Com direção de Eduardo Tolentino de Araujo, “Filumena Marturano” é protagonizada por Sandra Corveloni e André Garolli. O elenco ainda conta com Walter Breda e Maria do Carmo Soares, que trazem grande parte da comicidade para a trama.
A proposta visual se estende
aos figurinos, que variam não apenas nas cores, mas também nas texturas dos materiais
e nos adereços utilizados em cena. A trilha sonora reúne antigas canções napolitanas,
executadas a cappella pelos próprios atores em momentos pontuais da encenação.
A obra também foi adaptada
para o cinema por Vittorio De Sica em Matrimônio à Italiana (Matrimonio
all'italiana, 1964) e protagonizada por Sophia Loren e Marcello Mastroianni.
No teatro, a atriz Joan Plowright interpretou a personagem principal em montagens
realizadas em Londres, em 1977, e na Broadway, em 1980. Judi Dench também viveu
Filumena no West End de Londres, em temporada realizada entre 1998 e 1999.
No Brasil, a montagem do Teatro
dos Quatro teve Yara Amaral como protagonista. Após a morte da atriz no naufrágio
do Bateau Mouche, na passagem de 1988 para 1989, Nathalia Timberg assumiu o papel
e deu continuidade ao projeto.
A trajetória de Filumena
Marturano chegou ao Vaticano. Em julho de 1947, o elenco da montagem original
foi recebido em audiência privada pelo Papa Pio XII. Durante o encontro, o pontífice
pediu que Titina De Filippo, intérprete original da protagonista, recitasse um dos
monólogos da peça. A atriz apresentou a oração de Filumena à Madonna das Rosas.
A história da peça
estabelece uma relação direta com São Paulo pela presença italiana na formação
cultural e social da cidade. A ambientação napolitana da obra, com suas relações
familiares, costumes e modos de vida, se conecta com uma metrópole que recebeu sucessivas
levas de imigrantes italianos a partir do final do século 19, especialmente em bairros
como a Bela Vista, onde essa herança permanece presente.
Com entrada gratuita, o espetáculo
marca a estreia do Grupo TAPA no Teatro do SESI-SP, no Centro Cultural FIESP,
na Avenida Paulista.
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| Fotos Ronaldo Gutierrez |
Eduardo Tolentino de Araujo
também relaciona a peça à trajetória pessoal de Eduardo De Filippo. “Filho
ilegítimo, assim como Titina e Pepino, seus dois irmãos, Eduardo faz, por meio
da peça, um acerto de contas com seu pai, o consagrado dramaturgo Eduardo
Scarpetta, que nunca os filiou. Ele inverte o senso de que a arte imita a vida,
mas a corrige e, com isso, resgata um protagonismo roubado da sua mãe por uma
sociedade machista. Sua Filumena é uma leoa, que luta com unhas e dentes ou garras
pela legitimidade dos filhos e, para isso, emprega todas as armas, nem sempre honestas.
Afinal, se a sociedade não é justa, só resta combatê-la com o princípio homeopático
de usar o veneno contra o próprio veneno.”
Sinopse
Inspirada em uma notícia de
jornal sobre uma mulher que simula estar em estado terminal para convencer o homem
que ama a se casar com ela como seu último desejo, Eduardo De Filippo desenvolve
a trama de sua peça mais popular, Filumena Marturano (1946).
O pano se abre com a revelação
do golpe da protagonista, e a história se desenrola, ao longo de uma hora e meia,
entre surpresas e revelações sobre o passado dos personagens e suas consequências
para o futuro.
Depois de vinte e cinco
anos de convivência extraoficial com Domênico, que a retirou de um bordel,
Filumena guarda um segredo que vem à tona: ela teve três filhos e deseja o casamento
para legitimar a paternidade. Mas há uma carta na manga: apenas um deles é filho
de Domênico. Talvez sejam os três, mas esse é um trunfo que Filumena não entrega
de bandeja.
Entre a comédia e o drama sentimental,
De Filippo resgata, por meio da ficção, o sobrenome que ele e seus dois irmãos,
filhos ilegítimos, nunca tiveram. A arte corrige a vida, para deleite dos espectadores.
Ficha Técnica
Direção
Eduardo Tolentino de Araujo
Elenco:
- Sandra Corveloni
— Filumena Marturano (protagonista)
- André Garolli
— Domênico
- Walter Breda — Alfredo
- Maria do Carmo Soares
— Rosália
- Ivan Nobrega — Michaele
- Felipe Souza — Ricardo
- Ruiz Angellus
— Umberto
- Luísa Ferrari
— Diana
- Daniel Volpi — Nocella
- Mari Teixeira
— Lucia [1, 2]
FILUMENA MARTURANO
Centro Cultural FIESP – Teatro do SESI São Paulo
Av. Paulista, 1.313, Bela Vista – São Paulo/SP
Temporada: 16 de outubro a 20 de dezembro
Horários: quinta a sábado, às 20h; domingos, às 19h
Ingressos: gratuitos
Classificação indicativa: 12 anos
Duração: 90 minutos
SESI-SP

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