Acompanhamento oftalmológico contínuo,
uso moderado de telas e brincadeiras ao ar livre ajudam a identificar
alterações e favorecem o desenvolvimento da visão
Imagem de rawpixel.com no Magnific
Depois de celebrar o Dia das Crianças, vale observar como anda a
saúde dos pequenos no dia a dia. Será que eles conseguem enxergar bem de longe?
Os olhos ficam alinhados ou um deles parece desviar? Essas observações, somadas
ao acompanhamento oftalmológico, são importantes para identificar precocemente
alterações que podem comprometer o desenvolvimento visual.
A Dra. Eveline Barros, oftalmopediatra do HOPE - Hospital de Olhos
de Pernambuco, explica que os cuidados devem começar desde o nascimento e
ganhar atenção especial nos primeiros sete anos de vida. “Ao nascer, é
importante realizar o teste do olhinho para verificar se existe alguma
alteração que possa comprometer a visão. Depois, as consultas de rotina ajudam
a acompanhar o desenvolvimento visual, mesmo quando a criança não apresenta
sintomas”, explica a médica. Segundo ela, essa atenção é fundamental porque,
até os seis ou sete anos, o cérebro ainda está amadurecendo as habilidades
visuais.
Entre os sinais que merecem atenção estão o estrabismo,
caracterizado pelo desalinhamento dos olhos, e a dificuldade para reconhecer
pessoas ou objetos à distância, que pode indicar miopia. “Não devemos esperar
que a criança reclame de alguma dificuldade para procurar um oftalmologista. O
acompanhamento preventivo permite identificar alterações e avaliar se a visão
está se desenvolvendo adequadamente”, destaca.
Os hábitos da infância também merecem atenção. O uso excessivo de
celulares, tablets e outros dispositivos favorece períodos prolongados de
atividades para perto, um dos fatores ambientais associados ao aumento dos
casos de miopia. Para os menores de dois anos, a recomendação é evitar telas.
“A criança precisa se movimentar, correr, explorar o ambiente e
praticar a visão para longe. Essas experiências são importantes para o
desenvolvimento das habilidades visuais. Quando os eletrônicos ocupam muito
espaço na rotina, outras atividades essenciais acabam sendo deixadas de lado”,
alerta a oftalmopediatra.
Uma das formas de equilibrar essa rotina é incentivar brincadeiras
ao ar livre, como jogos com bola, passeios em parques e atividades que
estimulem o movimento. Além de diversificarem os estímulos visuais, esses
momentos favorecem a exposição à luz natural, associada a um menor risco de desenvolvimento
da miopia.
“É importante combinar o acompanhamento oftalmológico com hábitos
saudáveis. Reservar tempo para atividades externas, limitar o uso de
eletrônicos e observar possíveis mudanças no comportamento visual são medidas
que ajudam a cuidar da visão desde cedo”, orienta a médica.
Mais do que uma preocupação pontual, a saúde ocular deve fazer
parte da rotina das famílias durante todo o ano. “O desenvolvimento visual
acontece ao longo da infância, e os primeiros anos são especialmente importantes.
Por isso, não basta procurar ajuda quando surge uma dificuldade. É preciso
acompanhar, prevenir e garantir que a criança tenha oportunidades de
desenvolver a visão de maneira saudável”, finaliza a Dra. Eveline Barros.
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