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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Antes e depois do câncer de mama: cirurgião plástico e ginecologista falam do que o Outubro Rosa pouco discute

Médicos chamam atenção para duas etapas pouco debatidas: a prevenção, que começa antes do diagnóstico, e a reconstrução, que ajuda a devolver autoestima depois do tratamento. 

 

Todo ano, a campanha do Outubro Rosa se concentra no diagnóstico precoce. Falta espaço para os dois extremos dessa história: o que a mulher pode fazer antes de adoecer e o que acontece com sua imagem corporal e sua autoestima depois de vencer o tratamento.

O INCA (Instituto Nacional de Câncer) estima 78,6 mil novos casos de câncer de mama por ano no Brasil entre 2026 e 2028. É o tumor mais frequente entre as mulheres, responsável por cerca de 30% dos diagnósticos, e representa aproximadamente 5 mil casos a mais por ano em relação ao triênio anterior (2023–2025).

O Dr. Reinaldo Maximo, ginecologista, lembra que a prevenção também começa pelo autoconhecimento. “Ninguém melhor do que você mesma, mulher, para identificar e perceber as mudanças do seu próprio corpo.” O ideal é que a mulher mantenha consultas ginecológicas regulares, geralmente anuais, para avaliar sua saúde, atualizar os exames indicados e identificar possíveis alterações. A periodicidade dos exames preventivos deve ser definida de acordo com a idade, o histórico e as necessidades de cada paciente.

A mamografia é o principal exame utilizado no rastreamento do câncer de mama. A Sociedade Brasileira de Mastologia, a FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) e o Colégio Brasileiro de Radiologia recomendam o rastreamento anual para mulheres de 40 a 74 anos. Durante a consulta, também é importante investigar o histórico familiar de câncer, segundo o INCA, cerca de 5% a 10% dos casos de câncer de mama estão relacionados a fatores hereditários. Quando há histórico familiar, a necessidade de investigação genética e a idade para iniciar o rastreamento podem variar conforme o grau de parentesco, a idade em que o familiar recebeu o diagnóstico e outros fatores individuais.

Existem também fatores de risco que podem ser modificados, e isso faz diferença. O excesso de peso, sedentarismo, consumo de bebidas alcoólicas e tabagismo merecem atenção, especialmente após a menopausa. Por isso, é importante praticar atividade física regularmente, como caminhada, além de incluir exercícios de força, como a musculação. Manter uma alimentação equilibrada, priorizar frutas, verduras e legumes, reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, evitar bebidas alcoólicas e não fumar são medidas que contribuem para a saúde. A amamentação também é considerada um fator protetor contra o câncer de mama.

“A mulher precisa conhecer as próprias mamas e procurar atendimento médico diante de qualquer alteração, como nódulos, secreção pelo mamilo ou mudanças na pele, sem esperar a próxima consulta de rotina. Cuidar de si não é luxo. É uma forma de valorizar a própria saúde e de aumentar as chances de identificar a doença precocemente”, orienta o ginecologista.


A história de Carmelinda

Carmelinda Rodrigues Messias, 68 anos, trabalhava na área da saúde e tinha o hábito de adiar a própria consulta. "A gente que trabalha na saúde mexe com muita coisa e esquece de si. Eu mesma não ia ao médico."

Ao sentir um nódulo na mama esquerda, o medo a paralisou. "Senti um carocinho e fiquei com medo de ir ao médico. Ele foi aumentando e eu não falava para ninguém. Fui negligente no início, poderia ter logo no começo já procurado o médico." Foi uma colega do centro cirúrgico que marcou a consulta. Com o tumor já grande, o tratamento começou com seis ciclos de quimioterapia, antes da cirurgia e da radioterapia.

O diagnóstico revelou também uma condição de saúde que ela desconhecia. "Na minha cabeça, eu era uma pessoa normal, que não sentia nada. Foi durante os exames do tratamento que descobri pressão alta, colesterol alto, triglicerídeos altos." Na época, Carmelinda pesava 110 quilos. Depois do diagnóstico, a profissional de saúde mudou a alimentação e, hoje, perdeu 50 quilos.


Reconstrução e autoestima

Após o tratamento, Carmelinda passou pela cirurgia de retirada parcial da mama, mas, logo em seguida, escolheu fazer cirurgias plásticas reparadoras com o Dr. Pedro Morales. "Antes eu não tinha autoestima, nem olhava no espelho. Hoje eu escolho a roupa que eu quero."

O Dr. Pedro Morales é cirurgião plástico e tem entre seus propósitos a restauração corporal e também da autoestima feminina por meio da reconstrução da mama. “O câncer, por si só, já é algo que afeta não só a condição física, mas também o mental. Ninguém está preparado para enfrentar o processo. Muitas mulheres, após a retirada da mama, ficam com marcas profundas, no corpo e na mente. A cirurgia restauradora é para recuperar esse poder feminino e ser mais um elemento vitorioso após vencer o câncer”, comenta o médico cirurgião plástico.

O acesso a esse cuidado tem avançado. Dr. Morales aponta uma alta demanda e uma procura cada vez mais frequente de mulheres por esse tipo de procedimento. Na rede pública, em 2025, o SUS realizou 19,4 mil cirurgias de reconstrução mamária, mais que as 18,3 mil mastectomias realizadas no mesmo ano, pela primeira vez na série. Em 2022, foram 12,3 mil. O Ministério da Saúde também ampliou o direito à cirurgia reparadora, antes restrito às sequelas do tratamento do câncer, para todas as situações de mutilação mamária, total ou parcial.

Estudos brasileiros e internacionais associam a reconstrução a uma melhor imagem corporal e a menos sintomas depressivos em comparação com a mastectomia isolada. Os resultados variam conforme a metodologia, e a escolha deve ser feita com a equipe médica, respeitando o desejo de cada mulher.


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