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segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Raios solares podem causar câncer?

Com a chegada do Dezembro Laranja, especialista esclarece mitos acerca do câncer de pele

 

O calor do verão brasileiro se aproxima, e com ele, o convite à praia, à piscina e ao sol torna-se quase uma tradição. Em meio a este cenário, o Dezembro Laranja surge como um chamado à reflexão. Mais que uma campanha, é um alerta, já que o câncer de pele é um dos tipos mais frequentes no Brasil e no mundo. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), cerca de 185 mil novos casos são diagnosticados no país anualmente.

Segundo o Ministério da Saúde, o câncer de pele se manifesta em dois grandes grupos: melanoma e não melanoma. O primeiro representa uma pequena parcela (cerca de 4%), mas é o mais agressivo e com maior potencial de metástase. Já o câncer de pele não melanoma, responsável por 30% de todas as neoplasias malignas registradas, apresenta alto índice de cura, desde que identificado precocemente. E essa é a chave: diagnóstico precoce. "A pele é o nosso escudo de vida e, ainda assim, tratamos sua proteção como se fosse opcional. A exposição ao sol não é inofensiva. Ela deixa marcas, mesmo quando não percebemos", explica Julinha Lazaretti, bióloga e cofundadora da Alergoshop, rede especializada no desenvolvimento de produtos hipoalergênicos.

Muitas pessoas se surpreendem ao descobrir que o sol de todos os dias e não apenas aquele queimado da praia, também contribui para o dano cumulativo na pele. O câncer de pele avança quando as células alteradas pelo sol começam a se reproduzir descontroladamente. A negligência à proteção adequada, associada à desinformação, é a maior inimiga da prevenção. “Ainda existe quem diga ‘não preciso de protetor, tenho pele morena’. A melanina protege, sim, mas não imuniza. Nenhum tipo de pele está a salvo dos efeitos nocivos da radiação UV”, destaca Julinha.

 

Mitos sobre o diagnóstico

Um dos mitos mais resistentes é acreditar que o câncer de pele só aparece em pessoas que abusam do sol. Essa crença ignora o fator cumulativo da radiação, em que pequenas exposições ao longo da vida (caminhando até o ponto de ônibus, dirigindo com o braço para fora da janela) constituem uma carga significativa. “O sol do cotidiano também queima, mesmo sem vermelhidão aparente. O dano está lá, em silêncio”, afirma Lazaretti, reforçando que a radiação UVA penetra profundamente na pele e está diretamente associada à formação de tumores.

Outro engano comum é achar que lugares cobertos estão livres de riscos. Os raios UVA atravessam nuvens, vidros e roupas finas, exigindo medidas preventivas contínuas. Ainda há quem acredite que lesões só são preocupantes se doem ou sangram, quando, na verdade, mudanças de cor, forma e textura são sinais de alerta igualmente importantes. A automonitorização e o diagnóstico clínico são aliados essenciais na detecção precoce.

Embora o diagnóstico de câncer de pele possa causar apreensão, há boas razões para manter a esperança. Com a detecção precoce, as chances de sucesso do tratamento são elevadas, muitas vezes superiores a 90%, conforme atesta o Ministério da Saúde. A abordagem terapêutica depende do tipo de tumor e do estágio em que ele se encontra. Lesões superficiais podem ser tratadas com procedimentos como curetagem, crioterapia ou laser — métodos rápidos e, em muitos casos, minimamente invasivos. Já tumores mais agressivos ou avançados podem exigir cirurgia mais extensa, com reconstrução da pele, ou ainda tratamentos complementares como radioterapia, imunoterapia ou quimioterapia.

Mas, conforme explica Julinha, o melhor tratamento ainda é a prevenção. “Tratar o câncer de pele é possível, mas prevenir é incomparavelmente mais simples e menos doloroso. Ninguém deve depender da sorte quando o cuidado está ao alcance das mãos”, alerta.

A prevenção do câncer de pele não se limita ao uso de protetor solar — envolve um conjunto de práticas cotidianas que precisam ser adotadas de forma contínua e integrada. A proteção começa com a escolha de filtros solares adequados, de preferência com FPS superior a 30, ampla cobertura UVA e UVB, e reaplicação regular, especialmente após exposição intensa ou contato com água. Produtos enriquecidos com antioxidantes como Vitamina E são aliados importantes, pois atuam combatendo os radicais livres que danificam as células da pele.

Entretanto, o protetor solar deve ser visto como parte de um sistema de defesa. Roupas com proteção UV, chapéus de aba larga e óculos com filtros especiais ajudam a preservar áreas sensíveis como rosto, pescoço, orelhas e olhos. O uso de acessórios como sombrinhas e tendas em praias e parques também corrobora com a criação de barreiras físicas contra os raios solares, que são especialmente perigosos entre 10h e 16h.

Julinha reforça que a prevenção não é apenas uma questão estética ou de vaidade, mas de saúde pública. “A pele tem memória. Não é exagero dizer que cada dia de cuidado é uma vida saudável sendo construída para o futuro.” A especialista também chama atenção para o autoconhecimento da pele, que inclui observar alterações em pintas, manchas e lesões, e procurar avaliação dermatológica regularmente.

Vale ressaltar que a educação sobre o tema deve ser incentivada desde cedo. Ensinar crianças e adolescentes sobre a importância da proteção solar e do respeito aos horários de maior incidência de radiação é uma forma de prevenir não apenas o câncer, mas um ciclo de enfermidades associadas ao envelhecimento precoce e aos danos cutâneos cumulativos.

 


Alergoshop
https://alergoshop.com.br/


Alterações no olfato podem ser sinal precoce de Alzheimer, aponta novo estudo

freepik
Pesquisa internacional revela que mudanças na percepção de cheiros podem anteceder alterações de memória; durante a pandemia o sintoma ganhou notoriedade, mas tem múltiplas origens e merece investigação


Você já teve, ou conhece alguém que tenha passado por perda de olfato? Muita gente associa esse sintoma à Covid-19, mas a dificuldade de sentir cheiros pode surgir por diversos motivos — e, em alguns casos, exige atenção especial. Uma nova pesquisa publicada na Nature Communications reforça esse alerta ao mostrar que alterações no olfato podem ser um dos primeiros sinais da doença de Alzheimer, aparecendo até antes de qualquer falha de memória. O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade Luís Maximiliano, em Munique, analisou modelos animais e tecidos cerebrais humanos e demonstrou que os circuitos responsáveis por interpretar cheiros sofrem mudanças muito precoces no processo neurodegenerativo. 

Para a Dra. Camila Marinho, otorrinolaringologista do HOPE – Hospital de Olhos de Pernambuco, essa descoberta reforça algo que a prática clínica já indicava: a perda de olfato vai muito além das causas respiratórias. “É verdade que a Covid-19 deixou esse sintoma famoso, mas muitas outras situações podem afetar nosso olfato”, afirma. Segundo ela, infecções comuns como gripes e resfriados, rinite mal controlada, sinusite crônica, pólipos nasais, traumas na cabeça, envelhecimento e até a exposição prolongada a químicos irritantes, como cloro e inseticidas, podem prejudicar a percepção dos cheiros. “Doenças neurológicas também entram nessa lista. Em alguns casos, a perda de olfato pode ser o primeiro sinal de condições como Alzheimer ou Parkinson”, reforça. 

Essa variedade de possibilidades torna essencial saber quando a perda olfativa merece atenção médica imediata. “Se o olfato desaparecer de repente, vier acompanhado de dor de cabeça forte, alteração da visão ou desequilíbrio, ou se houver histórico de trauma na cabeça, é fundamental procurar um otorrino o quanto antes”, orienta a especialista. Ela também destaca sinais adicionais: “A perda de olfato que não melhora após algumas semanas, ou que surge sem nariz entupido ou secreção, precisa ser investigada. E atenção especial para distorções do olfato, como sentir cheiros que não existem ou perceber odores comuns como queimado ou podre.” 

Quando a perda é progressiva e ocorre sem sintomas nasais, a suspeita de causa neurológica aumenta. A médica explica que isso acontece porque pode haver comprometimento dos nervos ou das áreas do cérebro responsáveis por interpretar os cheiros. “A preocupação cresce quando o paciente apresenta tremores, alterações de memória, dificuldade de raciocínio ou mudanças de comportamento. Esses sinais podem indicar que o problema não está no nariz, mas nas vias cerebrais do olfato.” 

Além de Alzheimer, outras condições podem se manifestar por meio da perda olfativa. “Na doença de Parkinson, muitas vezes o olfato diminui anos antes dos sintomas motores”, lembra a otorrino. Ela destaca ainda que quadros de depressão, esclerose múltipla e até tumores cerebrais podem afetar o sistema olfativo. “No caso da esclerose múltipla, por exemplo, o nariz pode estar completamente desobstruído, mas o cérebro não consegue processar bem os odores. A perda pode ser flutuante e piorar durante os surtos.” 

Para investigar o quadro, existem testes específicos que medem a capacidade de sentir e identificar cheiros. “O mais utilizado é o SmellTest, versão brasileira adaptada do teste de Connecticut”, explica. Ela também comenta as inovações recentes: “Uma novidade muito interessante é o Multiscent, um teste digital criado por pesquisadores brasileiros, que aplica estímulos olfativos por meio de um iPad e registra as respostas do paciente de forma interativa”. 

Em relação ao tratamento, a abordagem depende diretamente da causa. Inflamações, alergias, sinusite e rinite geralmente têm boa resposta quando o processo inflamatório é controlado. Obstruções físicas, como pólipos e desvios importantes de septo, podem exigir cirurgia. Lesões nos nervos após Covid-19 ou traumas também têm potencial de melhora, embora mais lenta. “O treinamento olfativo funciona como uma ‘fisioterapia para o nariz’. É cientificamente comprovado e pode ajudar muito, principalmente após gripes, sinusites ou Covid. Mas é um processo que exige paciência, porque a melhora pode levar de três a seis meses”, explica. O método consiste em inspirar fragrâncias específicas duas vezes ao dia, com foco e concentração. 

A reversão da perda de olfato é possível em muitos casos, mas depende de fatores como idade, tempo de evolução do quadro e causa do problema. “Danos mais severos aos nervos, como os provocados por traumatismos cranianos graves ou doenças neurológicas degenerativas, podem levar a perdas permanentes”, diz a médica. 

Para a população, a mensagem da otorrino é clara: não normalizar o sintoma. “O olfato é muito mais do que sentir o cheiro de um perfume ou de uma comida gostosa. Ele nos protege — avisa sobre gás, fumaça, alimento estragado — e está ligado às nossas memórias e ao prazer de comer”, destaca. “Se você notar que seu olfato diminuiu, desapareceu ou está distorcido, procure um otorrinolaringologista. Investigar a causa é o primeiro passo para encontrar o tratamento certo e recuperar sua qualidade de vida”, finaliza a Dra. Camila Marinho, otorrinolaringologista do HOPE – Hospital de Olhos de Pernambuco.


Dia Mundial de Luta contra a AIDS: Medicina da USP aponta avanços em prevenção e adesão ao tratamento

Análises indicam crescimento de novos casos em metade dos municípios do país, aumento da infecção entre jovens e necessidade urgente de ampliar o acesso à PrEP


Em 2025, o Brasil completa 40 anos da resposta nacional ao HIV, iniciada pelo Ministério da Saúde em 1985. Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) destacam que esse período marca conquistas fundamentais, como o controle da transmissão sanguínea e da transmissão vertical (da mãe para o bebê), assim, como o acesso universal ao tratamento por antirretroviral, que aumentou qualidade de vida das pessoas infectadas e reduziu a mortalidade por aids, resultados diretos das políticas públicas e da estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS). 

Esse marco histórico também lança luz sobre desafios que persistem. O principal deles é eliminar a transmissão sexual do HIV e a morte por aids até 2030, meta estabelecida pelas Nações Unidas e assumida pelo Brasil. Segundo especialistas da FMUSP, o país avança de forma desigual e precisa acelerar políticas de prevenção, diagnóstico e tratamento para alcançar esses objetivos.
 

80% DOS MUNICÍPIOS TÊM EPIDEMIA ESTABILIZADA OU EM CRESCIMENTO

Estudo conduzido pela FMUSP em 2024 mostra que quase 80% dos municípios brasileiros apresentam tendência de estabilidade ou crescimento de novos casos de HIV e correm o risco de não atingir as metas. Com isso, o Brasil ainda está distante de atingir o patamar de eliminação - definido como a redução de 90% dos casos em comparação a 2010. 

A pesquisa revela uma forte desigualdade regional: municípios do Norte, Nordeste e Centro-Oeste têm probabilidades que variam entre 4,9 e 9,6 vezes a mais de registrar municípios com aumento da infecção do que aqueles da região Sul. O país vive, portanto, uma divisão entre áreas que podem alcançar a eliminação e regiões onde a epidemia permanecerá ainda mais intensa.
 

CRESCIMENTO ENTRE JOVENS ACENDE ALERTA

Apesar da queda observada nas décadas anteriores, pesquisadores da FMUSP destacam que as infecções por HIV voltaram a crescer entre jovens. Esse aumento se associa a mudanças nas práticas sexuais e a novas formas de sociabilidade, em um contexto em que campanhas públicas ainda centradas na valorização do preservativo não têm sido suficientes para responder à complexidade atual da prevenção. 

“Entre adolescentes e jovens, as mensagens de prevenção muitas vezes não chegam de forma clara nem fazem sentido em seu cotidiano. O que chega até eles ainda está baseado em modelos antigos, centrados apenas no preservativo”, afirma a Profa. Dra. Marcia Couto, titular do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP, que pesquisa dinâmicas sociais e desigualdades na epidemia.
 

PrEP É A ÚNICA ESTRATÉGIA CAPAZ DE REDUZIR SIGNIFICATIVAMENTE A INCIDÊNCIA

Após quatro décadas, o uso do preservativo segue relevante, mas não reduz a incidência, apenas desacelera o crescimento da epidemia. A única intervenção comprovadamente capaz de diminuir de forma expressiva os novos casos e que pode ser usada por pessoas não infectadas é a Profilaxia Pré-Exposição Sexual (PrEP). 

Atualmente, o SUS oferece a PrEP oral diária e sob demanda, indicada com base em comportamentos que aumentam o risco de infecção. Por exemplo, pessoas com parcerias casuais, sexo comercial sem uso de preservativo ou com parceiros vivendo com HIV podem fazer uso da estratégia. 

Apesar disso, embora a cobertura nacional da PrEP tenha aumentado, ela ainda é insuficiente para impactar a trajetória da epidemia. “A PrEP é o instrumento mais potente que temos hoje para interromper a transmissão sexual do HIV. Mas, para produzir impacto real, ela precisa chegar a muito mais gente. Não se trata apenas de disponibilizar o medicamento, é necessário facilitar o acesso, ampliar a oferta de serviços e reduzir as barreiras que afastam principalmente jovens e populações mais vulneráveis da prevenção”, afirma o Dr. Alexandre Grangeiro, pesquisador do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP.
 

PrEP INJETÁVEL: INOVAÇÃO PROMISSORA ENFRENTA BARREIRAS DE CUSTO E APROVAÇÃO

Uma das alternativas mais promissoras é a PrEP injetável de longa duração, baseada nos medicamentos cabotegravir e lenacapavir, que podem oferecer proteção de dois a seis meses. Um protocolo para aplicar a versão bimestral no SUS está sendo estudada na FMUSP. 

Dois fatores, porém, impedem sua incorporação imediata no SUS: o preço elevado, devido a proteção patentária; e a ausência de aprovação pela Anvisa - cuja análise está em andamento; e as negociações de preço com o Ministério da Saúde, ainda sem definição. 

Ampliar o acesso às modalidades de longa duração é essencial para que o país alcance as metas de eliminação até 2030.
 

RISCO DE PERPETUAÇÃO DA EPIDEMIA

Caso políticas de prevenção, diagnóstico e cuidado não avancem, o país pode manter uma epidemia ainda mais intensa nos próximos anos, especialmente em regiões marcadas por desigualdades estruturais e menor acesso aos serviços de saúde. 

“Temos um país dividido: um Brasil que pode atingir as metas de eliminação e outro que continuará convivendo com o HIV de forma prolongada”, conclui a Profa. Dra. Marcia Couto.

  

Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - FMUSP


HIV/AIDS: especialista da FEBRASGO comenta avanços na prevenção e no tratamento

 1 de dezembro: Dia Mundial de Luta Contra a Aids

#DezembroVermelho

 

O Brasil mantém atenção constante sobre os índices de infecção por HIV. A ginecologista Dra. Helaine Maria Besteti Pires Mayer Milanez, membro da Comissão Nacional Especializada em Doenças Infectocontagiosas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), destaca progressos significativos nas últimas décadas, tanto na prevenção quanto na terapia antirretroviral. “Hoje, a prevenção primária deve ser baseada no uso consistente de métodos de barreira. Para pessoas com dificuldade de adesão a esses métodos ou com maior risco de exposição, contamos com a PrEP, que é a profilaxia pré-exposição realizada com o uso de antirretrovirais antes da exposição à relação sexual”, explica.

 

A especialista também enfatiza a evolução dos tratamentos. “A terapia antirretroviral se transformou profundamente. Os esquemas atuais, como tenofovir, lamivudina e dolutegravir, são eficazes, com baixa ocorrência de efeitos adversos e geralmente administrados em apenas dois comprimidos ao dia. Isso melhorou de forma extraordinária a qualidade e a expectativa de vida das pessoas vivendo com HIV”, afirma a médica, que acompanha pacientes desde 1990.

 

O diagnóstico precoce e a introdução imediata da medicação são decisivos para impedir a progressão da doença e manter a saúde dos pacientes. “O HIV, quando tratado, torna-se uma condição crônica manejável. O tratamento reduziu drasticamente as complicações cardiovasculares, hepáticas e imunológicas, além de contribuir de forma importante para a queda da transmissão vertical”, reforça.

 

A Dra. Helaine destaca ainda a importância da informação, da testagem regular e da redução do estigma que ainda envolve as infecções sexualmente transmissíveis. “Enquanto a sífilis ainda apresenta desafios importantes e não registrou avanços significativos na redução da transmissão vertical, o cenário do HIV é bastante diferente. No caso do HIV, houve um progresso expressivo na prevenção da infecção em crianças, evitando que recém-nascidos desenvolvam a doença, condição que pode ser especialmente grave no período neonatal e pediátrico. Sem dúvida, o diagnóstico precoce associado ao início imediato do tratamento transformou radicalmente o curso da infecção pelo HIV, garantindo melhor qualidade de vida às pessoas que convivem com o vírus.”

 

Dezembro Laranja 2025 reforça a prevenção do câncer de pele: o tumor de maior incidência no Brasil

Banco de Imagens
A médica especializada em Dermatologia Flávia Villela, alerta para a importância da prevenção e diagnóstico precoce 

 

Com o aumento da exposição solar no Brasil, o câncer de pele permanece como o tipo de tumor mais frequente no país, representando cerca de 33% de todos os casos registrados. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), são detectados aproximadamente 185 mil novos casos por ano. A médica especializada em Dermatologia Flávia Villela reforça que a prevenção deve fazer parte da rotina diária, especialmente diante do crescimento dos diagnósticos e da persistente falta de proteção adequada entre a população.

Para Dra. Flávia, ainda há grande subestimação dos riscos. “A exposição solar sem proteção adequada é a principal causa do câncer de pele. Embora muitas pessoas conheçam os perigos da radiação UV, muitas ainda não entendem que o uso do filtro solar precisa ser diário, independentemente do clima ou estação”, afirma.

Antes dos sinais de alerta, a médica lembra que cada pessoa possui um nível diferente de sensibilidade à radiação. Pessoas com pele mais clara devem redobrar os cuidados, pois possuem menor quantidade de melanina e, portanto, são mais vulneráveis aos efeitos nocivos do sol. Além disso, indivíduos com histórico familiar de câncer de pele têm risco aumentado e precisam manter acompanhamento dermatológico regular para garantir a detecção precoce de qualquer alteração.

A observação cuidadosa dos sinais cutâneos é determinante. “Lesões que sangram facilmente, manchas que mudam de cor ou textura e feridas que não cicatrizam são sinais que merecem atenção imediata”, reforça a médica, destacando que tanto o melanoma quanto o câncer de pele não mela

O câncer de pele permanece como o tipo de
 tumor mais frequente no país
 
Banco de Imagens

noma podem evoluir se não forem identificados rapidamente.

 

Cuidados essenciais para a pele 

O cuidado diário deve incluir o uso de filtro solar com FPS 50 ou superior, com reaplicação ao longo do dia para garantir proteção contínua. A hidratação da pele, especialmente após a exposição ao sol, também é fundamental para manter a barreira cutânea saudável. A médica especializada em Dermatologia, Flávia Villela, reforça ainda a importância da proteção física, como chapéus, óculos escuros, roupas com proteção UV e a preferência por locais sombreados sempre que possível.

A médica destaca também a necessidade de atenção às áreas frequentemente esquecidas, como orelhas, pescoço, dorso das mãos, lábios e couro cabeludo, que também sofrem danos pela radiação UV. Outro ponto importante é evitar longos períodos de exposição direta ao sol, especialmente nos horários de maior intensidade. Por fim, a médica lembra que consultas dermatológicas periódicas são essenciais para acompanhar pintas, manchas e qualquer alteração suspeita, garantindo diagnóstico precoce e maior segurança.


A especialidade médica essencial de que muitos ainda não ouviram falar


Há poucas semanas, a Dra. Carla Bartosch, presidente da Sociedade Portuguesa de Anatomia Patológica, publicou um artigo em um portal de notícias português lembrando algo frequentemente ignorado: a especialidade que sustenta grande parte dos diagnósticos que salvam vidas - a Patologia - permanece invisível para a maior parte da população. Ao ler o texto, é impossível não reconhecer o espelho brasileiro. Aqui, o patologista também é decisivo para o cuidado em saúde, mas distante do reconhecimento público e, muitas vezes, das prioridades da gestão.

Na prática, nada acontece na jornada do paciente sem o patologista. Um oncologista só informa o tipo de câncer, define o estadiamento, estima agressividade tumoral e escolhe o tratamento porque, antes, outro médico - o patologista - analisou lâminas de biópsia, interpretou alterações celulares, integrou dados clínicos e estabeleceu o diagnóstico que orienta toda a estratégia terapêutica. Assim, a Patologia é a especialidade que determina os rumos do tratamento e, sobretudo, as chances de cura.

Mesmo assim, como em Portugal e em muitos países, somos poucos. A Demografia Médica 2025 mostra que o Brasil possui 4.424 patologistas, o que representa 2,08 especialistas por 100 mil habitantes. A distribuição é profundamente desigual: mais da metade está no Sudeste, enquanto o Norte reúne apenas 3,6% desses profissionais. Além disso, quase dois terços atuam nas capitais, deixando grandes áreas do interior com acesso limitado ou inexistente ao diagnóstico anatomopatológico.


Essa é uma lacuna que pesa ainda mais em um país onde a carga de câncer cresce de forma contínua e acelerada como o Brasil, com projeções indicando que a doença será a principal causa de morte nos próximos anos e já ocupa esse posto em muitos municípios. Tal cenário exige diagnósticos precisos, bem estruturados e integrados a novas tecnologias, para orientar terapias cada vez mais complexas.

No lado brasileiro do Atlântico, o Sistema Único de Saúde (SUS), responsável por 80% dos atendimentos oncológicos, enfrenta desafios adicionais: infraestrutura desigual entre os serviços, dificuldade de incorporar tecnologias essenciais (como os exames de imuno-histoquímica, de biologia molecular e a Patologia digital) e baixa remuneração dos exames anatomopatológicos. Esses são fatores que impactam diretamente a qualidade e a velocidade dos diagnósticos, justamente num momento em que a complexidade das doenças exige cada vez mais precisão.

Este ano, em diálogo direto com a Sociedade Brasileira de Patologia (SBP), o Ministério da Saúde anunciou medidas que colocam, enfim, o diagnóstico no centro da política oncológica. Cerca de R$ 60 milhões anuais, via Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (PROADI-SUS), serão destinados à modernização e qualificação de laboratórios públicos, garantindo laudos mais rápidos e mais seguros.

E, a partir de 2026, haverá um edital com bolsas diferenciadas para residentes de Patologia, uma iniciativa pensada para tornar a especialidade mais atrativa aos estudantes de Medicina e estimular novos talentos a ingressarem na área. Trata-se de um reconhecimento inédito do Estado de que enfrentar a carência de patologistas começa ainda na graduação, aproximando os jovens médicos de uma especialidade estratégica para o futuro da saúde.

Tudo isso ocorre enquanto a Patologia vive uma transformação global. Como destacou a colega portuguesa, a inteligência artificial já auxilia na leitura de lâminas, na identificação de tumores e na estratificação de risco oncológico. No Brasil, essa revolução também avança, ainda que de forma desigual. Para que a IA seja um vetor de equidade, e não de ampliação das desigualdades regionais, será indispensável investir em infraestrutura digital e capacitação profissional contínua. A boa notícia é que nossa comunidade científica está se preparando: a própria SBP tem expandido sua oferta de cursos com foco em atualização científica e prática.

No fim das contas, concordo plenamente com a Dra. Carla: a Patologia não aparece em séries de televisão, não protagoniza cenas de emergência e raramente ocupa o imaginário popular. Mas é uma especialidade silenciosa e decisiva, que sustenta decisões essenciais em saúde, nos principais centros urbanos e também nas regiões mais afastadas.

Se o Brasil deseja enfrentar o câncer e tantas doenças prevalentes, o caminho é claro: ampliar vagas de formação em Patologia, valorizar carreiras, modernizar laboratórios públicos e distribuir especialistas de forma mais equilibrada entre as regiões. É assim que garantimos a mais pessoas aquilo que nossa Constituição promete: o direito à saúde.

E esse direito, convenhamos, vale muito mais do que qualquer glamour de tela.

 

Dr. Gerônimo Jr. - Presidente da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP)


São Silvestre exige preparo físico e atenção redobrada para evitar lesões

Crédito da foto: Paulo Pinto
Agência Brasil

Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte (SBRATE) alerta para o risco de lesões na reta final de preparação da maior prova do país e orienta corredores sobre formas de prevenção

 

Faltando poucos dias para a Corrida Internacional de São Silvestre, a empolgação toma conta das ruas e das redes sociais. Não são apenas os atletas profissionais que se preparam para cruzar a Avenida Paulista no dia 31 de dezembro: milhares de corredores amadores também encaram o desafio como uma meta pessoal para encerrar o ano da melhor forma. Porém, com a reta final chegando, cresce o risco de lesões entre quem intensifica os treinos de última hora ou ignora sinais do corpo, e é justamente nessa fase decisiva que a atenção ao preparo físico faz toda a diferença para garantir que o grande dia seja uma experiência de superação e não de dor.

Na prática, a reta final não é sobre tentar ganhar velocidade no desespero, mas sobre consolidar tudo o que já foi construído ao longo do ano. Cada pessoa tem sua própria jornada até o dia 31 e, quando a comparação vira combustível para acelerar além do necessário, o corpo pode cobrar um preço alto. O presidente da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte (SBRATE), Dr. João Grangeiro, reforça que “nas semanas que antecedem a São Silvestre, não é hora de aumentar o ritmo de forma brusca. O atleta amador precisa respeitar os limites do corpo, ajustar a carga de treino e priorizar uma preparação inteligente para evitar lesões que podem aparecer justamente na reta final”.

Para chegar bem no dia da prova, alguns cuidados simples podem fazer uma diferença enorme no desempenho e na prevenção de lesões. Manter os treinos leves e constantes é mais seguro do que tentar aumentar a carga de última hora; incluir alongamentos e aquecimento antes de correr prepara os músculos e articulações para o esforço; e respeitar os dias de descanso continua sendo essencial, mesmo com a ansiedade da proximidade da competição.
 

A escolha do tênis também tem um papel importante, já que modelos com bom amortecimento e estabilidade ajudam a reduzir o impacto nas articulações ao longo dos 15 km. “A preparação final deve proteger o corpo, não levar o corredor ao limite. Quando se prioriza aquecimento, descanso adequado e calçado apropriado, reduzimos o risco de lesões musculares e articulares e favorecemos um desempenho mais seguro durante todo o percurso”, reforça. 

Mais do que cruzar a linha de chegada sem dor, cuidar do corpo nessa reta final é uma forma de transformar a corrida em uma experiência positiva do início ao fim. A preparação bem-feita não só reduz o risco de lesões, como mantém o desempenho, a motivação e a confiança do corredor para enfrentar os 15 km com segurança. Ao seguir treinos orientados, respeitar o descanso e prestar atenção aos sinais do próprio corpo, a prova flui de forma mais leve e satisfatória. Quando o corredor leva os cuidados a sério, todos ganham: o atleta, que corre com mais segurança; o corpo, que responde melhor ao esforço; e o esporte, que preserva sua essência de saúde, alegria e transformação”, salienta.

 

Quem corre só pela festa 

Entre os milhares de inscritos, há também quem encare a São Silvestre como um momento de diversão, tradição ou desafio bem-humorado. São pessoas que treinam pouco ou quase nada e entram na prova apenas pelo clima festivo. Para esse grupo, a atenção deve ser redobrada, pontua o presidente da SBRATE: “Mesmo correndo “na brincadeira”, é importante respeitar o ritmo próprio, fazer pausas quando necessário e não forçar além do que o corpo está acostumado. Com alguns cuidados simples, dá para aproveitar a energia do evento sem transformar o momento em transtorno”, conclui.


Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte - SBRATE


Saúde do homem: tabus seguem impedindo busca por ajuda psicológica mesmo após o Novembro Azul

Especialista alerta que masculinidade tradicional ainda dificulta o autocuidado e o diagnóstico precoce de doenças físicas e mentais 

 

Encerrado o Novembro Azul, especialistas ressaltam que os desafios ligados à saúde emocional masculina permanecem e precisam de atenção contínua. Embora a campanha seja tradicionalmente voltada ao câncer de próstata, os dados mostram que os impactos emocionais têm peso decisivo na mortalidade dos homens. Informações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que eles vivem, em média, sete anos menos que as mulheres e estão entre os grupos que menos procuram apoio psicológico, mesmo diante de sinais evidentes de adoecimento mental.

Segundo o psicólogo Danilo Suassuna, doutor em Psicologia e diretor do Instituto Suassuna, o problema está profundamente ligado ao modelo tradicional de masculinidade. “Durante décadas, os homens foram ensinados a não expressar vulnerabilidade e a suportar dor e frustração sem buscar ajuda. Esse comportamento afeta não apenas as relações, mas a forma como lidam com o próprio corpo e a própria saúde. Muitos só procuram apoio quando a situação já se tornou insustentável”, afirma.

A OMS estima que os homens representem cerca de 75% dos suicídios no mundo, evidenciando o impacto da resistência ao cuidado emocional. No Brasil, a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) mostra que apenas 20% procuraram atendimento psicológico no último ano, enquanto entre as mulheres esse número chega a 43%. Estudos também indicam aumento da automedicação, do consumo de álcool e da evitação de conversas sobre sentimentos como estratégias comuns para lidar com sofrimento mental.

Para Suassuna, a combinação entre pressão por produtividade, estigma e silêncio cria um ciclo de adoecimento. “A ideia de invulnerabilidade faz com que muitos neguem o que sentem. Quando o sofrimento se acumula — no trabalho, na família ou no próprio corpo — a reação mais comum é esconder, minimizar e enfrentar sozinho. Esse isolamento emocional alimenta quadros de ansiedade, depressão e estresse crônico”, explica.

O especialista aponta três barreiras que ainda afastam os homens do cuidado emocional: medo de julgamento, desconhecimento sobre o funcionamento da terapia e falta de referências masculinas que falem abertamente sobre saúde mental. Para ele, a prevenção precisa ser contínua e integrada à rotina. “É essencial criar espaços de escuta acolhedores e políticas públicas que tratem o cuidado emocional como parte natural da vida. Isso aproxima o homem do atendimento antes que ele chegue ao limite”, aponta. 

A ampliação do acesso a serviços psicológicos é vista como fator central para reduzir o número de homens que chegam tardiamente aos sistemas de saúde. Iniciativas comunitárias, ações educativas e redes de cuidado têm contribuído para democratizar o atendimento, tornando-o mais acessível e descomplicado. Suassuna reforça que prevenção médica e emocional caminham juntas. “Um homem emocionalmente equilibrado procura consultas de rotina com mais facilidade, reconhece sinais de alerta e toma decisões preventivas com mais autonomia. Saúde é um conjunto de práticas que preservam a vida, não apenas a ausência de sintomas”, conclui. 



Danilo Suassuna - psicólogo e doutor em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás). Atua com adolescentes e jovens adultos, unindo ciência, escuta e presença para compreender os desafios emocionais da vida contemporânea. Autor de mais de oito livros em áreas como psicologia clínica, reprodução humana e assistência psicológica ao parto, é também presidente do Instituto Brasil Central de Educação e Saúde (IBCES) uma organização voltada à integração entre educação, saúde e cultura e fundador do Instituto Suassuna, referência na formação de psicólogos atuantes. Pelo Instituto, Danilo lidera iniciativas que ampliam o mercado de trabalho da psicologia, mostrando o bem potencial máximo da profissão na vida das pessoas. É também diretor da Editora Suassuna, que publica obras de referência na área, e coordenador da SUA Rádio, canal reconhecido pelo YouTube Health por levar conteúdo sobre saúde mental ao grande público. Sua trajetória une pesquisa, clínica e comunicação, com o propósito de tornar a psicologia mais próxima das pessoas, uma ferramenta real de transformação individual e coletiva.
Para mais informações acesse o instagram: @danilosuassuna.


Instituto Suassuna


FIV e a era das “famílias planejadas”: como a biotecnologia reprodutiva está redefinindo o desejo de ser mãe ou pai

Com crescimento anual de duas dezenas de por cento, hospitais e laboratórios reprodutivos entram no centro de uma nova agenda de natalidade. Entre inovações tecnológicas, congelamento de óvulos e políticas públicas urgentes, especialista fala de uma verdadeira revolução silenciosa na forma como concebemos família.

 

O sonho de constituir uma família, há gerações, era uma trajetória quase certa para a maioria, casamento, filhos, continuidade. No século XXI, esse enredo virou filme com múltiplas versões: casais que adiam os planos, mulheres que escolhem preservar óvulos, homens atentos à qualidade dos espermatozoides e laboratórios ganhando protagonismo. “Em meio a esse cenário, a técnica da Fertilização in Vitro (FIV) e demais tecnologias de reprodução assistida deixam de ser exceção e passam a ocupar um papel central na “agenda da fertilidade””, comenta o ginecologista, obstetra e especialista em reprodução humana, Dr. Orlando Monteiro. 

No Brasil, os números falam por si. O relatório oficial da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostra que, em 2021, foram realizados 45.952 ciclos de FIV no país. Em paralelo, os dados de congelamento registraram mais de 154.630 óvulos congelados em 2020 e 2021. Segundo projeções da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), o setor pode crescer em média 23% ao ano até 2026.

Não se trata apenas de mais procedimentos, trata-se de uma mudança de paradigma: planejamento reprodutivo, autonomia, e o uso da tecnologia como aliada da biologia.

 

Tecnologias que ampliam o campo

Enquanto a FIV segue sendo o “carro-chefe”, outras inovações entram no radar: vitrificação de óvulos (preservação da fertilidade), diagnóstico genético pré-implantacional, criopreservação de embriões e técnicas de doação de gametas, todas com impacto direto no que se entende por “tempo certo” para a gestação.

Por exemplo: vitrificação, ou congelamento ultrarrápido, permite que óvulos sejam preservados por anos sem perda significativa de qualidade. Isso abre novas possibilidades para mulheres que ainda não querem engravidar mas desejam manter a opção aberta. 

Além disso, a expansão de técnicas de doação de óvulos ou espermatozoides, e o uso mais flexível de gametas de doador, ampliam o conceito de fertilidade para além do casal heterossexual tradicional. 

 

Incentivos à natalidade e planejamento reprodutivo

Com taxas de natalidade em declínio e o envelhecimento populacional como preocupação crescente, alguns países começam a incluir no radar políticas públicas que conectam reprodução assistida e planejamento familiar. No Brasil, embora ainda inadequadamente exploradas, essas ideias começam a emergir: desde incentivos fiscais à preservação da fertilidade até maior visibilidade para o congelamento de óvulos como ferramenta de planejamento reprodutivo. 

Essa intersecção entre saúde, biotecnologia e política pública é crucial: não se trata apenas de “ajudar quem não consegue engravidar”, mas de reconfigurar a forma como a sociedade vê o tempo da maternidade e paternidade e de dar suporte técnico, médico e filosófico à liberdade de escolha. 

Se você está considerando a maternidade ou paternidade em algum momento da vida, essas são as “novas regras” que merecem atenção:

  • Considere exames de reserva ovariana ou espermograma cedo, não espere que somente o relógio biológico te alerte.
  • Se sua meta é adiar a gestação, o congelamento de óvulos ou espermatozoides pode ser um plano real, com orientação médica adequada.
  • Procure clínicas de reprodução assistida sérias, que ofereçam transparência sobre taxas de sucesso, tecnologia usada e acompanhamento clínico.
  • Esteja consciente de que, mesmo com tecnologia, idade e saúde geral continuam sendo determinantes. A biotecnologia ajuda, mas não elimina todas as dificuldades.
  • Entenda que planejamento reprodutivo também é diálogo: com parceiro, com médico, com seus valores de vida.

O Dr. Orlando Monteiro conclui: A fertilização in vitro e as tecnologias de reprodução assistida deixaram de ser apenas “último recurso”, tornaram-se componentes centrais da nova agenda da fertilidade. Em um Brasil que precisa repensar natalidade, autonomia e tempo de vida, essas técnicas funcionam como ponte entre desejo e realidade. O que antes era sonho para poucos está se tornando opção para muitos, desde que se caminhe com ciência, ética e acesso. 

 

Dr. Orlando Monteiro (CRM/SP 73806 | CRM/MS 3256) - Ginecologista, obstetra e especialista em reprodução humana. Há mais de 25 anos ajudando mulheres a realizarem o sonho da maternidade. Referência em FIV, inseminação, congelamento de óvulos, histeroscopia e tratamento da endometriose, une experiência, empatia e alta tecnologia para cuidar da fertilidade de forma completa e acolhedora.

 

Como o clima afeta ouvidos, nariz e garganta — e por que as doenças respiratórias aumentam em um planeta mais quente e poluído

 

Os impactos das mudanças climáticas já são sentidos dentro dos consultórios médicos e, segundo o otorrinolaringologista Bruno Borges de Carvalho Barros da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia, o aumento da temperatura média, a concentração de poluentes e a alteração dos ciclos de chuva e umidade estão diretamente ligados à alta de doenças respiratórias e otorrinolaringológicas — como rinite alérgica, sinusite crônica e infecções de ouvido. 

“O nariz é a primeira barreira do corpo contra o ar que respiramos. Quando o ar está mais seco ou poluído, essa mucosa perde sua função de filtrar e umidificar, facilitando infecções e inflamações”, explica o médico. “É um reflexo direto das mudanças climáticas no corpo humano — e especialmente nas vias aéreas superiores.” 

Um estudo recente publicado na Environmental Research (2024) reforça a conexão: a cada aumento de 1 °C na temperatura média e elevação das partículas finas de poluição (PM2.5), cresce a incidência de rinite e sinusite em até 20% nas regiões urbanas. “Além disso, os poluentes irritam a mucosa nasal e os ácaros se proliferam em ambientes úmidos, o que agrava ainda mais os quadros alérgicos”, complementa o especialista.

 

Quando o clima muda, as alergias também mudam 

A alteração dos padrões de estações e o desequilíbrio ambiental têm criado novos ciclos de alergia. O que antes se concentrava em meses específicos, hoje se estende o ano inteiro. “As plantas florescem em épocas diferentes, os índices de pólen aumentam e a poeira urbana se acumula. O paciente que tinha rinite sazonal agora sofre o ano todo”, explica o otorrino.

Ele também observa o aumento de casos de otite média em crianças e adultos durante ondas de calor ou períodos de seca prolongada. “O ar-condicionado em excesso resseca as mucosas, e a oscilação de temperatura entre ambientes internos e externos favorece infecções do ouvido e da garganta.”

 

Como prevenir doenças em decorrência da alteração climática 

Para o especialista, enquanto o mundo busca reduzir emissões, cada pessoa precisa adotar pequenas medidas de proteção:

  • Manter a casa arejada e limpa para reduzir ácaros e fungos;
  • Usar umidificadores em dias secos;
  • Beber bastante água para hidratar as vias aéreas;
  • Buscar avaliação médica diante de sintomas persistentes de entupimento, coceira ou dor facial. 

“O que respiramos é um reflexo do planeta em que vivemos. Se o clima adoece, nós também adoecemos”, finaliza o Dr. Bruno.

 


FONTE:

Bruno Borges de Carvalho Barros - Médico especialista pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e cirurgia cervico-facial. Mestre e fellow pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).
Link


Férias com crianças: 5 dicas para não passar perrengue

 De remédios aos cuidados com brincadeiras na água, pediatra desenvolve check list para orientar a programação das férias em família no Verão

 

Insolação, picadas de mosquito, pele descascando, dor de barriga de desidratação, machucados, febre. Para muitos, estes são sinônimos de férias de verão. Para evitar mais um ano lidando com a dificuldade de administrar crianças durante o descanso de final e começo de ano, Dra. Anna Bohn, Pediatra pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), elaborou uma lista dos cuidados centrais para férias leves para mães, pais e cuidadores, e seguras para as crianças.

 

Faça um kit viagem 

-Remédio para febre: dipirona, paracetamol e ibuprofeno são os mais comuns. Lembrando de não intercalar propositalmente sem falar com seu médico e preferir os dois primeiros. 

-Remédio para alergias, como picadas: allegra, hixizine ou desloratadina. 

- Remédio para vômito: ondansetrona (só há versões em comprimidos, mas são fáceis de diluir), dimenidrato (costuma dar sono, mas funciona melhor para enjoo em carro, barco ou avião) 

-Corticoide (prednisolona): deve ser utilizado após indicação ou para quem já faz uso por crise de chiado por exemplo, na presença de uma crise. Para alergias intensas por comida ou picada, algumas vezes, o corticoide se faz necessário. 

-Probiótico (floratil): para diarreias, alguns probióticos têm evidência de melhora dos episódios e intensidade. 

-Soro fisiológico para lavagem nasal com seringa e inalação (levar inalador portátil) 

-Antibiótico: fica reservado para viagens distantes, para lugares isolados ou no exterior. Nunca utilizar por conta própria e usar só em situações de emergência. 

 

Como usar o protetor solar e exposição solar segura 

Dra. Anna lembra que, antes dos 6 meses de idade, não está liberado o uso de protetor, assim como também não é recomendada a exposição ao sol. "Use chapéus, roupas compridas e deixe o bebê em locais com sombra", indica ela. 

Entre os 6 meses e os 2 anos, ela recomenda evitar exposição solar entre 10h e 16h. "Ao sair ao sol, passe protetor solar 30 minutos antes e escolha filtros minerais, ou seja, produtos com substâncias inorgânicas chamadas de filtros físicos, que possuem menos efeitos colaterais e riscos de alergia", recomenda a pediatra. 

Além disso, ela lembra que repassar o filtro a cada 2 horas é tão essencial quanto a primeira passada do dia e deve acontecer também levando em conta o tempo dentro d’água. "Não existem filtros totalmente à prova d’água", informa a Dra. Anna, sugerindo que os cuidadores deem o exemplo e repassem o protetor em si mesmos para que as crianças vejam e, em seguida, passem nelas.

 

Atenção dentro da água 

Piscina e mar são sinônimos de férias de verão. Entretanto, é nessa época que os acidentes aumentam muito. A indicação da pediatra é de jamais deixar as crianças desacompanhadas no mar ou na piscina, mesmo que elas saibam nadar. "Se for utilizar boia, certifique-se de que é do tipo colete ou aquelas que têm suporte na parte anterior do tronco. Boias somente de braços não são seguras, pois podem escapar e deixar a criança totalmente sem suporte", explica ela. 

"Oriente as crianças a não tomarem água do mar ou da piscina, pelo grande risco de contaminação com germes", sugere a Dra. Anna, ao lembrar também do cuidado com as ondas do mar e os mares agitados, que levam ao risco de afogamento. "Muitas vezes, há correntezas embaixo d’água, que podem facilmente derrubar uma criança ou até mesmo adulto".

 

Uso de repelente 

Repelentes são indicados a partir de 6 meses com segurança, informa a especialista, adicionando que, por outro lado, eles não protegem totalmente contra picadas. "Nessa idade, o número de aplicações é restrito por conta do risco de absorção das substâncias e alergias. Há divergências entre os fabricantes, mas não se deve passar de uma ou duas aplicações ao dia", orienta ela. A outra opção é usar roupas compridas, caso haja muitos mosquitos. 

Mosquiteiros em berços e carrinhos é o que ela sugere para a proteção dos bebês menores, contando também com a ajuda de velas de citronela ou lâmpadas com armadilhas para mosquitos. "Repelentes de tomada não são indicados pelo risco de sintomas respiratórios associados", pondera.

 

Hidratação no calor 

Apesar de todas as brincadeiras envolvendo água, o verão exige atenção extra com a hidratação do corpo, principalmente frente aos episódios de ondas de calor que estamos vivendo. "Com tudo isso, as crianças estão em maior risco de desidratação, queimaduras e insolações", lembra a Dra. Anna. Sua recomendação nesse sentido é que mães, pais e cuidadores ofereçam sempre água gelada várias vezes ao dia porque ela ajuda a regular a temperatura e a melhorar a indisposição do excesso de calor. "Crianças nem sempre percebem que estão com sede e nem sempre pedem água, principalmente enquanto estão brincando", justifica a médica. 

Em complemento à hidratação interna, ela indica também que as crianças sejam convidadas a fazer pausas na sombra. 

 

DRA ANNA DOMINGUEZ BOHN - CRM SP 150 572 - RQE 106869/ 1068691. Registro pela Sociedade Brasileira de Pediatria Registro de Terapia Intensiva Pediátrica pela Associação de Medicina Intensiva. Graduação em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Residência em Pediatria e Terapia Intensiva Pediátrica pela Universidade de São Paulo. Curso de especialização em cardiointensivismo pelo Hospital SICK KIDS, Universidade de Toronto. Pós-graduação em Síndrome de Down pelo CEPEC - FMABC (centro de pesquisa e estudos) MBA em gestão de saúde pelo Hospital Israelita Albert Einstein Vice-presidente do Núcleo de Estudos da criança e adolescente com deficiência, Sociedade Paulista de Pediatria. 2018-2023



Calor, sol intenso e rotina ao ar livre: Dezembro Laranja reforça alerta sobre o aumento dos casos de Câncer de Pele

Dezembro Laranja é uma campanha voltada à
conscientização sobre o câncer de pele 
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Campanha destaca a importância do diagnóstico precoce e da proteção contínua durante o verão

 

A chegada de dezembro marca o início do verão e, com ele, dias mais longos, temperaturas elevadas e maior circulação em ambientes externos. O cenário favorece o lazer e as atividades ao ar livre, mas também intensifica a exposição solar, um dos principais fatores associados ao aumento dos casos de câncer de pele nesta época do ano. 

Nesse contexto, o Dezembro Laranja se destaca como uma das iniciativas de conscientização voltadas à prevenção e ao diagnóstico precoce da doença. A relevância da campanha aumenta diante dos indicadores recentes. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de pele representa cerca de 33% de todos os diagnósticos oncológicos no país. A expectativa é que o Brasil ultrapasse 229 mil novos casos até o fim de 2025. 

“Muita gente ainda subestima os riscos da exposição solar e acredita que pequenos descuidos não fazem diferença. A soma desses hábitos ao longo dos anos é determinante para o aumento dos casos. Tornar a proteção solar parte da rotina e buscar avaliação médica diante de qualquer alteração na pele são atitudes simples que ajudam a evitar formas avançadas da doença”, afirma Diocésio Andrade, oncologista.


Fatores que elevam o risco

Algumas condições aumentam a chance de desenvolvimento da doença, como a exposição prolongada ao sol entre 10h e 16h, histórico familiar, pele clara, presença de múltiplas pintas, queimaduras solares prévias e o uso de câmaras de bronzeamento. 

“Manchas ou feridas que não cicatrizam em até quatro semanas, pintas que mudam de cor ou formato e lesões elevadas com crosta ou sangramento recorrente precisam ser avaliadas rapidamente, porque podem representar sinais iniciais do câncer de pele”, diz Diocésio Andrade, oncologista. 

A neoplasia se divide em dois grandes grupos. Os tumores não melanoma são os mais frequentes no Brasil e costumam estar associados à exposição solar acumulada ao longo dos anos. Já o melanoma, menos comum, apresenta maior potencial de agressividade e pode surgir como uma mancha ou pinta que muda de cor, formato ou tamanho ao longo do tempo.
 

Prevenção

“O uso diário de protetor solar com fator 30 ou superior, a reaplicação ao longo do dia, a preferência por sombra, o uso de chapéus, roupas adequadas e óculos com proteção UV e o cuidado de evitar o sol no horário de maior intensidade são alguns tipos de prevenção”, ressalta Diocésio. 

A atenção constante e o diagnóstico precoce continuam sendo determinantes, sobretudo no tipo melanoma. “O principal caminho para combater o câncer de pele é evitar que ele se desenvolva. Além disso, prestar atenção às mudanças na pele e procurar ajuda logo no início aumenta muito as chances de um tratamento bem-sucedido”, acrescenta o oncologista.


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