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Ginecologista é o médico da mulher e
pode orientá-la sobre a importância das vacinas
· Dia 17 de outubro: Dia Nacional da Vacinação
Vacinação não é assunto apenas da infância. Da adolescência à gestação, passando pela vida adulta e pelo envelhecimento, manter a imunização em dia faz parte do cuidado com a saúde da mulher. Apesar dos avanços registrados nos últimos anos, desinformação, baixa percepção sobre o risco das doenças e barreiras de acesso ainda dificultam a ampliação das coberturas vacinais no país. “Entre os principais desafios estão a desinformação e a circulação de informações falsas sobre vacinas, a baixa percepção do risco das doenças preveníveis, a pouca recomendação por parte dos profissionais de saúde e as diferenças de acesso e disponibilidade entre as regiões”, explica a Dra. Cecilia Maria Roteli Martins, ginecologista da Comissão Nacional Especializada em Vacinas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).
Segundo a
especialista, o problema acompanha as diferentes faixas etárias e as coberturas
vacinais ainda estão abaixo do ideal para diferentes imunizantes, especialmente
entre adolescentes e gestantes.
A vacinação contra
o HPV é uma das frentes que precisam continuar avançando, pois há lacunas,
especialmente entre adolescentes. Na gestação, outro obstáculo frequente é o
receio de que as vacinas possam provocar efeitos adversos no feto. “Essa
preocupação ainda pesa muito na decisão das gestantes. Por isso, a orientação
clara do profissional de saúde é fundamental para explicar quais vacinas são
recomendadas e qual é o benefício da imunização para a mulher e para o bebê”,
destaca Dra. Cecilia.
Ela lembra que a
cobertura da dTpa (vacinação contra difteria, tétano e coqueluche) entre
gestantes e a vacinação contra o HPV entre adolescentes vêm aumentando, mas
precisam manter essa trajetória.
Para a FEBRASGO, a
consulta ginecológica é também uma oportunidade para revisar a situação vacinal
da paciente. “O ginecologista e obstetra é um médico de referência para muitas
mulheres. Por isso, é de suma importância que esse profissional tenha acesso às
informações e atualizações sobre as vacinas recomendadas para cada fase da
vida”, afirma.
A médica alerta
que o cuidado com as vacinas não deve terminar após a idade reprodutiva.
Mulheres mais velhas também precisam continuar acompanhando sua carteira
vacinal. Entre as imunizações que podem ser esquecidas nessa faixa etária estão
as vacinas pneumocócicas, importantes especialmente na população idosa.
Menor
percepção de risco pode reduzir procura por vacinas
A especialista
lembra que o Brasil registrou grandes avanços nas coberturas vacinais a partir
da década de 1980, período em que doenças infecciosas ainda eram mais visíveis
para a população. Os índices chegaram a patamares elevados nos anos 2000, mas
começaram a cair a partir de 2015 e 2016, cenário posteriormente agravado pela pandemia
de Covid-19. Uma das explicações é justamente a menor percepção de risco.
“Há uma geração
que não conviveu de perto com muitas das doenças preveníveis por vacinação.
Quando as pessoas deixam de enxergar essas doenças, também podem passar a
considerar a vacinação menos necessária”, explica. A situação da febre amarela
ilustra o movimento contrário: após a epidemia de 2017, houve aumento
importante na procura pela vacina, reforçando o peso da percepção de risco
sobre a adesão.
Para ampliar a
vacinação, Dra. Cecilia aponta a necessidade de aprimorar os registros das
coberturas vacinais, facilitar o acesso aos imunizantes, ampliar horários e
locais de vacinação e investir em comunicação clara sobre benefícios e
possíveis eventos adversos. Também são necessárias estratégias adaptadas às diferentes
realidades regionais, com ajustes nos sistemas de informação, simplificação dos
calendários e planejamento local.
“Vacinação deve ser lembrada ao longo de toda a vida. Cada consulta é uma oportunidade para verificar o que está pendente e orientar a mulher de acordo com sua idade, condições de saúde e fatores de risco”, finaliza a especialista da FEBRASGO.
FEBRASGO lidera a Campanha #EuVejoVocê – Pelo fim da violência contra a mulher,
https://www.febrasgo.org.br/pt/
@febrasgooficial
@feitoparaelaoficial
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