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sábado, 17 de outubro de 2026

Queda da libido afeta 84% das mulheres na menopausa, mas desinformação e silêncio atrasam o diagnóstico de condição que tem tratamento

 Pesquisa inédita revela que quase 90% das mulheres nunca ouviram falar sobre o Desejo Sexual Hipoativo (DSH), embora a maioria relate impacto na qualidade de vida e demonstre interesse em buscar informação e cuidado


Celebrado em 18 de outubro, o Dia Mundial da Menopausa convida a sociedade a ampliar o debate sobre a saúde feminina e os desafios que acompanham essa fase da vida. Entre eles está o Desejo Sexual Hipoativo (DSH), condição caracterizada pela diminuição persistente ou recorrente do desejo sexual associada a sofrimento ou incômodo significativo para a mulher. 

Embora a redução da libido seja uma queixa frequente durante o climatério e a menopausa, especialistas alertam que o problema não deve ser encarado como uma consequência inevitável do envelhecimento. Uma pesquisa inédita realizada pela Consultoria Reds, em parceria com a Herbarium, laboratório botânico referência em fitoterapia no Brasil, ouviu 530 mulheres entre 45 e 60 anos que vivenciam diferentes etapas do climatério e da menopausa. O estudo mostra que 84,2% das entrevistadas relataram diminuição da libido e 86% afirmam que a condição impactou suas vidas de alguma forma. 

Apesar da alta prevalência, o conhecimento sobre o tema ainda é limitado. Segundo a pesquisa, 89,4% das mulheres nunca tinham ouvido falar sobre o Desejo Sexual Hipoativo, enquanto 87% consideram, total ou parcialmente, a diminuição do desejo sexual uma consequência normal do avanço da idade. Além disso, 56,2% desconheciam a existência de opções terapêuticas e tratamentos médicos para a condição. 

"O desejo sexual feminino é influenciado por diversos fatores que se inter-relacionam. Alterações hormonais próprias do climatério e da menopausa podem contribuir para essa mudança, mas aspectos emocionais, relacionais, comportamentais e até questões ligadas à saúde física também exercem papel importante. Por isso, a queda da libido deve ser analisada individualmente, considerando a história e as necessidades de cada mulher", explica o Dr. Gerson Pereira Lopes, ginecologista especialista em sexologia clínica e membro da Comissão Nacional de Sexologia da Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).

 

Falta de informação prolonga o sofrimento

Os resultados revelam ainda um cenário marcado pelo silêncio. Embora 67,8% das entrevistadas realizem acompanhamento ginecológico regular, quase metade (49,4%) sente desconforto para abordar questões relacionadas à vida sexual durante as consultas. 

Essa dificuldade de comunicação pode contribuir para o atraso na busca por ajuda. De acordo com o levantamento, 44,2% das mulheres demoram mais de um ano para procurar orientação médica após perceberem alterações no desejo sexual. 

"Ainda existe muito constrangimento quando o assunto é sexualidade feminina, especialmente após a menopausa. Muitas mulheres acreditam que a perda do desejo faz parte do envelhecimento e, por isso, não levam a questão para o consultório. No entanto, qualquer mudança que cause sofrimento, afete relacionamentos ou comprometa a qualidade de vida merece atenção e acompanhamento profissional", afirma Dra. Fabiene Vale, ginecologista e presidente da Comissão Nacional Especializada (CNE) de Sexologia da FEBRASGO. 

Por outro lado, a pesquisa mostra que o diálogo pode transformar a experiência das pacientes. Entre as mulheres que abordaram o tema durante consultas, 74,1% afirmaram ter se sentido acolhidas e compreendidas pelos profissionais de saúde. 

"Quanto mais informação de qualidade circula, maiores são as chances de que as mulheres reconheçam seus sintomas e procurem ajuda precocemente. Hoje existem diferentes estratégias de cuidado que podem ser avaliadas individualmente, sempre considerando os aspectos físicos, emocionais e relacionais envolvidos. O primeiro passo é entender que sofrer em silêncio não precisa ser a única opção", conclui Dra. Vale.


Sobre a pesquisa

Levantamento realizado pela Consultoria Reds em parceria com a Herbarium com 530 mulheres entre 45 e 60 anos que vivenciam diferentes fases do climatério e da menopausa. O estudo investigou conhecimento sobre Desejo Sexual Hipoativo (DSH), impactos na qualidade de vida, percepção sobre a condição e busca por tratamento.


Herbarium


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