo
da avaliação individual, podem ser considerados recursos voltados à qualidade
da pele e estímulo de colágeno, como microagulhamento, radiofrequência
microagulhada, laser de CO₂ fracionado e tratamentos regenerativos, enquanto
outras situações podem demandar estratégias de reestruturação e suporte facial,
incluindo o uso criterioso de ácido hialurônico.
A
escolha deve considerar anatomia, idade, características da pele, histórico de
tratamentos e o que realmente incomoda aquela pessoa.
Antes de trocar a maquiagem inteira, observe o seu rosto
Se
a maquiagem começou a se comportar de maneira diferente, a especialista sugere
primeiro investigar questões simples: a pele está mais ressecada? Houve mudança
na rotina de skincare? Algum medicamento novo? Alterações hormonais? Perda
importante de peso? Mudança de produto ou de técnica?
Também
é importante lembrar que iluminação, câmeras de celular e filtros podem
distorcer a percepção da própria aparência.
Mas,
quando a mudança permanece e vem acompanhada de perda de firmeza, alterações de
contorno ou maior percepção de sulcos e sombras, pode existir uma transformação
estrutural natural por trás daquela sensação de que “nenhuma maquiagem funciona
mais”.
“Ninguém precisa simplesmente parecer mais jovem, mas precisa entender o que mudou e, quando existe indicação, trabalhar essas mudanças preservando aquilo que faz aquele rosto ser reconhecido. Um bom resultado de procedimentos estéticos é quando as pessoas percebem que você está bem, mas não conseguem identificar exatamente o que você fez”, conclui Daiany.
Dra. Daiany Freire - enfermeira e biomédica esteta, especialista em Reestruturação Facial e Estética Regenerativa. Possui pós-graduação em Enfermagem Estética pelo Nepuga e especialização em Estética e Cosmetologia com Ênfase em Raciocínio Clínico pela Univates, além de formação complementar com referências nacionais nas áreas de harmonização facial e estética regenerativa. É criadora da técnica Daimily Lips®, desenvolvida a partir de princípios anatômicos, proporção facial e individualização do preenchimento labial, com foco em resultados naturais e harmônicos.
Conselho Regional de Enfermagem (Coren) nº 72548
Conselho Regional de Biomedicina (CRBM nº 64.089
Enfermeira e biomédica com pós-graduação em Enfermagem Estética.
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