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sábado, 17 de outubro de 2026

Falhas no cabelo das crianças não devem ser tratadas como um problema apenas estético

No Mês das Crianças, áreas sem fios, descamação e coceira merecem atenção. Jordânia Nunes orienta o que observar na rotina de cuidados e quando buscar avaliação médica para investigar causas como infecções e diferentes formas de alopecia.

 

Uma falha redonda e lisa no couro cabeludo, daquelas que aparecem de um dia para o outro, costuma ser lida pelos pais como coisa de criança. Nem sempre é, a alopecia areata, doença autoimune que provoca esse tipo de área sem fios, tem prevalência de 0,1% a 0,2% na população, segundo artigo de atualização publicado no BWS Journal, e pode se manifestar já entre os 5 e os 10 anos de idade. Outras causas, como infecções por fungos, também entram na lista e pedem diagnóstico.

Quem acompanha esse tipo de queixa no consultório é a tricologista Jordânia Nunes, formada em Estética e Cosmetologia, pós-graduada em Tricologia e biomédica, com seis anos de atuação na área. Segundo ela, o erro mais comum é esperar. "A família percebe a falha, imagina que seja estresse, uma fase, e vai adiando. Quando a criança chega, às vezes já passaram meses", conta.

O primeiro passo é olhar com atenção, Jordânia explica que o aspecto da área diz muito. "Uma região lisa, sem vermelhidão, tem uma cara. Já uma região com descamação, fios quebrados rente à pele e coceira tem outra, e pode apontar para uma infecção fúngica, que precisa de tratamento específico", afirma. Segundo a especialista, quanto mais cedo a investigação começa, menor a chance de o quadro se estender.

A rotina também conta, tranças muito apertadas, elásticos fortes e penteados que repuxam o couro cabeludo todos os dias podem provocar perda de fios por tração. Há ainda o hábito de arrancar o cabelo sem perceber, comum em fases de ansiedade. "Muitas vezes o problema não está no shampoo. Está no penteado de todo dia ou em algo que a criança está sentindo e não sabe dizer", observa.

Entre os cuidados que ela recomenda estão lavar a cabeça com a frequência adequada para o tipo de fio, secar bem o couro cabeludo e evitar o compartilhamento de pentes, escovas, bonés e toucas. Produtos de alisamento e tinturas, diz, não têm lugar na rotina infantil. "O couro cabeludo da criança é mais sensível, e o que parece inofensivo pode causar irritação importante."

Na hora de decidir quando procurar ajuda, Jordânia é direta, falha que aumenta, descamação que não passa, coceira constante, feridas ou fios que se quebram com facilidade justificam uma consulta com pediatra ou dermatologista. O tricologista ajuda a acompanhar e orientar os cuidados, mas o diagnóstico e a prescrição de medicamentos são papel do médico. "Não é para ninguém fazer teste em casa com receita de internet. Cada causa pede um caminho diferente", alerta.

Existe ainda o lado emocional, que ela diz não perder de vista. Crianças com falhas visíveis tendem a sofrer com comentários na escola e, em alguns casos, passam a esconder a cabeça com bonés e capuzes. "Cabelo mexe com a autoestima desde cedo. Acolher a criança e explicar que existe tratamento já é parte do cuidado", completa.

 

Fonte: Jordânia Nunes — tricologista há seis anos, formada em Estética e Cosmetologia, pós-graduada em Tricologia e formada em Biomedicina.


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