No Mês das Crianças, áreas sem fios, descamação e coceira merecem atenção. Jordânia Nunes orienta o que observar na rotina de cuidados e quando buscar avaliação médica para investigar causas como infecções e diferentes formas de alopecia.
Uma
falha redonda e lisa no couro cabeludo, daquelas que aparecem de um dia para o
outro, costuma ser lida pelos pais como coisa de criança. Nem sempre é, a
alopecia areata, doença autoimune que provoca esse tipo de área sem fios, tem
prevalência de 0,1% a 0,2% na população, segundo artigo de atualização
publicado no BWS Journal, e pode se manifestar já entre os 5 e os 10 anos de
idade. Outras causas, como infecções por fungos, também entram na lista e pedem
diagnóstico.
Quem
acompanha esse tipo de queixa no consultório é a tricologista Jordânia Nunes,
formada em Estética e Cosmetologia, pós-graduada em Tricologia e biomédica, com
seis anos de atuação na área. Segundo ela, o erro mais comum é esperar. "A
família percebe a falha, imagina que seja estresse, uma fase, e vai adiando.
Quando a criança chega, às vezes já passaram meses", conta.
O
primeiro passo é olhar com atenção, Jordânia explica que o aspecto da área diz
muito. "Uma região lisa, sem vermelhidão, tem uma cara. Já uma região com descamação,
fios quebrados rente à pele e coceira tem outra, e pode apontar para uma
infecção fúngica, que precisa de tratamento específico", afirma. Segundo a
especialista, quanto mais cedo a investigação começa, menor a chance de o
quadro se estender.
A rotina
também conta, tranças muito apertadas, elásticos fortes e penteados que repuxam
o couro cabeludo todos os dias podem provocar perda de fios por tração. Há
ainda o hábito de arrancar o cabelo sem perceber, comum em fases de ansiedade.
"Muitas vezes o problema não está no shampoo. Está no penteado de todo dia
ou em algo que a criança está sentindo e não sabe dizer", observa.
Entre
os cuidados que ela recomenda estão lavar a cabeça com a frequência adequada
para o tipo de fio, secar bem o couro cabeludo e evitar o compartilhamento de
pentes, escovas, bonés e toucas. Produtos de alisamento e tinturas, diz, não
têm lugar na rotina infantil. "O couro cabeludo da criança é mais
sensível, e o que parece inofensivo pode causar irritação importante."
Na
hora de decidir quando procurar ajuda, Jordânia é direta, falha que aumenta,
descamação que não passa, coceira constante, feridas ou fios que se quebram com
facilidade justificam uma consulta com pediatra ou dermatologista. O
tricologista ajuda a acompanhar e orientar os cuidados, mas o diagnóstico e a
prescrição de medicamentos são papel do médico. "Não é para ninguém fazer
teste em casa com receita de internet. Cada causa pede um caminho
diferente", alerta.
Existe
ainda o lado emocional, que ela diz não perder de vista. Crianças com falhas
visíveis tendem a sofrer com comentários na escola e, em alguns casos, passam a
esconder a cabeça com bonés e capuzes. "Cabelo mexe com a autoestima desde
cedo. Acolher a criança e explicar que existe tratamento já é parte do cuidado",
completa.
Fonte: Jordânia Nunes — tricologista há seis anos,
formada em Estética e Cosmetologia, pós-graduada em Tricologia e formada em
Biomedicina.
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