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sábado, 17 de outubro de 2026

Base acumulando nos vincos, corretivo evidenciando as olheiras e blush que parece não valorizar mais o rosto como antes podem ter relação não apenas com o produto, mas com mudanças naturais da pele e da estrutura facial

 

Antes de trocar toda a maquiagem é importante considerar outra possibilidade: não foi necessariamente o produto que mudou. O rosto também mudou. Segundo Dra. Daiany Rodrigues Freire, enfermeira estética e biomédica, existe uma tendência de olhar para o envelhecimento facial apenas como aparecimento de rugas, mas ele é muito mais complexo. “Ao longo dos anos, acontecem alterações na qualidade e espessura da pele, na produção de colágeno, nos compartimentos de gordura e na sustentação da face. Então aquela maquiagem que era aplicada sobre um determinado contorno passa a ser aplicada sobre uma estrutura que já não é exatamente a mesma”, explica.
 

Quando a base começa a “entregar” o que mudou

Com o passar dos anos, a pele pode se tornar mais seca, fina ou apresentar mudanças de textura. Linhas que antes praticamente desapareciam com a maquiagem podem ficar mais evidentes quando recebem produto.

“O impulso muitas vezes é colocar mais base para esconder. Só que, dependendo da pele, acontece justamente o contrário: quanto mais produto, mais determinadas linhas e alterações de textura ficam aparentes”, afirma Daiany.

A preparação da pele, hidratação adequada, escolha da textura da maquiagem e proteção solar continuam fundamentais. Mas, quando a mudança é persistente, pode ser interessante observar se existe também uma alteração na própria qualidade da pele.
 

Por que o corretivo pode começar a marcar mais a olheira?

Nem toda olheira está relacionada apenas à pigmentação. Com o envelhecimento, alterações de volume e sustentação ao redor dos olhos e no terço médio da face podem criar sombras e transições mais marcadas.

Nesse caso, tentar camuflar tudo exclusivamente com corretivo pode não produzir o resultado esperado.

“Às vezes a paciente diz que a olheira ficou muito mais forte e que nenhum corretivo funciona. Quando avaliamos, percebemos que parte daquela aparência não é simplesmente uma mudança de cor. Existe uma questão de sombra, profundidade ou transição entre regiões do rosto. Maquiagem trabalha muito bem a cor, mas não consegue modificar uma alteração estrutural”, explica.
 

Até o lugar do blush pode parecer diferente

Muitas mulheres aprendem uma determinada maneira de passar blush e repetem a técnica durante anos. Mas o ponto que valorizava o rosto aos 25 ou 30 anos pode produzir uma percepção diferente aos 40, 50 ou 60. Isso acontece porque o rosto não envelhece apenas na superfície.

Ao longo dos anos, podem ocorrer alterações nos compartimentos de gordura, ligamentos, musculatura, pele e até na estrutura óssea. Essas transformações modificam gradualmente os contornos e a forma como luz e sombra incidem sobre a face.

“É por isso que gosto de dizer que não devemos olhar apenas para a ruga. O rosto é tridimensional. Às vezes a paciente aponta um sulco, mas aquele sulco é consequência de uma mudança que aconteceu em outra região”, afirma Daiany.
 

Não é preciso preencher tudo

Perceber essas mudanças, no entanto, não significa que toda mulher precise recorrer a procedimentos — e muito menos que a solução seja adicionar volume em todas as regiões. Para Daiany, esse é justamente um dos principais cuidados quando o objetivo é obter um resultado natural.

Dependendo da avaliação individual, podem ser considerados recursos voltados à qualidade da pele e estímulo de colágeno, como microagulhamento, radiofrequência microagulhada, laser de CO₂ fracionado e tratamentos regenerativos, enquanto outras situações podem demandar estratégias de reestruturação e suporte facial, incluindo o uso criterioso de ácido hialurônico.

A escolha deve considerar anatomia, idade, características da pele, histórico de tratamentos e o que realmente incomoda aquela pessoa.
 

Antes de trocar a maquiagem inteira, observe o seu rosto

Se a maquiagem começou a se comportar de maneira diferente, a especialista sugere primeiro investigar questões simples: a pele está mais ressecada? Houve mudança na rotina de skincare? Algum medicamento novo? Alterações hormonais? Perda importante de peso? Mudança de produto ou de técnica?

Também é importante lembrar que iluminação, câmeras de celular e filtros podem distorcer a percepção da própria aparência.

Mas, quando a mudança permanece e vem acompanhada de perda de firmeza, alterações de contorno ou maior percepção de sulcos e sombras, pode existir uma transformação estrutural natural por trás daquela sensação de que “nenhuma maquiagem funciona mais”.

“Ninguém precisa simplesmente parecer mais jovem, mas precisa entender o que mudou e, quando existe indicação, trabalhar essas mudanças preservando aquilo que faz aquele rosto ser reconhecido. Um bom resultado de procedimentos estéticos é quando as pessoas percebem que você está bem, mas não conseguem identificar exatamente o que você fez”, conclui Daiany. 



Dra. Daiany Freire - enfermeira e biomédica esteta, especialista em Reestruturação Facial e Estética Regenerativa. Possui pós-graduação em Enfermagem Estética pelo Nepuga e especialização em Estética e Cosmetologia com Ênfase em Raciocínio Clínico pela Univates, além de formação complementar com referências nacionais nas áreas de harmonização facial e estética regenerativa. É criadora da técnica Daimily Lips®, desenvolvida a partir de princípios anatômicos, proporção facial e individualização do preenchimento labial, com foco em resultados naturais e harmônicos.
Conselho Regional de Enfermagem (Coren) nº 72548
Conselho Regional de Biomedicina (CRBM nº 64.089
Enfermeira e biomédica com pós-graduação em Enfermagem Estética.
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