A Comédia traz um homem em conflito com sua sexualidade e identidade, dividido entre um antigo amor e uma nova e inesperada paixão.
Contemplado pelo 10º Prêmio Zé Renato da Cidade de São Paulo e indicado a Melhor espetáculo presencial de 2021 pelo Prêmio APCA, Cock, com texto do autor inglês Mike Bartlett e direção assinada por Nelson Baskerville, realizará cinco apresentações gratuitas no Projeto Pulsa SP, uma iniciativa da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa de São Paulo, com organização do Instituto BR. As apresentações acontecerão nos dias 16, 17 e 18 de outubro no Teatro João Caetano e 23 e 24 de outubro no Teatro Arthur Azevedo, sempre às sextas e sábados às 20h00 e domingos às 19h00.
No elenco estão Bruna Thedy, Daniel Tavares (Melhor Ator
– Zescar), Hugo Coelho e Marco Antônio Pâmio (Melhor ator coadjuvante –
Observatório do Teatro). A peça fala com muito humor sobre identidade,
relacionamentos, desejo, bissexualidade e outros temas presentes no debate
contemporâneo.
Cock é uma das obras mais emblemáticas da carreira do
dramaturgo britânico Mike Bartlett e rendeu ao autor o Olivier Award (2010) na
categoria Outstanding Achievement, prêmio considerado a principal honraria do
teatro britânico. No Brasil, a dramaturgia de Bartlett, frequentemente apontado
como um dos principais autores da cena contemporânea inglesa, vem ganhando cada
vez mais espaço, e com Cock não foi diferente.
O espetáculo acompanha o turbulento processo de descoberta da identidade e da sexualidade de John, que namora há sete anos com um homem. Quando ele e seu companheiro decidem dar um tempo, o protagonista se apaixona por uma mulher, algo novo em sua vida.
Cheio de angústias e sentimentos conflitantes, John é
pressionado a decidir entre o amor de seu antigo namorado e de sua nova
parceira. Mas a maior luta do protagonista é para entender quem ele realmente é
e o que sente. Esse conflito é ainda mais agravado pelos próprios desejos de
John e pela pressão social para que ele se enquadre em rótulos
pré-determinados.
Cock, em inglês, é uma palavra com múltiplos sentidos. Significa galo, pau/pênis e também é uma gíria para descrever alguém de personalidade arrogante. A peça brinca com todos esses sentidos. Conhecida como The Cockfight Play, a obra dramatúrgica começou a ser escrita durante um intercâmbio do autor no México, país da luta livre e onde ainda existem as brigas de galos. De alguma forma, Bartlett conectou o ritual das rinhas, nas quais, em um pequeno palco, duas criaturas se atacam, lutam e se destroem, - com o ritual do teatro. E a partir dessa imagem, ele construiu essa trama centrada em embates cortantes e emocionais.
Nessa disputa, em que cada personagem tenta convencer os
demais sobre seu ponto de vista, a plateia é colocada com muita delicadeza no
papel de voyeur e é convidada a pensar sobre as questões debatidas. E esse
exercício de empatia com a situação dos quatro personagens é acentuado pelo
fato de que o texto não traz respostas prontas.
A encenação
O diretor Nelson Baskerville segue a sugestão do autor de ambientar a peça em um ringue. No centro do palco, os quatro atores se chocam entre si, expondo angústias, medos, amores e os próprios desejos. “A encenação cria um espaço de confronto em que cada palavra e cada silêncio contam. A ideia é aproximar o público das tensões desses personagens, para que ele acompanhe suas respirações, sinta suas inquietações e também sofra por eles e possa torcer para que se machuquem o menos possível, porque é evidente que vai doer. O amor é transgressivo e dói”, comenta o diretor.
Quanto à ambientação cênica, há apenas um grande tapete que indica a área em formato de quadrado dos embates e sobre essa área, há uma grande luminária que varia entre uma luz mais crua e fria e outra mais quente e intimista dependendo do que está acontecendo em cena. Tudo é mínimo para que o foco seja a ação dramática e para que o público se mantenha engajado com uma imaginação ativa criando seus próprios significados.
A encenação também segue outra sugestão de Bartlett na
concepção dos figurinos, que é a de caracterizar os personagens sem muitas
definições ilustrativas e óbvias, o que é importante em uma peça na qual se
questiona justamente a categorização das pessoas. E como se trata de uma
dramaturgia impecável, construída por um grande engendrador de almas e profundo
conhecedor do ofício, ela tem seu valor potencializado/evidenciado na
exploração dos tempos, ritmos, sutilezas, pausas, e interrupções de falas
sugeridas na obra. Tudo isso conduzido por um jogo absolutamente vivo e preciso
dos atores.
Sinopse:
John tem um relacionamento com outro homem há sete anos.
Quando os dois resolvem dar um tempo, ele se apaixona por uma mulher. Cheio de
angústias e sentimentos conflitantes, o protagonista mantém as duas relações
sem saber para que lado ir. Tanto o namorado como a namorada estão
dispostos a lutar pelo amor de John, mas a maior briga do protagonista é para
entender quem ele é, num torturante conflito com o próprio desejo e sem
conseguir se enquadrar nos rótulos sociais.
Ficha Técnica:
TEXTO: Mike Bartlett. DIREÇÃO: Nelson Baskerville.
ELENCO: Bruna Thedy, Daniel Tavares, Hugo Coelho e Marco Antônio Pâmio.
TRADUÇÃO: Marco Aurélio Nunes. ILUMINAÇÃO: Wagner Freire. FIGURINO: Marichilene
Artisevskis. CENÁRIO: Chris Aizner. TRILHA SONORA ORIGINAL: Daniel Maia. VOZ:
Ligiana Costa. CANÇÃO “YOU KNOW”: Daniel Maia e Ligiana Costa. PREPARADOR
CORPORAL: Mauricio Flores. ASSISTENTE DE FIGURINO: Giovanna Belucci.
TÉCNICO DE PALCO: Victor Silvério. TÉCNICO DE LUZ E SOM: Weverton DarkDTS.
ASSESSORIA DE IMPRENSA: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes. FOTOS DE
DIVULGAÇÃO: Heloísa Bortz. FOTOS DO ESPETÁCULO: Annelize Tozetto. TRÁFEGO PAGO:
Herbert Salles. IDENTIDADE GRÁFICA E DESIGNER GRÁFICO: Lucas Sancho.
IDEALIZAÇÃO E PRODUÇÃO: Daniel Tavares (Da Latta Cultura e Conteúdo) e Jessica
Rodrigues (Rodri Produções). DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: Jessica Rodrigues.
COORDENAÇÃO DE PRODUÇÃO: Carolina Henriques. PRODUÇÃO EXECUTIVA: Julia Terron.
Serviço:
COCK, de Mike Bartlett, com direção de Nelson Baskerville
Apresentações gratuitas
16, 17 e 18 de outubro no Teatro João Caetano
sexta e sábado às 20h00 e domingo às 19h00
R. Borges Lagoa, 650 - Vila Clementino, São Paulo - SP,
04038-020
Retirada de ingressos na Sympla ou no teatro 1 hora antes
do inicio do espetáculo.
23 e 24 de outubro no Teatro Arthur Azevedo
sexta e sábado às 20h00
Av. Paes de Barros, 955 - Alto da Mooca, São Paulo - SP,
03115-020
Retirada de ingressos na Sympla ou no teatro 1 hora antes
do inicio do espetáculo.
Duração: 90 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Nenhum comentário:
Postar um comentário