Celebrado em 18 de outubro, o Dia Mundial da
Menopausa convida a sociedade a ampliar o debate sobre a saúde feminina e os desafios
que acompanham essa fase da vida. Entre eles está o Desejo Sexual Hipoativo
(DSH), condição caracterizada pela diminuição persistente ou recorrente do
desejo sexual associada a sofrimento ou incômodo significativo para a mulher.
Embora a redução da libido seja uma queixa frequente durante o
climatério e a menopausa, especialistas alertam que o problema não deve ser
encarado como uma consequência inevitável do envelhecimento. Uma pesquisa
inédita realizada pela Consultoria Reds, em parceria com a Herbarium,
laboratório botânico referência em fitoterapia no Brasil, ouviu 530 mulheres
entre 45 e 60 anos que vivenciam diferentes etapas do climatério e da
menopausa. O estudo mostra que 84,2% das entrevistadas relataram diminuição da
libido e 86% afirmam que a condição impactou suas vidas de alguma forma.
Apesar da alta prevalência, o conhecimento sobre o tema ainda é
limitado. Segundo a pesquisa, 89,4% das mulheres nunca tinham ouvido falar
sobre o Desejo Sexual Hipoativo, enquanto 87% consideram, total ou
parcialmente, a diminuição do desejo sexual uma consequência normal do avanço
da idade. Além disso, 56,2% desconheciam a existência de opções terapêuticas e
tratamentos médicos para a condição.
"O desejo sexual feminino é influenciado por diversos fatores que se inter-relacionam. Alterações hormonais próprias do climatério e da menopausa podem contribuir para essa mudança, mas aspectos emocionais, relacionais, comportamentais e até questões ligadas à saúde física também exercem papel importante. Por isso, a queda da libido deve ser analisada individualmente, considerando a história e as necessidades de cada mulher", explica o Dr. Gerson Pereira Lopes, ginecologista especialista em sexologia clínica e membro da Comissão Nacional de Sexologia da Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).
Falta
de informação prolonga o sofrimento
Os resultados revelam ainda um cenário marcado pelo silêncio.
Embora 67,8% das entrevistadas realizem acompanhamento ginecológico regular, quase
metade (49,4%) sente desconforto para abordar questões relacionadas à vida
sexual durante as consultas.
Essa dificuldade de comunicação pode contribuir para o atraso na
busca por ajuda. De acordo com o levantamento, 44,2% das mulheres demoram mais
de um ano para procurar orientação médica após perceberem alterações no desejo
sexual.
"Ainda existe muito constrangimento quando o assunto é
sexualidade feminina, especialmente após a menopausa. Muitas mulheres acreditam
que a perda do desejo faz parte do envelhecimento e, por isso, não levam a
questão para o consultório. No entanto, qualquer mudança que cause sofrimento,
afete relacionamentos ou comprometa a qualidade de vida merece atenção e
acompanhamento profissional", afirma Dra. Fabiene Vale, ginecologista
e presidente da Comissão Nacional Especializada (CNE) de Sexologia da FEBRASGO.
Por outro lado, a pesquisa mostra que o diálogo pode transformar a
experiência das pacientes. Entre as mulheres que abordaram o tema durante
consultas, 74,1% afirmaram ter se sentido acolhidas e compreendidas pelos
profissionais de saúde.
"Quanto mais informação de qualidade circula, maiores são
as chances de que as mulheres reconheçam seus sintomas e procurem ajuda
precocemente. Hoje existem diferentes estratégias de cuidado que podem ser
avaliadas individualmente, sempre considerando os aspectos físicos, emocionais
e relacionais envolvidos. O primeiro passo é entender que sofrer em silêncio
não precisa ser a única opção", conclui Dra. Vale.
Sobre a pesquisa
Levantamento realizado pela Consultoria Reds em parceria com a
Herbarium com 530 mulheres entre 45 e 60 anos que vivenciam diferentes fases do
climatério e da menopausa. O estudo investigou conhecimento sobre Desejo Sexual
Hipoativo (DSH), impactos na qualidade de vida, percepção sobre a condição e
busca por tratamento.
Herbarium

Nenhum comentário:
Postar um comentário